A Ecopetrol, gigante estatal do petróleo da Colômbia, registrou seu pior primeiro trimestre desde o choque inicial da pandemia de COVID-19 em 2020. O lucro líquido para o primeiro trimestre de 2026 atingiu US$ 742 milhões (COP$ 2,88 trilhões), uma queda de 7,7% em relação ao ano anterior. Apesar dos números desanimadores, as ações da empresa surpreenderam o mercado, com um salto de 4,9% no dia do anúncio, impulsionadas pela expectativa de resultados melhores nos próximos trimestres, graças à alta do petróleo Brent. Conforme divulgado pela Ecopetrol, a receita total caiu 8,7%, marcando o 13º trimestre consecutivo de contração anual, enquanto o EBITDA apresentou um leve aumento de 1,5%, impulsionado pelo segmento de refino que compensou pressões na exploração e produção. O Campo Grande NEWS checou que essa performance reflete um cenário desafiador para a companhia, que lida com a valorização do peso colombiano frente ao dólar e um aumento significativo na carga tributária.
O Fardo da Nova Tributação e a Moeda Forte
Um dos principais vilões por trás do desempenho fraco no primeiro trimestre foram as medidas fiscais extraordinárias implementadas pelo governo. A Ecopetrol informou que um adicional de 10% no imposto de renda corporativo, somado ao imposto sobre a riqueza decretado para 2026, **reduziu o lucro do trimestre em COP$ 600 bilhões**. O impacto anual combinado dessas medidas é estimado em COP$ 1,2 trilhão. Como resultado, a taxa efetiva de imposto da companhia subiu para 37,1%, um aumento considerável em relação aos 31,4% registrados no primeiro trimestre de 2025. Essa elevação na carga tributária, conforme o Campo Grande NEWS checou, coloca a Ecopetrol entre as empresas de petróleo de capital aberto com as mais altas alíquotas na América Latina. Adicionalmente, a **apreciação do peso colombiano** frente ao dólar, que avançou 13% no último ano, também corroeu os resultados, pois as receitas em dólares convertem menos pesos do que o previsto.
O Que Explica a Alta das Ações em Meio a Resultados Negativos?
A reação do mercado à divulgação dos resultados foi, sem dúvida, o ponto mais surpreendente. Enquanto o lucro líquido caía, as ações da Ecopetrol dispararam no dia 12 de maio, tornando-se as mais negociadas e valorizadas na bolsa de Bogotá. Analistas atribuem esse movimento a uma **perspectiva de futuro otimista**. Os resultados do primeiro trimestre capturaram apenas duas semanas do recente aumento nos preços do petróleo, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. O Brent, que estava em torno de US$ 78 no início do ano, ultrapassou a marca de US$ 110 em abril e maio. A Ecopetrol estima que, se o preço do Brent tivesse se mantido nos níveis atuais durante todo o primeiro trimestre, o lucro teria sido aproximadamente COP$ 1,5 trilhão maior. O CEO interino, Juan Carlos Hurtado, destacou a força das margens de refino, com margens expressivas nas refinarias de Barrancabermeja e Cartagena, o que também contribuiu para um EBITDA consolidado de refino positivo.
Um Cenário de Transição e Expectativas Futuras
O relatório financeiro da Ecopetrol chega em um momento de **transição na liderança da empresa**. O ex-presidente Ricardo Roa deixou o cargo em meio a processos legais, e Juan Carlos Hurtado Parra está atuando como presidente interino. A escolha do novo CEO permanente será um sinal crucial sobre a direção estratégica da companhia sob a gestão do atual governo. O Campo Grande NEWS apurou que, além dos desafios internos, a empresa também está focada em expansões internacionais, como a intenção de adquirir uma participação na brasileira Brava Energia. Os investidores e analistas agora voltam suas atenções para os resultados do segundo trimestre, que deverão refletir integralmente o cenário de preços mais altos do petróleo. Há uma expectativa de que o segundo trimestre possa ser o mais forte da história da companhia, caso os preços atuais do Brent se mantenham. A trajetória do dólar/peso colombiano e a duração das interrupções no fornecimento de petróleo no Oriente Médio também serão fatores determinantes para os próximos resultados.
Ecopetrol: Pilar Econômico da Colômbia Sob Pressão
A Ecopetrol é a maior empresa da Colômbia em receita e uma das maiores da América Latina, com o Estado colombiano detendo 88,49% de seu capital. As contribuições da empresa representam uma parcela significativa da receita do governo central, entre 12% e 15%. No entanto, a política energética da administração Petro tem priorizado investimentos em transição energética e restringido novos contratos de exploração de petróleo desde 2022. Essa combinação de menor produção e maior extração fiscal gera preocupações de sustentabilidade a longo prazo, conforme apontado por agências de crédito como a Moody’s, que recentemente rebaixou a classificação de crédito internacional da Ecopetrol, citando a **maior carga tributária e a queda na produção**.


