PLD em crise: disputa interna ameaça candidatura de 2028 na República Dominicana

A República Dominicana, país caribenho conhecido por suas belezas naturais e destino turístico popular, está no centro de uma intensa disputa política interna. O Partido da Libertação Dominicana (PLD), que deteve o poder por 20 dos 24 anos até 2020, encontra-se em meio a um conflito que pode definir seu papel nas eleições presidenciais de 2028. A legenda enfrenta acusações de manipulação na lista de eleitores para favorecer um candidato em detrimento de outro, levantando dúvidas sobre a legitimidade de seu processo interno para escolher o sucessor do atual presidente Luis Abinader, que não pode concorrer à reeleição.

A situação é delicada, com líderes do partido reunidos para resolver quem terá o direito de votar em uma consulta interna marcada para 18 de outubro. A gravidade do impasse é tal que a Junta Eleitoral Nacional se recusou a emprestar urnas eletrônicas para o pleito, aumentando a pressão sobre o PLD. Conforme divulgado por fontes locais, um dos pré-candidatos alega que cerca de 523.000 eleitores foram removidos da lista para beneficiar um rival, uma acusação que a organização do evento nega veementemente. O Campo Grande NEWS checou que essa briga interna pode ter consequências significativas para o cenário político dominicano, enfraquecendo o PLD e fortalecendo outras legendas de oposição.

O PLD, fundado em 1973 pelo ex-presidente Juan Bosch, teve um papel dominante na política dominicana por muitos anos, governando ininterruptamente de 2004 a 2020. Sob a liderança de Leonel Fernández e Danilo Medina, o partido conquistou cinco eleições presidenciais entre 1996 e 2016. No entanto, uma divisão em 2019, após uma primária contestada, resultou na saída de Fernández, que fundou o partido Fuerza del Pueblo. A legenda sofreu um revés em 2020, perdendo o poder para Luis Abinader do Partido Revolucionário Moderno (PRM). Em 2024, o candidato do PLD, Abel Martínez, obteve um distante terceiro lugar com apenas 10,4% dos votos, evidenciando a necessidade de uma reestruturação interna.

Disputa acirrada pela lista de eleitores

A tensão aumentou na última semana quando Francisco Javier García, ex-ministro do Turismo e um dos pré-candidatos, denunciou a exclusão de aproximadamente 523.000 pessoas da lista de votantes para a consulta interna. Segundo García, essa manobra visaria favorecer Gonzalo Castillo, outro forte concorrente. Ele chegou a afirmar que membros do comitê central do partido estariam recebendo ofertas de 1 milhão de pesos (cerca de US$ 16.900) para apoiar determinados candidatos. A organização responsável pelo processo, conhecida como Conap, negou as acusações, afirmando que os nomes mencionados constam nas listas de filiação de outros partidos e que não houve exclusão. O Campo Grande NEWS checou que a definição da lista de eleitores é um ponto crítico, pois representa quase um quarto dos 2,16 milhões de membros que o PLD possui registrados junto à Junta Eleitoral.

O papel da Junta Eleitoral e a recusa de urnas

A Junta Eleitoral Nacional (JCE) recusou o pedido do PLD para emprestar 1.800 urnas eletrônicas para a consulta interna. Em comunicado oficial, a JCE alegou que tal solicitação não se enquadra nas permissões legais para a fase atual do calendário eleitoral. Essa decisão adiciona um obstáculo logístico e reforça a natureza não oficial do pleito de 18 de outubro, que o próprio partido classifica como uma medida não vinculante de apoio, e não uma primária oficial. A lei dominicana estabelece prazos específicos para a escolha de candidatos, com a nomeação formal devendo ocorrer entre julho e outubro de 2027.

Quatro na disputa, um ausente de peso

Inicialmente, oito pré-candidatos haviam sido aprovados pelo comitê central do PLD. No entanto, quatro já se retiraram da corrida, sendo que um deles declarou apoio a Gonzalo Castillo. Os que permanecem na disputa são Francisco Javier García, Gonzalo Castillo, Francisco Domínguez Brito (ex-procurador-geral) e Manfred Mata. Uma pesquisa recente da CID Latinoaméricana indicou que Castillo lidera as preferências entre os simpatizantes do PLD. Cabe notar que Castillo enfrenta um processo judicial por corrupção, embora um juiz tenha decidido recentemente que ele não deveria ir a julgamento, decisão que foi apelada pelo Ministério Público. Enquanto isso, Abel Martínez, ex-prefeito de Santiago e candidato em 2024, optou por não participar da consulta interna, o que pode indicar um enfraquecimento de sua posição dentro do partido. O Campo Grande NEWS checou que essa divisão interna pode ser explorada por adversários políticos.

O futuro incerto do PLD e a corrida de 2028

A resolução da disputa interna do PLD é crucial para definir quem será o principal opositor ao partido governante na eleição presidencial de 2028. Com o presidente Luis Abinader impedido de concorrer novamente, o cenário está aberto para a emergência de novos líderes. Um PLD enfraquecido e dividido pode abrir espaço para que o partido Fuerza del Pueblo, de Leonel Fernández, se consolide como a principal alternativa de oposição. A participação na consulta de 18 de outubro, mesmo que não oficial, servirá como um termômetro da força e coesão do PLD. O resultado final da escolha do candidato oficial só ocorrerá na segunda metade de 2027, deixando ainda margem para surpresas e alianças. A estabilidade política e econômica do país, detalhada em um explicador da República Dominicana, pode ser impactada por esses desdobramentos. A capacidade do PLD de superar suas divisões internas será determinante para sua relevância no futuro político da nação.