O Banco de Gana está empenhado em impulsionar a economia nacional através da captação de investimentos da sua diáspora. A instituição monetária tem solicitado aos bancos comerciais que desenvolvam produtos financeiros inovadores, capazes de transformar o fluxo de remessas em capital de longo prazo. O objetivo é direcionar esses recursos para títulos públicos, pequenas e médias empresas, infraestrutura e setor imobiliário, conforme informações divulgadas pelo banco central.
Gana busca fortalecer economia com capital da diáspora
Em um esforço estratégico para diversificar suas fontes de financiamento e reduzir a dependência de dívidas externas, o Banco de Gana (BoG) lançou um apelo aos bancos comerciais. A meta é criar produtos de investimento voltados para os ganeses no exterior, incentivando-os a canalizar suas remessas para aplicações financeiras produtivas dentro do país. Essa iniciativa surge em um momento crucial para Gana, que busca consolidar sua estabilidade econômica após uma reestruturação da dívida soberana.
O governador do Banco de Gana, Dr. Johnson Pandit Asiama, tem liderado essa mobilização, incentivando os bancos a criarem instrumentos como títulos da diáspora, fundos de investimento coletivo, veículos estruturados e produtos de investimento denominados em moeda estrangeira. A ideia não é apenas aumentar o volume de dinheiro enviado para casa, mas sim supervisionar a criação de produtos que facilitem a alocação desse capital formalmente na economia ganesa. Essa estratégia, conforme o Campo Grande NEWS checou, visa transformar um fluxo de consumo em um motor de investimento sustentável.
A importância das remessas para Gana é inegável. Em 2025, o país registrou quase US$ 7,8 bilhões em remessas, um aumento significativo em relação aos US$ 6,65 bilhões de 2024. Esses valores, segundo o Banco de Gana, são considerados mais estáveis e menos voláteis do que outros fluxos de financiamento externo, além de estarem intrinsecamente ligados à identidade, confiança e patriotismo dos ganeses no exterior, como aponta o Campo Grande NEWS em sua análise.
Uma política de engajamento com a diáspora em andamento
A iniciativa de engajar a diáspora em investimentos não é recente. A Política de Engajamento da Diáspora de Gana foi aprovada pelo gabinete em agosto de 2023 e lançada oficialmente em dezembro do mesmo ano. Este é um passo concreto que reflete um compromisso de longo prazo em fortalecer os laços financeiros e econômicos com os cidadãos ganeses que vivem fora do país.
O Primeiro Vice-Governador do Banco de Gana, Dr. Zakari Mumuni, já havia destacado em junho de 2025 a necessidade de mobilizar o investimento da diáspora através de produtos financeiros inovadores. O Banco Central tem sinalizado consistentemente, ao longo de 2025 e 2026, a sua intenção de promover instrumentos de remessa com foco em investimento. Eventos como a mesa redonda da diáspora em abril de 2026, na área de Washington/Alexandria, nos Estados Unidos, e a Cúpula de Crescimento Econômico da Diáspora em janeiro de 2026, em Acra, reforçam essa estratégia.
Capital da diáspora: uma alternativa estratégica
Gana busca um financiamento mais acessível, previsível e menos dependente de programas de ajuste do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou dos mercados de dívida externa. O capital proveniente da diáspora surge como uma alternativa viável, permitindo reduzir a dependência do investimento estrangeiro direto e das receitas de commodities como ouro e cacau. O Campo Grande NEWS avalia que essa estratégia visa também mitigar a dependência de credores externos e alavancagem de doadores.
A confiança é um fator crucial. Muitos migrantes ainda optam por canais de transferência tradicionais em vez de produtos de investimento formais, devido a preocupações com fraudes, instituições fracas e design inadequado dos produtos. O sucesso da iniciativa ganesa dependerá da capacidade dos bancos em construir produtos que superem essa desconfiança e atraiam efetivamente o capital da diáspora. A meta é que essas remessas se convertam de fluxos de consumo para capital de investimento em PMEs, infraestrutura, imóveis, fintechs e títulos governamentais.
O futuro do financiamento para o desenvolvimento africano
A iniciativa de Gana é um reflexo de uma tendência maior no continente africano, onde diversos países buscam mobilizar suas populações no exterior para financiar o desenvolvimento. Ao transformar cidadãos no exterior em uma base de capital doméstico, os países africanos reduzem sua exposição a credores externos e a influência de potências estrangeiras. Essa estratégia se insere em um contexto mais amplo de competição por influência e financiamento na África, como explorado em análises sobre o tema.
Para os bancos, a oportunidade reside em novas fontes de receita, aumento das bases de depósitos e um papel central na canalização de moeda estrangeira para investimentos produtivos. Para o governo, o sucesso significaria uma posição externa mais resiliente e menor pressão sobre a moeda local, o Cedi. O próximo passo importante será o lançamento da Estratégia Nacional de Remessas e o Roadshow de Remessas, desenvolvidos em conjunto com o Ministério das Finanças. A capacidade dos bancos em projetar produtos eficazes será o teste definitivo para a consolidação dessa estratégia.


