As exportações de lã e mohair do Lesoto para a China foram retomadas em setembro de 2026, quatro meses após a suspensão imposta por Pequim devido a um surto de febre aftosa. A decisão de reabrir o mercado chinês foi baseada em novas análises de risco e na implementação de um protocolo sanitário rigoroso. O Lesoto, um país sul-africano com economia fortemente dependente da exportação de lã, enfrentou um período de incerteza com a proibição, que afetou significativamente seus produtores e a cadeia produtiva.
Lã Lesotense Volta a Circular na China
A notícia da retomada das exportações de lã e mohair do Lesoto para a China, divulgada em 23 de setembro de 2026, traz um alívio para a economia do país africano. A proibição, que entrou em vigor em 17 de março de 2026, foi uma resposta direta à confirmação do primeiro surto de febre aftosa no Lesoto em fevereiro do mesmo ano. A intervenção chinesa, sob o anúncio alfandegário nº 28 de 2026, demonstra a influência das regras de saúde animal internacionais no comércio global, especialmente para economias menores e sem litoral como a do Lesoto. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a suspensão gerou um acúmulo de carga avaliada em mais de 100 milhões de malotis (aproximadamente 6 milhões de dólares americanos) em portos sul-africanos.
O Início e o Fim da Proibição Chinesa
A febre aftosa, uma doença altamente contagiosa que afeta o gado, foi detectada pela primeira vez no distrito de Botha-Bothe, no Lesoto, em fevereiro de 2026. Diante da gravidade da situação, o governo declarou estado de desastre nacional. Pouco tempo depois, em 17 de março, a China impôs a proibição às importações de lã e mohair lesotenses, seguindo o anúncio alfandegário nº 28 de 2026. A decisão de Pequim foi revista e a proibição foi levantada em 26 de maio de 2026, conforme comunicado conjunto da Administração Geral das Alfândegas da China e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais. A justificativa para o levantamento foi a conclusão de uma análise de risco favorável, indicando que as medidas de controle adotadas pelo Lesoto eram eficazes. O porta-voz do governo lesotense, Boitelo Rabele, celebrou a decisão, confirmando a liberação das mercadorias retidas e o reinício dos pagamentos aos agricultores, conforme noticiado pela Agência de Notícias do Lesoto.
Exigências da China para a Lã Lesotense
Para que a lã e o mohair do Lesoto pudessem retornar ao mercado chinês, foi necessário o cumprimento de rigorosas normas sanitárias. A lã precisava ser tratada para inativar o vírus da febre aftosa, em conformidade com a legislação chinesa e as regras da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH). O Lesoto optou pelo método de tratamento térmico, submetendo a lã a uma temperatura de 37°C por um período de oito dias. Este processo exigiu a aprovação dos locais de tratamento pelo governo lesotense e o registro junto às autoridades chinesas, além da emissão de certificados sanitários oficiais para cada remessa. O Ministro da Agricultura, Selibe Mochoboroane, inspecionou as instalações de tratamento térmico da Bophelo Wool and Mohair em Mohale’s Hoek em julho, reforçando a importância do cumprimento das medidas de biosseguridade acordadas.
Protocolo para Futuros Surtos e Impacto Econômico
Um protocolo sobre a exportação ordenada de lã e mohair do Lesoto, incluindo medidas para lidar com futuros surtos de febre aftosa, foi assinado entre os dois países, conforme reportagem de 23 de setembro de 2026. O embaixador chinês, Yang Xiaokun, expressou o desejo de colaboração para transformar essa oportunidade em benefícios concretos para os agricultores lesotenses. Xiaokun destacou ainda que a China oferece tratamento de tarifa zero para 53 países africanos com laços diplomáticos, incluindo o Lesoto. A indústria de lã e mohair é vital para a economia do Lesoto, gerando cerca de 900 milhões de malotis (aproximadamente 55 milhões de dólares americanos) anualmente. Este setor representa cerca de 60% das exportações agrícolas do país e sustenta aproximadamente um quarto da população rural. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a retomada das exportações é um passo crucial para a recuperação econômica dos produtores afetados pela proibição. A importância do setor é ressaltada pelo fato de envolver cerca de 2 milhões de ovelhas, segundo a Ecofin Agency. Após a certificação, a lã lesotense pode ser comercializada em leilões na África do Sul, com ambos os países exigindo prova de que os produtos estão livres da doença. Para garantir a contenção do surto e proteger o comércio, o Lesoto recebeu 100.000 doses de vacinas e apoio de especialistas veterinários do Botsuana em agosto.
O Que Ainda é Desconhecido
Apesar da retomada das exportações, alguns dados permanecem incertos. As fontes consultadas não especificam o volume ou o valor da lã tratada que foi enviada à China desde o reinício das negociações. O custo total da proibição para os agricultores também não foi divulgado. Além disso, até 20 de outubro, não havia uma declaração oficial confirmando o fim do surto de febre aftosa no Lesoto, e o número exato de locais de tratamento aprovados em operação ainda é desconhecido. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transparência sobre esses números é fundamental para avaliar a plena recuperação do setor e a confiança do mercado internacional nos protocolos sanitários implementados.


