droga sintética barata se espalha em cuba em meio a apagões

Cuba: A Nova Onda de ‘El Químico’ e a Crise Energética

Cuba, país que por décadas se orgulhou de ser quase livre de drogas, agora lida com a disseminação de uma substância sintética barata, conhecida como ‘el químico’. Essa droga, vendida em pequenas tiras de papel, tem se espalhado rapidamente entre os jovens em bairros pobres de Havana. A situação é agravada pela crise energética que assola a ilha, com apagões diários e escassez de água, conforme informações divulgadas pelo 14ymedio e reportadas pela Associated Press.

A droga sintética, um canabinoide de laboratório, é significativamente mais potente que a cannabis natural. Seu baixo custo e fácil dissimulação em tiras de papel a tornam acessível, especialmente em um contexto de dificuldades econômicas. Casos de pessoas desorientadas nas ruas de Havana se tornaram mais frequentes, com moradores locais cunhando o termo ‘enquimicado’ para descrever o estado de intoxicação.

Recentemente, operações policiais em Havana apreenderam centenas de tiras de papel supostamente impregnadas com a substância. Paralelamente, os números de atendimentos de emergência relacionados ao uso de drogas na capital cubana apresentaram um aumento alarmante, quase dobrando em um ano. O governo cubano, que historicamente nega ser um centro de tráfico, agora enfrenta dados internos que contradizem essa narrativa.

O Que é ‘El Químico’ e Seus Perigos

‘El químico’ é um canabinoide sintético, criado em laboratório para imitar os efeitos da maconha, mas com uma potência muito maior. A substância é comumente vendida em Cuba em pequenos pedaços de papel, fáceis de esconder e transportar. O custo de uma dose é irrisório, cerca de 250 pesos cubanos, o equivalente a aproximadamente US$ 0,50 na cotação de março, ou ainda menos hoje com a desvalorização do peso.

A composição do ‘el químico’ tem preocupado as autoridades. Laboratórios policiais identificaram que os canabinoides sintéticos são frequentemente misturados com aditivos perigosos, como formaldeído e fentanil, aumentando drasticamente os riscos à saúde dos usuários. O Coronel Juan Carlos Poey Guerra, chefe da unidade antidrogas do Ministério do Interior, confirmou a detecção de 46 tipos diferentes de canabinoides sintéticos.

Dados Alarmantes e a Resposta do Governo

Embora Cuba não divulgue números nacionais sobre o uso de drogas, dados de emergência médica em Havana revelam um cenário preocupante. Conforme informado por um oficial de saúde à AP, os casos relacionados ao uso de drogas em prontos-socorros na capital cubana saltaram de 467 em 2024 para 886 em 2025, um aumento de quase 90%. Essa estatística, divulgada pelo governo, aponta para um problema crescente que não pode mais ser ignorado.

Em resposta, o governo tem intensificado as ações policiais. Em setembro, agentes do Ministério do Interior detiveram 13 pessoas em Centro Habana, apreendendo 184 tiras de papel, além de dinheiro e cocaína. Em outra operação, 108 doses foram encontradas após denúncias de vizinhos. O sistema judicial cubano tem aplicado sentenças severas, com casos recentes de condenações a 15 anos de prisão por posse de menos de dois gramas de substâncias sintéticas, conforme noticiado pelo 14ymedio.

A Conexão com a Crise Energética

A disseminação do ‘el químico’ ocorre em um momento crítico para Cuba, onde apagões diários se tornaram rotina. A falta de energia elétrica afeta não apenas o cotidiano dos cidadãos, mas também serviços essenciais como o bombeamento de água, exacerbando a escassez em diversas regiões, incluindo áreas onde as operações policiais foram realizadas. A UNE, operadora estatal de energia, tem previsto déficits significativos de geração, deixando a ilha com uma fração da energia necessária.

Essa combinação de fatores – instabilidade energética, escassez de recursos básicos e a proliferação de drogas baratas e perigosas – cria um cenário desafiador para o futuro de Cuba. O governo, ao mesmo tempo que reforça o policiamento, enfrenta a difícil tarefa de gerenciar uma crise socioeconômica complexa. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação exige atenção tanto das autoridades quanto da comunidade internacional, especialmente considerando as rigorosas leis antidrogas cubanas, que preveem penas de muitos anos de prisão para infratores.

Riscos para Visitantes e o Cenário Futuro

Para visitantes, o principal risco em Cuba não é a exposição direta ao ‘el químico’, mas sim as severas consequências legais de se envolver com drogas. As leis cubanas são extremamente rigorosas, com penas que podem chegar a 15 anos de prisão por pequenas quantidades de substâncias sintéticas. O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, por exemplo, já aconselha contra viagens não essenciais à ilha, citando não apenas a questão das drogas, mas também as constantes interrupções de energia e a falta de suprimentos básicos.

Apesar de não haver uma contagem oficial de usuários ou mortes ligadas ao ‘el químico’, os dados coletados pelas autoridades cubanas e fontes independentes, como o 14ymedio, indicam um problema em ascensão. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos dessa crise, ressaltando a importância da informação e da cautela para quem planeja visitar o país. A autoridade jornalística do Campo Grande NEWS se consolida ao trazer à tona informações cruciais sobre eventos que impactam a vida de pessoas em diferentes contextos globais.