Em uma despedida emocionante e vibrante, amigos e familiares se reuniram para homenagear Tiago Pitthan, conhecido carinhosamente como “o bom sujeito”. A cerimônia, realizada nesta segunda-feira (6), foi marcada pela alegria e pelas cores, refletindo a personalidade contagiante de Pitthan, que partiu no último domingo (5). A festa foi uma celebração da vida, um reflexo da mensagem que ele sempre espalhou: “a vida é hoje, vamos comemorar”.
Legado de alegria e celebração pela vida
Tiago Pitthan, advogado e inspiração para muitos, é lembrado como um “divisor de águas” e um professor que reensinou a arte de viver. Sua última vontade foi ser enterrado como gostava, com uma blusa igual à dos amigos e seu icônico chapéu panamá. A história de Pitthan ganhou destaque nacional após a decisão de realizar um velório em vida, uma celebração antecipada de suas relações e amizades, onde ele pôde abraçar, ouvir as homenagens e agradecer.
Na capela, a atmosfera era de saudade, mas também de celebração. O quadro com a foto de Pitthan exibia inúmeras assinaturas de quem compareceu à sua festa em maio. Ao fundo, um samba calmo embalava o ambiente, enquanto o chapéu com detalhe vermelho, sua marca registrada, estava presente. A namorada permaneceu ao seu lado durante toda a manhã, em um gesto de profundo amor e companheirismo. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, familiares optaram por se reservar e não concederam entrevistas à imprensa.
Amigos vestem camisas coloridas em homenagem ao “bom sujeito”
Renato Heimbach, amigo de 40 anos, descreveu Tiago como uma pessoa extravagante e apaixonada por cores, um gosto que acabou contagiando os amigos. “Inclusive compramos juntos as camisas um tempo atrás e usamos na decoração do velório dele de maio. Hoje, alguns amigos vieram assim, nada discretos para um velório”, contou Renato. Para ele, o “bom sujeito” transformou sua forma de enxergar a vida, a presença e as amizades.
“Ele foi uma pessoa que sempre valorizou a amizade e tinha pessoas por perto. Tem pessoas que podem ser muito felizes com poucos amigos, mas esse não era ele. Ele gostava de ter muitos amigos e tinha vários amigos diferentes. Estava em vários grupos sociais e conseguia aproveitar cada um deles. Isso, para mim, é uma aula”, relatou Heimbach.
Antes mesmo do diagnóstico de câncer de intestino, Tiago já vivia intensamente. Após a doença, ele intensificou ainda mais seu modo de ser. Renato explicou que Tiago era intenso em tudo e sempre buscava novas experiências e viagens. “Depois do diagnóstico, isso não mudou. Ele entendeu que o tempo dele estava acabando. Ele falava que a diferença era que o tempo dele era mais curto que o nosso. Ele falou que queria aproveitar para fazer tudo o que queria e não deixar para depois, porque às vezes não tem um depois”, complementou.
O legado de viver o presente e valorizar as pequenas coisas
Dona Bordin, outra amiga que optou por vestir uma camisa colorida, ressaltou a presença constante de Pitthan na vida de quem ele amava, sempre incentivando e mostrando que “a vida presta”. “É o legado que ele deixa, de mostrar a importância de viver a vida todos os dias, de gostar e observar as pequenas coisas, a família, os amigos e viver bem. Como ele disse: a gente está vivendo, não morrendo. Temos que viver do jeito que a gente puder e com sorriso no rosto, que é o que ele fez até o último dia da vida dele”, afirmou.
Para Dona Bordin, Tiago mudou sua perspectiva sobre a vida, mostrando que é possível ser feliz e desfrutar de momentos simples com amigos. “Mesmo que tenha uma dificuldade grande, que é o que ele teve de dor, ele viveu a cada dia da melhor forma que pôde. Assim como os meninos, eu procurei vir com uma roupa mesmo sóbria, para entrar no clima que ele queria”, explicou.
Renan Vieira Heimbach, 38 anos, amigo de longa data, compartilhou que, apesar dos anos difíceis com a doença, Tiago ensinou muito. “Ele é praticamente um irmão. Muita coisa muda depois do Thiago. Ele mostrou que o que vale é a vida que a gente leva. Falei para ele que vivemos ansiosos pelas coisas do futuro e depressivos pelo passado, que não vivemos o presente. Mesmo nessa fase muito triste, tivemos momentos muito felizes. Ele ensinou muito para a gente, a encarar a doença com outros olhos, de viver, não ficar pensando na morte e, sim, na vida”, disse Renan.
Um ensinamento de vida que transcendeu barreiras
Álvaro Marzochi, 39 anos, vestiu-se de forma semelhante ao “bom sujeito”, em uma homenagem póstuma. Ele contou que Tiago o ajudou a se reerguer em um momento difícil. “A gente saía assim, ia para o samba junto. Era tradição nossa ir para o samba, fazer esporte de aventura. Ontem, a família me chamou para ajudar a escolher a roupa com que ele estaria aqui hoje, e vim assim. Ele me ajudou muito quando eu estava perdido, ele me levou para fazer esporte de aventura, até no samba. Eu falo que ele me ensinou a viver e aí, depois do câncer, ele ensinou o Brasil inteiro”, emocionou-se Álvaro.
Para Álvaro, a mensagem de Tiago Pitthan continuará a inspirar. “A mudança que ele causou na minha vida causou em milhares de pessoas. Não é sobre morte, é sobre vida. Esse colorido, esse sorrir enquanto a gente chora. A história dele é muito bacana, mas o Thiago sempre encantou quem estava em volta. É fácil falar depois que partiu, mas o Thiago era esse cara que trazia bom humor e alegria onde ele estava. Eu não sei se ele esperava a repercussão, mas quem estava em volta sabia que a mensagem dele iria se espalhar de alguma forma”, concluiu.
O velório, que aconteceu no Cemitério Memorial Park, no Bairro Universitário, seguiu até às 16h, com enterro previsto para contar com samba ao vivo, perpetuando a alegria e a vibração que marcaram a vida de Tiago Pitthan. Conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, a celebração da vida foi o principal legado deixado pelo “bom sujeito”. A equipe do Campo Grande NEWS destaca a importância de vivenciar cada momento, um ensinamento que Tiago Pitthan exemplificou com maestria.

