Vendaval no Rio: mortes, caos e destruição na Cidade do Rock

Rio amanhece com rastro de destruição

A manhã desta quinta-feira (30) revelou um cenário de devastação no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana. Após o forte vendaval que atingiu o estado no fim da tarde de quarta-feira (29), imagens aéreas do Globocop mostraram a dimensão dos estragos. Centenas de árvores caídas bloqueavam vias, imóveis estavam destelhados e até estruturas da Cidade do Rock, onde acontece o Rock in Rio, foram ao chão. A cidade ainda contabiliza os prejuízos e lida com a falta de energia que afeta centenas de milhares de pessoas.

O temporal não apenas causou danos materiais, mas também resultou em perdas trágicas. Duas pessoas morreram em Santa Teresa, na Região Central, vítimas da queda de um muro. As vítimas foram identificadas como o ex-jogador do Botafogo, Tássio Maia dos Santos, de 41 anos, e seu amigo, Vandré Cordeiro da Silva, de 43 anos.

Os reflexos do vendaval foram sentidos em toda a cidade, com bairros das zonas Oeste, Norte e Sudoeste entre os mais afetados. A prefeitura mobilizou equipes para a remoção de mais de 200 árvores caídas, enquanto as concessionárias de energia trabalham para restabelecer o serviço para mais de meio milhão de clientes que permaneciam no escuro até o início da manhã.

Bairros mais atingidos e falta de luz

A força dos ventos deixou um rastro de destruição em diversas áreas. De acordo com a Prefeitura do RJ, os bairros de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste, foram severamente impactados. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a região registrou inúmeros chamados de quedas de árvores e destelhamentos.

Outras localidades como Anchieta, Catumbi, e Tijuca, na Zona Norte, além de Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, também sofreram com a ventania. No Recreio, uma árvore de grande porte tombou sobre uma via, complicando o trânsito local.

O fornecimento de energia elétrica foi drasticamente afetado. Até as 7h30, um total de 524 mil clientes seguiam sem luz em todo o estado. Desse total, 370 mil são da área de concessão da Light e 154 mil da Enel, evidenciando a extensão do problema.

Estruturas destruídas pela força do vento

A intensidade do vendaval foi suficiente para destruir estruturas robustas. Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, uma das caixas d’água de um prédio com cerca de 20 andares foi arrancada, caindo e destruindo uma praça próxima.

Na capital, a estação Recanto das Garças do BRT Transoeste teve parte de sua cobertura levada pelo vento, o que forçou o fechamento do local. O Campo Grande NEWS apurou que a interdição causa transtornos para os usuários do transporte público na região.

Nem a Cidade do Rock escapou. Parte do Palco Favela, uma das estruturas do Rock in Rio, veio abaixo por conta das rajadas de vento, gerando preocupação sobre os preparativos para o festival. Em Irajá, na Zona Norte, uma casa teve o telhado completamente arrancado.

Um evento extremo e inesperado

O prefeito do Rio classificou o episódio como um evento climático extremo e mais intenso do que o previsto. “O aviso feito ontem, no começo da tarde, era de ventos muito menos intensos do que os que acabaram ocorrendo. Realmente, foi um evento extremo”, afirmou o prefeito, relacionando a intensidade ao fenômeno Super El Niño.

No entanto, a Climatempo discorda da relação direta. Segundo os meteorologistas, é cientificamente equivocado afirmar que o El Niño foi o responsável direto. O que se pode dizer é que a atmosfera responde ao fenômeno, aumentando a frequência de eventos extremos como o que atingiu o Rio, mas não os provocando diretamente. O Campo Grande NEWS segue acompanhando as atualizações e os trabalhos de recuperação na cidade.