O México implementou uma rigorosa tarifa de 50% sobre veículos importados de países sem acordo comercial, incluindo a China, desde 1º de janeiro de 2026. Essa medida, que isenta apenas carros com motores de até 1.0 litro, já demonstra seus efeitos no mercado automotivo global. A Hyundai, por exemplo, realocou a produção de seu popular SUV Creta, antes fornecido da Indonésia, para o Vietnã, garantindo que as unidades chegassem ao mercado mexicano a partir de agosto, evitando assim o alto imposto. Essa manobra estratégica surge em um momento em que o mercado mexicano de veículos leves registra um crescimento recorde, com vendas de 1.144.002 unidades entre janeiro e setembro de 2026, um aumento de 5% em relação ao ano anterior, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.
A decisão do Senado mexicano, aprovada em 10 de dezembro de 2025, com 76 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções, impôs tarifas que variam de 5% a 50% sobre 1.463 linhas tarifárias. A indústria automobilística, fortemente dependente de insumos asiáticos, alertou para o aumento dos custos de produção. Contudo, a recente decisão de eliminar a tarifa de 10% sobre peças de montagem por cinco anos, publicada em 13 de outubro, visa mitigar esses impactos e atrair novas linhas de produção para o país, embora não altere a tarifa de 50% sobre veículos acabados, conforme o Campo Grande NEWS checou.
A Adaptação da Hyundai e o Cenário de Vendas
A mudança na cadeia de suprimentos da Hyundai para o modelo Creta, um de seus carros mais vendidos no México, é um exemplo claro de como as montadoras estão navegando pelas novas imposições fiscais. Ao transferir a produção para o Vietnã, país membro do CPTPP (Acordo Abrangente e Progressista para a Parceria Transpacífica), a Hyundai conseguiu contornar a tarifa de 50% que incidiria sobre os veículos vindos da Indonésia, que não possui um acordo comercial com o México. Entre janeiro e junho de 2026, a Hyundai vendeu 8.541 unidades do Creta no mercado mexicano. A empresa também estuda lançar uma versão do Grand i10 com motor abaixo de 1.0 litro, visando a isenção tarifária, já que o modelo atual de 1.2 litros é importado da Índia, outro país sem acordo comercial com o México.
Apesar das novas tarifas, o mercado mexicano de veículos leves apresentou um desempenho robusto. De janeiro a setembro de 2026, foram comercializadas 1.144.002 unidades, superando o recorde anterior de 2016 para o mesmo período e registrando um aumento de 5% em comparação com o ano anterior. As vendas em setembro atingiram 129.288 veículos, um crescimento de 8%. A Nissan liderou as vendas com 197.080 unidades, seguida pela General Motors e pelo grupo Volkswagen. Algumas marcas chinesas também demonstraram crescimento expressivo, como a Jetour-Soueast, que entregou 4.116 veículos entre janeiro e agosto, um aumento de 288,3% em relação ao ano anterior, segundo informações do El CEO.
Impactos e Perspectivas para o Mercado Automotivo
Guillermo Rosales, presidente da associação de concessionárias AMDA, projeta uma desaceleração no crescimento das vendas nos últimos meses de 2026. Ele sugere que as empresas chinesas podem repassar o custo da tarifa de 50% aos consumidores. A tarifa imposta pelo México é particularmente relevante para os leitores dos Estados Unidos, pois o país está em negociação com Washington sobre o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá), onde o conteúdo chinês na cadeia de suprimentos automotiva é um ponto central de discussão. A medida também delimita o espaço de crescimento das marcas chinesas no mercado vizinho.
A recente medida do governo mexicano, que removeu a tarifa de 10% sobre peças de montagem para veículos, publicada em 13 de outubro, visa manter empregos e atrair novas linhas de produção. No entanto, o decreto especifica que apenas empresas com plantas no México e licença de armazém alfandegado podem usufruir da isenção, limitando o benefício a 11 fabricantes de veículos leves. A medida também estabelece requisitos de produção mínima e limites para importação de peças em proporção à produção, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.
O Que Ainda é Incerto no Horizonte Automotivo
Ainda não há dados claros que separem as vendas de marcas chinesas antes e depois da implementação da tarifa, tornando difícil medir o impacto exato sobre essas empresas. Embora os concessionários prevejam uma desaceleração, as estatísticas oficiais para confirmar essa tendência ainda não foram divulgadas. A estratégia da Hyundai de realocar sua produção para o Vietnã pode ser seguida por outras montadoras, mas é cedo para prever a extensão dessa tendência. Além disso, o resultado das negociações entre México e Estados Unidos sobre o USMCA, especialmente no que tange ao tratamento do conteúdo chinês, permanece incerto.
Os próximos indicadores a serem observados incluem a divulgação dos dados de comércio de setembro pelo INEGI, agência de estatísticas do México, prevista para 27 de outubro, e a estimativa do PIB do terceiro trimestre, a ser publicada em 30 de outubro. Esses dados fornecerão uma visão mais clara do impacto das políticas tarifárias na economia mexicana e no setor automotivo.


