Investigação do Naufrágio MV Barima: Primeira Visita ao Local e Cobrança por Respostas

Seis semanas e meia após o que se tornou o mais letal desastre marítimo da Guiana, a Comissão de Inquérito (CoI) realizou sua primeira visita preliminar ao local do naufrágio do ferry MV Barima. O evento, que resultou na morte de pelo menos 72 pessoas e deixou cerca de 31 desaparecidos, levanta questões urgentes sobre a segurança e a responsabilidade. A investigação, presidida pelo juiz de Belize, Godfrey Philip Smith, busca coletar documentos e testemunhos cruciais, mas a falta de transparência sobre os procedimentos e a recuperação do navio tem gerado críticas, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Náufrágio MV Barima: Uma Tragédia e a Busca por Respostas

A primeira visita da Comissão de Inquérito ao local do acidente com o ferry MV Barima ocorreu em 2 de setembro. A embarcação, com 87 anos de operação, naufragou na noite de 18 de julho, na costa de Essequibo. A tragédia chocou o país, com um número oficial de 133 pessoas na lista de passageiros, mas estimativas apontam para cerca de 179 a bordo, sugerindo um possível sobrecarregamento. Deste total, 76 pessoas foram resgatadas, 72 corpos recuperados, e 31 ainda permanecem desaparecidos, conforme dados divulgados.

A comissão, composta por cinco membros, está focada em reunir informações sobre a navegabilidade do ferry e os procedimentos operacionais da tripulação. Para isso, está coletando registros do Departamento de Administração Marítima da Guiana (MARAD), do Departamento de Transportes e Portos, e da Força de Defesa da Guiana, incluindo sua Guarda Costeira e Aviação. O objetivo é reconstruir os eventos que levaram ao naufrágio e propor melhorias na segurança marítima, essencial para as comunidades costeiras que dependem desses transportes, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.

Apesar dos esforços da comissão, a investigação tem sido lenta, e a ausência de datas definidas para audiências públicas aumenta a apreensão. A oposição, através da líder do Movimento Forward Guyana, Amanza Walton-Desir, expressou preocupação com a falta de detalhes sobre a visita ao local. Questões sobre quem realizou a pesquisa preliminar, quais métodos foram utilizados e se o próprio navio afundado foi inspecionado, permanecem sem resposta clara. A exigência é por transparência total no processo.

A Oposição Exige Esclarecimentos Detalhados

Em um comunicado público emitido em 3 de setembro, Amanza Walton-Desir saudou a atualização da Comissão, que incluiu um convite para submissões públicas. No entanto, ela destacou que perguntas cruciais foram deixadas sem resposta. Walton-Desir questionou a identidade dos responsáveis pela pesquisa preliminar do local, os comissários participantes, e os especialistas técnicos envolvidos. A falta de detalhes sobre o registro fotográfico e documental da visita, bem como a forma de assegurar evidências, também foram pontos de atenção.

A líder da oposição também indagou sobre o papel exato do MARAD na investigação e quais medidas foram tomadas para a recuperação do navio e a busca pelos desaparecidos. A preocupação com a responsabilização ministerial foi enfática. “O Presidente não pode usar esse processo como uma sala de espera constitucional na qual a responsabilidade ministerial é suspensa até que a Comissão relate”, declarou Walton-Desir, segundo o Guyana Standard, em uma crítica direta à gestão do processo pelo governo, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS.

Investigação Lenta e a Dor das Famílias

O Presidente Irfaan Ali anunciou a Comissão de Inquérito independente no final de julho, com o mandato de examinar procedimentos pré-partida, manuseio de carga, resposta a emergências e possíveis violações regulatórias. O painel, empossado em 30 de julho, tem a importante tarefa de recomendar reformas na segurança marítima da Guiana. A demora na divulgação do cronograma de audiências e a lista de testemunhas, que ainda está em preparação, prolongam a angústia das famílias das vítimas.

A discrepância entre o manifesto oficial e o número estimado de passageiros a bordo do MV Barima alimenta a raiva pública e a suspeita de sobrecarga. O capitão e o primeiro engenheiro do ferry testaram positivo para maconha após o acidente, e três homens, incluindo o capitão, já foram acusados de homicídio. A expectativa é que a Comissão de Inquérito forneça respostas definitivas e ajude a prevenir futuras tragédias no transporte marítimo guianense.

Próximos Passos da Comissão de Inquérito

A Comissão ainda não anunciou quando as audiências públicas terão início, nem divulgou a lista completa de testemunhas. Espera-se que mais detalhes sobre o cronograma e o processo de submissão de informações ao público sejam divulgados em breve. As audiências ocorrerão no Centro de Conferências Arthur Chung, em Greater Georgetown, e serão cruciais para esclarecer as circunstâncias do naufrágio e definir responsabilidades, conforme informado pela imprensa local.

Para as famílias que aguardam notícias de seus entes queridos, a espera continua. A necessidade de respostas concretas e a garantia de que medidas serão tomadas para evitar a repetição de tal catástrofe são as principais demandas. A investigação do MV Barima é um passo fundamental para a justiça e para a reconstrução da confiança no sistema de transporte marítimo da Guiana.