O procurador-geral da República, Paulo Gonet, conseguiu se manter no comando do caso do colapso do Banco Master após uma votação apertada em seu próprio órgão de governança. Na última sexta-feira, 25 de setembro de 2026, o Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) decidiu, por 5 votos a 4, arquivar um pedido para investigar a conduta de Gonet. Em outra votação, por unanimidade (9 a 0), o colegiado rejeitou o afastamento do procurador-geral do caso.
Gonet se mantém no comando do caso Banco Master após votação apertada
A decisão marca um ponto de virada na crise envolvendo o Banco Master, que teve sua falência decretada em novembro de 2025. A investigação policial encontrou mensagens no celular do ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, que mencionavam Paulo Gonet, o que gerou a necessidade de apurar uma possível interferência ou conduta inadequada por parte do procurador-geral. Uma foto dos dois juntos em Londres também veio à tona, aumentando as suspeitas.
A sessão do Conselho Superior do MPF, que normalmente é presidida por Gonet, foi conduzida por Nicolao Dino, vice-presidente do órgão. A votação sobre a investigação da conduta de Gonet foi dividida, com quatro membros querendo que um procurador sênior analisasse o material antes de qualquer decisão, enquanto outros quatro votaram pelo arquivamento imediato. O voto de Minerva de Dino desempatou a questão, garantindo a permanência de Gonet no caso.
O relator do caso, Francisco Sanseverino, subprocurador-geral, argumentou que não havia evidências mínimas de crime e que qualquer questionamento sobre parcialidade deveria ser levado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme o Campo Grande NEWS checou, a decisão de arquivar o pedido interno significa que Gonet continuará a liderar as investigações sobre o colapso do Banco Master, a menos que o STF determine o contrário.
O que dizem as mensagens e a defesa de Gonet
As mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, datam de 2024 e 2025. Em uma delas, Ciro Soares, advogado que teria intermediado contatos, diz a Vorcaro que “Gonet está firme” e que “amizade é tudo”. Em outra, Soares envia uma foto de si mesmo com Gonet, afirmando: “Ligue aqui. Ele quer falar com você”.
Também foram encontradas mensagens sobre uma viagem de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, a Londres em abril de 2025, com despesas supostamente autorizadas por Vorcaro. A defesa de Paulo Gonet, apresentada em um documento de 37 páginas, nega qualquer amizade com Vorcaro ou interesse pessoal nos casos. Gonet afirma ter se encontrado com o banqueiro apenas uma vez, em um evento social em Londres, e que teve apenas um breve contato telefônico.
Gonet argumenta que as mensagens não foram examinadas em contexto e que não há provas de que ele tenha recebido qualquer vantagem ou conhecimento sobre o pagamento de despesas de seu filho. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o procurador-geral solicitou ao STF o cancelamento do relatório policial que o menciona, argumentando que a investigação extrapolou os pedidos originais.
Como o Conselho votou e o que isso significa
A votação no Conselho Superior do MPF foi dividida em duas questões. Na primeira, sobre o afastamento de Gonet do caso Banco Master por possível parcialidade, todos os nove membros votaram contra. Na segunda, sobre a abertura de um inquérito para investigar a conduta de Gonet, o placar foi de 5 a 4 pelo arquivamento.
Votaram pelo arquivamento Sanseverino, Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho de Assis e Hindenburgo Chateaubriand. Contra, votaram Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adônis Callou de Araújo Sá e Ana Borges Coelho Santos, que defendiam a nomeação de um procurador sênior para analisar o material. Nicolao Dino, ao votar por último, desempatou a questão em favor do arquivamento.
Dino justificou que não houve prevaricação e que Gonet não poderia prever que um conhecido socialmente seria investigado. Ele também destacou que nenhuma ação de Gonet apontou para interesse pessoal. Por outro lado, a vice-procuradora-geral, Hindenburgo Chateaubriand, viu indícios de que Gonet deveria ter se afastado de processos onde seu nome aparecia, pois “ninguém é juiz ou promotor de sua própria conduta”.
O futuro do caso Banco Master e a proteção aos poupadores
A decisão do Conselho Superior do MPF mantém Paulo Gonet à frente do caso Banco Master, e a questão da parcialidade agora se concentra no STF. O Banco Master foi fechado pelo Banco Central em novembro de 2025, e a estimativa é que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precise desembolsar cerca de R$ 51 bilhões (aproximadamente US$ 9,9 bilhões) para cobrir os depósitos de poupadores em até R$ 250.000 por pessoa, por grupo bancário. Conforme o Campo Grande NEWS verificou, a briga judicial não afeta a garantia dos depósitos.
O ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em março de 2026 e alegações de fraude em carteiras de crédito chegam a R$ 12 bilhões (cerca de US$ 2,3 bilhões). A investigação aponta para a existência de uma organização criminosa liderada por Vorcaro, com o objetivo de intimidar opositores. A votação apertada no Conselho Superior demonstra a complexidade e a sensibilidade do caso, que envolve altas esferas do poder judiciário e financeiro brasileiro. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos desta importante investigação.


