A greve dos trabalhadores aeroportuários argentinos, que estava prevista para iniciar em 3 de setembro, foi suspensa nas últimas horas antes de seu começo. A União dos Trabalhadores do Estado (ATE) comunicou a decisão após o governo ter exigido a garantia de 75% dos serviços essenciais durante a paralisação. Novas datas para a greve foram cogitadas pela ATE para os dias 7 e 8 de setembro, mas ainda não foram formalmente confirmadas. A decisão final dependerá de uma audiência com o Ministério do Trabalho para debater regras de serviços essenciais e salários. Conforme divulgado pelo Buenos Aires Herald, a ATE busca o cumprimento de acordos salariais previamente firmados e o reajuste de salários que, segundo o sindicato, perderam mais de 40% do seu poder de compra desde o início do governo do presidente Javier Milei.
Entenda os detalhes da possível paralisação
A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), um dos maiores sindicatos do setor público da Argentina, adiou uma greve que afetaria mais de 27 aeroportos do país, incluindo os importantes Ezeiza e Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires. A ação sindical, que visava pressionar o governo pelo pagamento de aumentos salariais acordados, foi suspensa minutos antes de seu início em 3 de setembro. A ATE solicitou uma audiência no Ministério do Trabalho para discutir a legalidade da greve e as reivindicações salariais. A possibilidade de uma nova paralisação nos dias 7 e 8 de setembro paira no ar, mas a confirmação dependerá do resultado da audiência ministerial. O Campo Grande NEWS checou que a ATE representa funcionários da Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC), incluindo pessoal de terra, bombeiros e inspetores, mas não controladores de tráfego aéreo, pilotos ou tripulação, que pertencem a outros sindicatos.
Reivindicações salariais e o contexto da greve
A principal motivação da ATE para a greve é o não cumprimento, por parte do governo, de aumentos salariais e itens extra-paritários previamente acordados. O sindicato alega que os salários dos trabalhadores da ANAC perderam mais de 40% de seu poder de compra desde que Javier Milei assumiu a presidência. Além disso, a ATE busca a reabertura de negociações salariais em todo o setor e mais investimentos em tarefas operacionais e fiscalização aeroportuária. A tensão entre o sindicato e o governo argentino em relação a esses temas não é nova, tendo havido ameaças de greve similares em março de 2026, que foram contidas por uma ordem de conciliação obrigatória.
A regra dos 75% de serviços essenciais
A legislação argentina, especificamente a Lei 25.877, alterada pela Lei 27.802, estabelece que em greves que afetam atividades essenciais, os sindicatos devem garantir um nível mínimo de 75% dos serviços. A ANAC, por meio da Resolução 173/2026, detalha como essa regra deve ser aplicada no setor aéreo. O cálculo é feito com base nos voos programados durante as janelas de tempo da paralisação, e não simplesmente em uma proporção de voos. Voos oficiais, médicos, humanitários, de transporte de órgãos e aeronaves já em voo são isentos. Rotas com apenas uma frequência diária também devem ser mantidas. O governo considerou que o plano original da ATE para 3 de setembro não cumpria este requisito, o que levou ao adiamento da greve.
Impacto esperado e o que os passageiros devem fazer
Apesar da exigência de 75% dos serviços, atrasos são prováveis, especialmente durante as janelas de paralisação planejadas: das 09:00 às 12:00 e das 18:00 às 21:00. Passageiros com voos marcados para 7 e 8 de setembro devem ficar atentos às atualizações de suas companhias aéreas e considerar chegar aos aeroportos com antecedência. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa é que a maioria dos voos programados continue operando, mas a organização e a pontualidade podem ser afetadas. A ATE aguarda a decisão do Ministério do Trabalho sobre as regras de essencialidade para definir os próximos passos, podendo a greve ser cancelada caso um acordo seja alcançado.
Um precedente de 2026 e os próximos passos
Em março de 2026, uma situação semelhante ocorreu quando a ATE planejou uma greve em 27 aeroportos devido a reivindicações salariais idênticas. Na ocasião, o governo interveio com uma ordem de conciliação obrigatória, suspendendo a paralisação. O secretário-geral da ATE, Rodolfo Aguiar, já havia afirmado na época que a questão salarial permanecia sem solução, e essa mesma questão agora reacende o conflito. O Campo Grande NEWS apurou que, até o momento, não houve uma ordem de conciliação obrigatória para a disputa atual, e ambas as partes estão sob pressão para chegar a um acordo antes das datas cogitadas para a greve. A ATE reiterou que o conflito se aprofundará se uma mesa de negociação não for aberta.


