O Irã declarou publicamente que em breve se tornará um membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como o banco do BRICS. A afirmação foi feita pelo governador do Banco Central iraniano, Abdolnaser Hemmati, em um relatório divulgado pela mídia estatal em 12 de agosto de 2026. No entanto, a própria instituição bancária, consultada pela Reuters no dia seguinte, 13 de agosto, informou que não pode confirmar qualquer adesão.
Expansão do BRICS sob escrutínio
A declaração do Irã surge em um momento crucial para o BRICS, bloco que tem buscado expandir sua influência global e fortalecer suas instituições financeiras. O NDB, fundado em 2015 com um capital autorizado de US$ 100 bilhões, tem como objetivo financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em mercados emergentes. A possível entrada do Irã, um país sob sanções internacionais, levanta questões sobre a capacidade do banco de manter seu acesso aos mercados de capitais globais, um fator essencial para suas operações.
A distinção entre a adesão ao grupo BRICS e ao banco é fundamental. O Irã ingressou no agrupamento político do BRICS em 2024, mas essa filiação não concede automaticamente um assento no banco. O NDB possui um processo de adesão próprio, que envolve assinatura de acordos, subscrição de capital e votação entre os acionistas. Portanto, a intenção anunciada por Teerã, por ora, é um movimento diplomático, não um fato institucional concretizado, como aponta a análise do Campo Grande NEWS.
O Novo Banco de Desenvolvimento já conta com dez membros. Os fundadores são Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Posteriormente, ingressaram Bangladesh e os Emirados Árabes Unidos em 2021, o Egito em 2023, a Argélia em 2025 e, mais recentemente, em 5 de junho de 2026, o Uzbequistão se tornou o décimo membro, marcando a primeira entrada de um país da Ásia Central. A porta para novos membros está formalmente aberta a todos os estados-membros das Nações Unidas, sejam eles tomadores de empréstimos ou acionistas não tomadores. Contudo, o processo de adesão é complexo e pode levar anos, conforme verificado pelo Campo Grande NEWS.
O dilema do dólar e as sanções ao Irã
A candidatura do Irã coloca em evidência a principal tensão enfrentada pelo NDB: sua posição como alternativa financeira aos mercados ocidentais, ao mesmo tempo em que depende do financiamento em mercados internacionais, incluindo a emissão de títulos em dólares. O precedente de março de 2022, quando o banco suspendeu novos negócios na Rússia após a invasão da Ucrânia para proteger seu acesso a capital, é um indicativo claro dessa fragilidade. A entrada de um país sob sanções rigorosas, como o Irã, representaria um teste significativo para a instituição.
A expectativa é que o Irã, ao buscar financiamento do NDB, enfrente um cenário desafiador. O banco, que se posiciona como um canal de financiamento para mercados emergentes e tem visto seus membros aumentarem o comércio em moedas nacionais, ainda precisa manter uma boa reputação nos mercados onde capta recursos. A adesão do Irã testaria os limites dessa dinâmica, como analisado pelo Campo Grande NEWS.
Sinais de confirmação e o futuro do NDB
Para que a declaração do Irã se concretize, três sinais serão cruciais: uma aplicação formal ou um acordo de adesão assinado, uma declaração oficial do NDB que vá além do atual “não podemos confirmar”, e a publicação de termos de subscrição de capital pelo banco. Até lá, a notícia de meados de agosto é vista mais como um gesto diplomático, direcionado tanto a Washington quanto aos parceiros do BRICS e ao conselho do banco em Xangai.
O Novo Banco de Desenvolvimento foi estabelecido em 2015 pelos cinco fundadores do BRICS, com sede em Xangai e capital autorizado de US$ 100 bilhões. Sua missão é financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes e países em desenvolvimento. A expansão do banco, com a inclusão de novos membros, reflete a crescente ambição do bloco em moldar a ordem financeira global, um processo acompanhado de perto pelo Campo Grande NEWS.
A **adesão do Irã ao BRICS em 2024** não garante automaticamente sua participação no banco. O processo de ingresso no NDB é distinto e requer etapas específicas, incluindo a aprovação dos membros existentes. A falta de confirmação oficial por parte do banco sugere que os procedimentos ainda não foram concluídos ou que há considerações estratégicas em jogo. O futuro do NDB e sua capacidade de se firmar como uma alternativa robusta ao sistema financeiro ocidental dependerão de como a instituição lidará com essas complexidades, especialmente no que diz respeito a países sob sanções e à sua própria captação de recursos.


