Mulher surda, Luciana, busca família após atropelamento

A Santa Casa de Campo Grande está em uma corrida contra o tempo para encontrar a família de Luciana, uma mulher surda de 46 anos que chegou ao hospital sem qualquer identificação após um grave acidente. Luciana, que se comunica fluentemente em Libras, sofreu um atropelamento em frente à Rodoviária da cidade no dia 5 de junho e quebrou as duas pernas. Agora, recuperada o suficiente para receber alta médica, a principal preocupação da equipe hospitalar é quem irá acolhê-la, já que ela aparenta não ter para onde ir e pode ser de outro estado. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a unidade hospitalar busca desesperadamente por informações que possam levar à sua família ou responsáveis.

A paciente, que informou se chamar apenas Luciana, está internada há algumas semanas. Ela foi socorrida após ser atingida por uma motocicleta de grande porte em um incidente que chocou testemunhas. As fraturas em ambas as pernas a deixaram impossibilitada de andar, necessitando de cuidados contínuos e de um período prolongado de recuperação no hospital. A alta médica já foi liberada, mas a falta de um local seguro e de apoio para sua reabilitação fora do hospital é o grande desafio.

Emily Farias, assistente social da Santa Casa, explicou que a comunicação com Luciana tem sido feita com o auxílio de um intérprete de Libras. A paciente demonstra boa capacidade de comunicação na língua de sinais, chegando a corrigir o intérprete em alguns momentos, o que indica fluência e clareza em sua expressão. No entanto, sua história pessoal e de onde ela veio permanecem um mistério.

Desafios na identificação e busca por pistas

A possibilidade de Luciana não ser natural de Mato Grosso do Sul tem sido investigada. A Santa Casa acionou a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) para tentar obter mais dados sobre a paciente através de seus registros digitais. Um exame papiloscópico foi realizado, mas o resultado foi inconclusivo, aumentando a suspeita de que ela possa ter vindo de outro estado. Essa falta de um registro claro dificulta a localização de sua família ou de qualquer contato.

A assistente social também mencionou que, ao chegar ao hospital, Luciana aparentava estar em situação de rua, embora não seja possível afirmar com certeza. Ela não forneceu informações sobre onde morava ou sobre sua rede de apoio. A única pista que deu foi a respeito de um companheiro, também surdo, que ela descreveu como seu marido. Contudo, as tentativas de localizá-lo até o momento foram infrutíferas, e ele não compareceu ao hospital para visitá-la.

Acolhimento e a esperança de reencontro familiar

Com a alta médica programada, a necessidade de um local de acolhimento adequado para Luciana se torna urgente. Por conta de sua mobilidade reduzida devido às fraturas, ela não pode ser encaminhada para abrigos convencionais. A Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) já foi acionada e está em busca de uma vaga em uma residência inclusiva que possa oferecer o suporte médico e terapêutico necessário para sua recuperação.

A equipe da Santa Casa, como noticiado pelo Campo Grande NEWS, reforça que a prioridade é encontrar os familiares de Luciana. O reencontro com a família seria a solução ideal, garantindo que ela receba o cuidado e o afeto necessários nesse momento delicado. A esperança é que alguém a reconheça pelas informações divulgadas e entre em contato.

Como ajudar na busca por Luciana

Qualquer pessoa que reconheça Luciana ou possua alguma informação que possa ajudar a localizar seus familiares deve entrar em contato com o setor de Serviço Social da Santa Casa de Campo Grande. O telefone disponível para contato é o (67) 3322-4140. A colaboração da comunidade é fundamental para oferecer a Luciana um futuro com mais segurança e dignidade, conforme destacou o Campo Grande NEWS em reportagens anteriores sobre casos semelhantes.

Este não é o primeiro caso em que a Santa Casa precisa recorrer à imprensa para encontrar parentes de pacientes. Atualmente, o hospital tem outros oito pacientes internados que já receberam alta médica, mas permanecem na unidade aguardando a liberação de vagas em espaços de acolhimento ou a localização de seus familiares para que possam deixar o hospital com segurança.