Exportações de petróleo venezuelano aos EUA atingem maior nível em sete anos

A Venezuela experimentou uma reviravolta impressionante em sua indústria petrolífera, saindo de um cenário de bloqueio para um período de forte expansão em apenas sete meses. As exportações de petróleo bruto para os Estados Unidos alcançaram o nível mais alto em sete anos em julho de 2026, atingindo cerca de 786.000 barris por dia (b/d). Este volume representa um salto significativo em comparação com os meses anteriores e sinaliza uma recuperação notável na produção do país caribenho.

A mudança abrupta ocorreu após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, pelas forças dos EUA em Caracas, em 3 de janeiro de 2026. Simultaneamente, um pacto de suprimento firmado com a presidente interina Delcy Rodríguez reabriu os canais de exportação. Segundo dados de rastreamento de navios reportados pela Reuters, os embarques para os EUA saltaram de 284.000 b/d em janeiro para aproximadamente 786.000 b/d em julho.

A produção de petróleo venezuelano também mostrou sinais claros de recuperação. Em julho de 2026, a produção bruta atingiu 1,12 milhão de b/d, um aumento notável em relação à média de 941.000 b/d registrada em 2025, de acordo com dados secundários da OPEP citados pela fDi Intelligence. Esse crescimento na produção é um fator chave para sustentar o aumento das exportações.

A flexibilização das sanções americanas, impulsionada pela Ordem Executiva 14373 de 9 de janeiro de 2026, desempenhou um papel crucial nessa retomada. Licenças gerais emitidas pela OFAC (Office of Foreign Assets Control) reabriram o setor de petróleo, gás, petroquímicos, eletricidade e logística venezuelanos para negócios com empresas dos EUA. Como reflexo dessa nova dinâmica, a embaixada dos EUA em Caracas foi reaberta formalmente em 30 de março de 2026, após um fechamento de sete anos.

Chevron Lidera Investimentos e Expansão

A gigante energética americana Chevron tem sido um pilar fundamental nessa recuperação. As joint ventures da empresa na Venezuela viram sua produção crescer 15% em seis meses, atingindo 280.000 b/d. Eimear Bonner, CFO da Chevron, expressou otimismo em 31 de julho, afirmando que a empresa vê potencial para um aumento de até 50% na produção até o final de 2028, demonstrando confiança no futuro do setor petrolífero venezuelano.

Outras grandes empresas também estão sinalizando interesse. Em junho, a Shell assinou cinco acordos preliminares. Mais recentemente, em 13 de agosto, a BP, a Adnoc dos Emirados Árabes Unidos e a UCC Holding do Catar receberam licença para o campo de gás offshore Loran. Essas movimentações indicam um interesse crescente de players internacionais no potencial energético da Venezuela.

A base legal para essas operações também foi atualizada. O governo interino da Venezuela emitiu novas regulamentações de hidrocarbonetos em 7 de julho, e a OFAC dos EUA emitiu licenças gerais abrangendo diversos setores. Uma análise da K&L Gates em 7 de abril indicou que essas medidas permitem que empresas americanas avaliem a entrada no mercado, embora o caminho para empresas não americanas ainda apresente mais restrições.

O Fluxo de Receitas e a Opacidade Financeira

Apesar do aumento expressivo nas exportações de petróleo, a questão de para onde o dinheiro está indo permanece envolta em incerteza. Conforme os acordos atuais, as receitas provenientes da venda de petróleo venezuelano são depositadas em uma conta do Tesouro dos EUA. Nem o governo venezuelano nem o americano divulgam publicamente quanto desses fundos retorna efetivamente para Caracas. Dados do Censo Bureau mostram que as importações dos EUA vindas da Venezuela totalizaram US$ 4,7 bilhões no segundo trimestre de 2026, o maior valor desde o final de 2015, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Essa falta de transparência financeira, somada a outros desafios como danos causados por terremotos em junho e questões políticas em aberto, faz com que outras grandes petroleiras, além da Chevron, mantenham uma postura de observação. Por outro lado, empresas menores e traders estão aproveitando a primeira onda de oportunidades, como atesta a análise do Campo Grande NEWS.

O Que Esperar do Futuro

O futuro do setor petrolífero venezuelano dependerá de três fatores principais, segundo análise especializada: a manutenção da produção acima de 1,1 milhão de b/d após o esgotamento dos estoques; a eficácia das novas regulamentações de 7 de julho na atração de novos acordos petrolíferos; e a sustentabilidade do acordo de depósito de receitas no Tesouro dos EUA diante das necessidades de reconstrução do país. Embora a recuperação atual ainda represente menos de um terço da capacidade máxima histórica de produção da Venezuela, que já ultrapassou 3 milhões de b/d, ela já redefiniu o mapa do comércio de petróleo no Atlântico, como aponta o Campo Grande NEWS.

As exportações totais da Venezuela atingiram um pico de 1,24 milhão de b/d em maio, antes de se estabilizarem em 1,16 milhão em julho, indicando uma convergência com a capacidade de produção real. A média de importações dos EUA nas quatro semanas encerradas em julho atingiu 630.000 b/d, o maior patamar desde setembro de 2017, segundo dados da Energy Information Administration. Enquanto isso, a Índia reduziu suas importações para 178.000 b/d em julho, e a China, anteriormente o maior comprador, está sendo gradualmente substituída pelos EUA como destino principal das cargas venezuelanas.