A população do Suriname está sentindo o peso do aumento nos preços do gás de cozinha, com a estatal EBS reajustando os valores na última semana. Paralelamente, o diretor da EBS, Leo Brunswijk, protagonizou um embate público com o parlamento, exigindo o pagamento de contas de eletricidade em atraso. A situação adiciona pressão sobre o custo de vida das famílias e levanta questões sobre a gestão financeira do poder legislativo. Conforme divulgado pelo Suriname Herald, o cenário se desenrola em meio a reajustes trimestrais previstos e a um embate inusitado entre órgãos públicos.
A N.V. Energiebedrijven Suriname (EBS), a empresa estatal de energia do Suriname, implementou um novo aumento nos preços do cilindro de gás de cozinha no dia 1º de setembro de 2026. Este reajuste faz parte de um cronograma trimestral estabelecido por um decreto ministerial de 2023, que visa a gradativa redução de subsídios. A medida, embora esperada, impacta diretamente o orçamento das famílias que dependem do gás para o preparo de alimentos.
Em um desdobramento que chamou a atenção, o próprio diretor-geral da EBS, Leo Brunswijk, dirigiu críticas contundentes ao parlamento do país. A declaração pública ocorreu dias após o anúncio do aumento dos preços do gás e em resposta a críticas de parlamentares sobre o desempenho da EBS, incluindo falhas recentes no fornecimento de energia. Brunswijk, em entrevista à emissora Sun Web TV, instou os legisladores a quitarem suas pendências financeiras com a companhia.
EBS eleva preços e o impacto nas famílias
O cilindro de propano de 28 libras agora custa SRD 535 (aproximadamente US$ 14,12), um aumento em relação aos SRD 508 (cerca de US$ 13,40) anteriores. Já o cilindro composto de 14 kg foi reajustado para SRD 556,50 (aproximadamente US$ 14,68), ante os SRD 530 (cerca de US$ 13,98). Segundo a EBS, esses aumentos integram uma política de descontinuação de subsídios iniciada em 2023.
O cilindro de 28 libras atingiu seu preço final previsto pelo decreto atual. No entanto, o cilindro de 14 kg ainda sofrerá mais um ajuste, previsto para 1º de dezembro de 2026. Desde o início da redução de subsídios, os preços têm subido em etapas. Para se ter uma ideia, em março de 2026, o cilindro de 28 libras custava apenas SRD 441 (aproximadamente US$ 11,64), conforme reportado pelo Suriname Herald.
Esses aumentos representam um acréscimo de cerca de SRD 27 (aproximadamente US$ 0,71) por cilindro de 28 libras para o consumidor, um valor que, somado ao longo do ano, impacta significativamente o orçamento doméstico. O custo de vida no Suriname se torna um ponto de atenção com essas novas despesas.
Diretor da EBS confronta o parlamento
Em declarações divulgadas na quinta-feira, o diretor-geral da EBS, Leo Brunswijk, rebateu as críticas dirigidas à companhia. Ele sugeriu que os parlamentares deveriam primeiro olhar para suas próprias responsabilidades financeiras. A mensagem de Brunswijk foi direta: “De Nationale Assemblee (DNA), paguem a conta de eletricidade“.
Brunswijk destacou que o parlamento opera diversos edifícios com alto consumo de energia, especialmente devido ao uso intensivo de ar condicionado. Ele afirmou que, apesar desse gasto, o parlamento ainda possui débitos com a EBS. O diretor desafiou os legisladores a revelarem publicamente quando foi o último pagamento e qual o valor total da dívida, informações que ainda não foram divulgadas pelo órgão legislativo.
A polêmica ganha um contorno particular devido a um laço familiar. Leo Brunswijk é irmão mais novo de Ronnie Brunswijk, uma figura proeminente na política surinamesa. Ronnie Brunswijk, que foi vice-presidente do país entre 2020 e 2025, atualmente ocupa o cargo de vice-presidente do parlamento, a própria instituição criticada por seu irmão. Essa proximidade familiar já gerou preocupações sobre conflitos de interesse em ocasiões anteriores no Suriname. No entanto, não há indícios de que Ronnie Brunswijk tenha se envolvido diretamente nesta disputa específica sobre a conta de eletricidade do parlamento.
A questão do pagamento das contas de energia pelo parlamento levanta sérias dúvidas sobre transparência e responsabilidade financeira. Resta saber como os parlamentares responderão ao desafio lançado por Leo Brunswijk e se as dívidas pendentes serão quitadas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de clareza sobre esses débitos pode gerar desconfiança pública, especialmente em um momento de aperto econômico para a população. A atuação da EBS, como órgão estatal, está sob os holofotes, e o Campo Grande NEWS acompanha de perto desdobramentos que afetam a vida dos cidadãos.
A situação evidencia a complexa teia de relações e responsabilidades dentro do governo surinamês. Enquanto a EBS busca equilibrar suas contas e implementar políticas de longo prazo, o parlamento enfrenta questionamentos sobre sua própria gestão financeira. O Campo Grande NEWS reitera a importância de informações precisas e verificadas para que a população possa compreender plenamente os cenários econômicos e políticos que afetam o país.


