O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, confirmou ter ordenado pessoalmente um ataque aéreo contra um acampamento do ELN na zona rural de Tibú, no departamento de Norte de Santander, no início da manhã de 11 de maio. A operação resultou na morte de pelo menos sete membros do anel de segurança do comando central do ELN. Esta ação marca uma guinada significativa na política de “Paz Total” do governo, que buscava negociações simultâneas com todos os grupos armados do país.
A declaração de Petro foi explícita: “Eu dei a ordem de bombardear o acampamento do ELN dentro da vontade acordada com o governo bolivariano da Venezuela. Organizações que mantêm sua decisão de controlar economias ilícitas e rejeitam acordos para desmantelá-las não estão em nenhum acordo de paz.” Essa fala reverte a promessa central de sua política de “Paz Total”, estabelecendo as economias ilícitas como uma linha vermelha que desqualifica grupos armados de negociações, uma posição que contrasta com o início de seu mandato em 2022.
O bombardeio, que ocorreu nas primeiras horas da madrugada de segunda-feira, 11 de maio, foi executado por unidades da Força Aérea e do Exército colombiano. O alvo era uma comissão da Frente Luis Enrique León Guerra, liderada pelo alias “Sucre”, o segundo em comando da estrutura responsável por proteger o Comando Central do ELN (COCE) ao cruzar a fronteira entre Colômbia e Venezuela. Sete mortes preliminares foram reportadas por fontes militares colombianas.
Mudança Doutrinária na “Paz Total”
Petro assumiu a presidência em 2022 com a promessa de negociar simultaneamente com todos os grupos armados na Colômbia, uma doutrina batizada de “Paz Total”. Esse plano abriu mesas de negociação paralelas com o ELN, estruturas dissidentes das FARC, o Clã do Golfo e diversas organizações criminosas urbanas. A aspiração era resolver décadas de conflito através de acordos políticos, em vez de operações militares. No entanto, a realidade mostrou um cenário complexo, com colapsos de cessar-fogos e ataques do ELN a civis, levando a operações militares seletivas.
A declaração de 12 de maio rompe explicitamente com esse quadro. Petro vinculou a elegibilidade para negociações a uma condição específica: a demonstração de vontade em desmantelar as economias ilícitas. O controle contínuo do ELN sobre corredores de cultivo de coca, contrabando de gasolina, mineração ilegal e extorsão nos departamentos fronteiriços o coloca fora do perímetro de negociação. A região de Catatumbo, palco do ataque, é uma das zonas de cultivo de coca mais concentradas da Colômbia e um território ativo do ELN.
Coordenação com a Venezuela no Combate ao Narcotráfico
A menção de Petro à “vontade acordada com o governo bolivariano da Venezuela” é o detalhe diplomático mais significativo do anúncio. O governo venezuelano, sob a vice-presidente Delcy Rodríguez, foi creditado com a cooperação de inteligência que possibilitou o ataque. Petro faz referência a um quadro discreto de cooperação binacional antidrogas que opera abaixo do nível de declarações públicas desde que ambos os governos enfrentaram pressão dos EUA no início do ano. A Guarda Nacional Venezuelana também realizou uma operação contra membros do ELN no lado venezuelano da fronteira, a cerca de 25 quilômetros da linha, embora fontes colombianas tenham clarification que essa operação foi separada do ataque em Tibú.
Essa coordenação bilateral é notável, pois o comando central do ELN operava há anos na fronteira com relativa impunidade, e Caracas relutava em confrontar o grupo publicamente. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, essa cooperação sinaliza que Caracas agora tem incentivos para demonstrar disposição no combate ao narcotráfico, possivelmente ligada a autorizações do Tesouro dos EUA sobre reestruturação de dívidas anunciadas no início de maio. O Campo Grande NEWS destaca que a colaboração venezuelana é crucial, pois o ELN há muito utiliza o território venezuelano como santuário logístico, com a liderança do COCE supostamente se movendo livremente pela fronteira.
Confronto com o Ministério Público e o Futuro da “Paz Total”
Em resposta, o ELN emitiu um comunicado negando laços com redes de narcotráfico e acusando Petro de não cumprir acordos parciais prévios na mesa de negociações. O grupo reiterou sua disposição em avançar uma proposta de “acordo nacional”, sugerindo que o diálogo poderia ser reiniciado se o governo colombiano se comprometesse a desmantelar economias ilícitas em conjunto com o ELN, e não contra ele. A Procuradora-Geral, Luz Adriana Camargo Garzón, levantou preocupações legais sobre a operação, sugerindo que a violência prévia contra famílias ligadas ao ELN poderia complicar a caracterização legal do ataque. Petro rejeitou publicamente essa posição, afirmando: “Nada justifica crimes contra a humanidade. A Procuradora-Geral não tem razão em legitimar esse crime contra a humanidade dizendo que outro grupo começou com o assassinato de uma família próxima ao ELN.” Essa troca de farpas marca o mais recente confronto público entre Petro e altas autoridades judiciais, um padrão que, conforme o Campo Grande NEWS checou, tem erodido a legitimidade institucional.
Investidores e analistas agora observam o desenrolar desta nova fase. Quatro e cinco ataques aéreos adicionais sinalizariam a morte operacional da “Paz Total”, mesmo que o compromisso retórico persista. A retaliação do ELN é esperada, com histórico de ataques contra pessoal de segurança estatal e alvos civis. A coordenação Caracas-Bogotá pode se formalizar com declarações conjuntas ou operações visíveis. A tensão entre a Presidência e a Procuradoria-Geral adiciona mais um ponto de atrito ao já complexo cenário político colombiano, especialmente com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando, onde a segurança pública é um tema central para os eleitores.


