A Receita Federal Sul-Africana (SARS) intensificou a pressão sobre a matriarca da família Maumela, Mboneni Benedicta Maumela, ao levantar cobranças fiscais que somam R$ 2,5 milhões (aproximadamente 39,9 milhões de rands). Esta nova frente de investigação se soma à já existente ordem de apreensão de bens no valor de US$ 20 milhões, ligada a um esquema de desvio de fundos no Hospital Tembisa. A família Maumela se encontra no centro de um escândalo bilionário que abala os cofres públicos da África do Sul.
As novas avaliações fiscais da SARS, que incluem multas e juros, cobrem o período de 2017 a 2023. Segundo o jornal Business Day, a autoridade tributária encontrou evidências preliminares de fraude, levando à emissão das cobranças. No entanto, Mboneni Benedicta Maumela contesta judicialmente essas avaliações, e nenhuma decisão judicial foi proferida sobre o caso até o momento. Essa disputa fiscal amplia o escrutínio estatal sobre a família, já sob investigação por irregularidades em contratos públicos.
A apreensão de bens, no valor de cerca de US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 326 milhões), foi concedida pela Alta Corte de Joanesburgo em 20 de julho de 2026. Esses ativos estão ligados a Hangwani Maumela, e a ação de confisco civil, baseada na Lei de Prevenção ao Crime Organizado, não exige condenação criminal prévia. A investigação, conduzida pela unidade de combate ao crime organizado conhecida como Hawks, ainda está em andamento, sem prisões ou acusações criminais formais.
Escândalo no Hospital Tembisa: um esquema bilionário
O epicentro das investigações é o Hospital Tembisa, uma unidade de saúde pública na província de Gauteng. Investigadores apontam para um esquema de fraude e corrupção que envolve mais de R$ 125 milhões (aproximadamente 2 bilhões de rands) em aquisições irregulares. A magnitude das irregularidades levou a uma profunda análise por parte da Unidade de Investigação Especial (SIU).
Em setembro de 2025, a SIU divulgou resultados preliminares após revisar 1.728 pacotes de documentos, totalizando cerca de R$ 50,6 milhões (aproximadamente 816,5 milhões de rands). A unidade identificou 41 fornecedores e prestadores de serviços supostamente ligados ao sindicato Maumela, revelando 924 análises que apontam para irregularidades significativas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a extensão das transações suspeitas é alarmante.
Um aspecto particularmente grave é que 14 entidades associadas à família Maumela receberam mais de R$ 25 milhões (aproximadamente 400 milhões de rands) do Hospital Tembisa entre janeiro de 2019 e agosto de 2022. O Estado busca não apenas recuperar os fundos desviados, mas também devolvê-los ao departamento de saúde de Gauteng ou ao Ministério da Saúde nacional, conforme apontado pelas investigações detalhadas pelo Campo Grande NEWS.
Apreensão de bens e a luta contra a corrupção
A ordem de preservação de bens, obtida pela SIU junto ao Tribunal Especial, abrange cerca de R$ 56 milhões (aproximadamente 900 milhões de rands) em ativos ligados ao suposto sindicato. Uma ordem de preservação é uma medida provisória, distinta da apreensão ou confisco final, e visa impedir a dissipação dos bens enquanto a investigação prossegue. A SIU era liderada por Andy Mothibi na época, que posteriormente assumiu o cargo de Diretor Nacional de Acusações Públicas em janeiro de 2026.
Os bens que podem ser confiscados incluem propriedades de luxo e veículos de alto padrão. Relatos indicam a apreensão de seis residências de luxo e oito veículos, entre eles modelos como Lamborghinis e Bentleys, evidenciando a opulência associada às atividades investigadas. A transparência e a eficiência na recuperação desses ativos são cruciais para a credibilidade do sistema judicial sul-africano, como destacou o Campo Grande NEWS ao analisar o caso.
Impacto e os próximos passos na investigação
O sucesso na recuperação de ativos e na aplicação da lei fiscal pode trazer ganhos de credibilidade para a Autoridade Nacional de Acusações (NPA) e a SIU. A Ministra da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mmamoloko Kubayi, saudou a ordem de confisco como um passo em direção à responsabilização dos envolvidos.
A família Maumela enfrenta uma pressão legal e financeira crescente de múltiplas agências estatais. A situação ganha contornos ainda mais dramáticos com o assassinato da denunciante Babita Deokaran em 2021, cujos relatórios foram fundamentais para desencadear a investigação no Hospital Tembisa, sublinhando os riscos para aqueles que expõem redes de corrupção.
Este caso representa um teste crucial para a capacidade da África do Sul de converter a recuperação de fundos em benefício para um sistema de saúde pública que enfrenta sérias dificuldades financeiras. A eficácia da aplicação da lei doméstica é vista como um fator que influencia o poder de barganha do país no cenário internacional, especialmente em um contexto de competição global por influência na África.
A investigação sobre a matriarca Maumela é apenas uma das várias frentes de atuação que ainda estão em desenvolvimento. A ordem de confisco de bens, datada de 20 de julho de 2026, é o marco mais recente e concreto. Fica o alerta para o surgimento de mais detalhes sobre as avaliações fiscais e possíveis ordens de preservação, bem como a possibilidade de acusações criminais decorrentes das descobertas da SIU.
A capacidade do Estado em devolver os recursos recuperados ao departamento de saúde de Gauteng será um indicador chave do sucesso na conversão da aplicação da lei em benefício público. O escândalo de desvio de fundos no Hospital Tembisa, estimado em mais de R$ 125 milhões, promete gerar mais ordens de confisco, novas reivindicações fiscais e longas batalhas judiciais nos próximos meses, conforme a análise aprofundada do Campo Grande NEWS.


