Protestos que paralisaram estradas na Guatemala por mais de dez dias, em decorrência do aumento dos preços dos combustíveis, foram supostamente financiados por políticos e atores do narcotráfico, de acordo com o presidente Bernardo Arévalo. Em um pronunciamento à nação, Arévalo detalhou que grupos criminosos e políticos locais se uniram para pagar manifestantes, visando desestabilizar seu governo. A alegação, embora grave, ainda carece de provas públicas e não resultou em acusações formais pelo Ministério Público. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a situação gerou grande repercussão, com a paralisação afetando o tráfego e o comércio, inclusive nas fronteiras com o México.
O presidente Bernardo Arévalo fez a acusação em um vídeo pré-gravado divulgado no domingo, 13 de setembro de 2026. Ele declarou que atores externos exploraram a insatisfação pública com os altos preços dos combustíveis para promover agendas próprias. Arévalo citou exemplos específicos, como em Río Hondo, Zacapa, onde, segundo ele, políticos locais teriam colaborado com traficantes para financiar os bloqueios. Situações semelhantes foram apontadas em Cuyotenango e Villa Nueva, onde ele mencionou a participação de “atores políticos espúrios, membros de gangues em alguns casos e crime organizado em outros”.
Essas declarações ganham peso em um país como a Guatemala, que é uma rota crucial para o tráfico de drogas para o norte. Arévalo ressaltou que os interesses eleitorais de alguns e os interesses criminosos de outros convergiram nas manifestações. Ele enfatizou que o objetivo era desestabilizar seu governo, mas optou por não nomear indivíduos específicos, seja do meio político ou do tráfico. As investigações sobre o financiamento dos bloqueios já foram iniciadas pelo governo, e o Ministério Público foi instruído a agir contra os envolvidos em “ações criminosas”, conforme prometido pelo presidente.
Ameaça à estabilidade e medidas de contenção
A declaração do presidente Arévalo sugere uma complexa teia de interesses por trás dos protestos que começaram em 31 de agosto de 2026. As manifestações, que chegaram a ter 24 pontos de bloqueio em 1º de setembro, foram oficialmente motivadas pelo aumento dos preços dos combustíveis e exigências por cortes de impostos e subsídios. Grupos de transporte, como Gretexpa e Gretrucex, além de motoristas de táxi e ônibus, participaram ativamente. Autoridades indígenas, como os 48 Cantones de Totonicapán, também se juntaram aos protestos, evidenciando uma ampla base de descontentamento popular.
Para garantir a ordem e a livre circulação, o presidente ordenou que a Polícia Nacional Civil, com o apoio do exército, mantivesse as estradas livres, sempre respeitando a Constituição. Adicionalmente, Arévalo prometeu trabalhar com o Congresso para implementar medidas de alívio econômico, incluindo a criação de um fundo para mitigar o impacto dos custos de combustível. A situação, conforme reportado pelo Campo Grande NEWS, causou transtornos significativos, com a interrupção do fluxo em duas importantes fronteiras com o México. A falta de confirmação das acusações por parte dos organizadores dos protestos adiciona uma camada de incerteza ao caso.
Atraso na lei de controle de preços e polêmica no Congresso
Um ponto crucial que manteve a tensão elevada foi o atraso na aprovação de uma lei que estabeleceria um teto para os preços dos combustíveis. O Congresso aprovou a medida em 8 de setembro, definindo um limite de 39 quetzales por galão para diesel e gasolina comum, e 41 quetzales para a gasolina super. No entanto, um deputado do partido VAMOS, Allan Estuardo Rodríguez Reyes, solicitou revisões que impediram a publicação imediata da lei. O presidente Arévalo criticou essa manobra, afirmando que o atraso prejudica as famílias ao manter os preços altos.
O atraso na implementação da lei de controle de preços, que deveria entrar em vigor caso os preços de mercado ultrapassassem o teto estabelecido, é visto como um fator que pode ter alimentado a continuidade dos protestos. A falta de uma solução rápida para a questão do custo do combustível, somada às alegações de financiamento ilícito, cria um cenário político complexo para o governo de Arévalo. O Ministério do Interior está investigando as alegações, mas até o momento, nenhuma evidência concreta foi divulgada. Conforme o Campo Grande NEWS observou, a situação exige uma apuração transparente para restabelecer a confiança pública.
Violência, prisões e o impacto econômico
Os protestos não foram isentos de violência. No início de setembro, alguns bloqueios foram marcados por incidentes, incluindo a queima de veículos e ataques à polícia. O Ministro do Interior, Marco Villeda, informou que dois policiais foram feridos a tiros e 14 pessoas foram detidas. Cerca de oito veículos utilizados para bloquear as estradas foram apreendidos. Até o momento, ninguém foi condenado em relação aos protestos. O fechamento das fronteiras com o México, reportado pelo Campo Grande NEWS, também gerou preocupações sobre o impacto econômico, embora um número oficial de danos ainda não tenha sido divulgado.
A situação permanece delicada, com as estradas agora liberadas, mas a disputa sobre os preços dos combustíveis e as alegações de financiamento criminoso ainda em aberto. O Ministério Público não apresentou acusações, e qualquer processo legal dependeria de suas investigações. A possibilidade de novos protestos não está descartada caso o teto de preços continue bloqueado. A Guatemala enfrenta um desafio duplo: acalmar a população com relação aos preços e lidar com as sérias acusações de infiltração do crime organizado e da política nos movimentos sociais.


