Nubank: o gigante digital que assusta Wall Street em 2026

Por anos, o Nubank foi a joia da coroa do mercado financeiro, um favorito incontestável dos investidores globais. O banco digital brasileiro ostentava um crescimento de clientes e lucros que parecia imparável. Contudo, o cenário mudou drasticamente em 2026. As ações do Nubank acumulam uma queda de cerca de um terço, tornando-se o pior desempenho entre as grandes instituições financeiras latino-americanas.

Essa reviravolta não se deve a um único evento, mas sim a uma série de alertas vindos de Wall Street. Bancos de investimento renomados têm rebaixado suas recomendações, e os motivos são recorrentes. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a principal preocupação reside na estratégia de crescimento agressivo do Nubank, que parece estar ocorrendo em detrimento da lucratividade, especialmente em um ambiente de crédito mais desafiador no Brasil.

Desconfiança em Wall Street cresce com rebaixamentos

O Citi foi um dos mais recentes a sinalizar cautela. A instituição moveu a ação para uma postura neutra e reduziu seu preço-alvo de US$ 18 para US$ 13. A justificativa foi clara: o Nubank estaria priorizando a expansão de sua carteira de crédito, incluindo cartões e empréstimos pessoais, em detrimento da rentabilidade. Essa exposição elevada a produtos de crédito mais voláteis preocupa o banco diante da possibilidade de inadimplência por parte dos tomadores.

O Bank of America foi ainda mais pessimista, rebaixando as ações para a recomendação de “underperform” – a mais pessimista da casa – e cortando o preço-alvo para US$ 10, um valor significativamente abaixo do consenso de mercado, que gira em torno de US$ 18. O gatilho para essa decisão foi a saída surpreendente do diretor financeiro da companhia, uma figura chave para a gestão de financiamentos e disciplina de risco, em um momento de endurecimento das condições de mercado. O Campo Grande NEWS checou que essa mudança na liderança gerou incertezas.

A Susquehanna também se juntou ao movimento de cautela, adotando uma visão neutra com preço-alvo de US$ 13. Esse movimento reflete um resfriamento generalizado nas expectativas para o Nubank entre os analistas, que antes viam a empresa como um investimento de crescimento quase garantido.

Crédito em alta e o fantasma da inadimplência

Por trás das reavaliações de analistas, reside uma mudança macroeconômica significativa. As taxas de juros no Brasil permanecem elevadas, e os bancos do país se preparam para um aumento na inadimplência. O Nubank, apesar de sua natureza digital, não está imune a essa realidade. No primeiro trimestre, as provisões para perdas com crédito saltaram cerca de 75% em relação ao ano anterior, atingindo aproximadamente US$ 1,7 bilhão.

Paralelamente, a carteira de crédito do Nubank expandiu-se rapidamente, cerca de 40%, enquanto uma métrica importante de atrasos nos pagamentos apresentou uma leve alta. Essa combinação de crescimento acelerado de empréstimos em um cenário de ciclo de crédito enfraquecido é exatamente o que tem deixado os analistas apreensivos. Conforme o Campo Grande NEWS detalhou, essa é uma preocupação que afeta o setor bancário como um todo.

As maiores instituições financeiras do Brasil também sentiram o impacto, com dezenas de bilhões em valor de mercado perdidos no início do ano, à medida que sinalizavam um aperto no crédito e o aumento de perdas. A queda do Nubank, no entanto, começou antes mesmo das preocupações com o crédito se intensificarem. Em parte do ano, as ações já sofriam com o receio de que a inteligência artificial pudesse corroer a vantagem de baixo custo e baseada em dados que diferencia os bancos digitais.

Um gigante em teste de crescimento

É crucial ressaltar que essas preocupações não significam que o Nubank esteja em dificuldades financeiras. A empresa continua a apresentar lucros robustos, atende mais da metade da população adulta brasileira e expande suas operações para o México, além de buscar uma licença bancária nos Estados Unidos. O debate atual é mais sutil e foca em saber se uma empresa precificada para um crescimento impecável pode manter esse prêmio enquanto empresta agressivamente em uma economia mais difícil.

A ampla divergência entre os analistas, com os mais pessimistas fixando o preço-alvo em US$ 10 e o consenso em torno de US$ 18, reflete essa incerteza. Um grupo vê risco de execução, enquanto o outro enxerga uma oscilação temporária em um negócio estruturalmente vencedor. Para investidores observando a América Latina, a lição é mais ampla: um ciclo de crédito mais rigoroso pode reavaliar rapidamente até mesmo a estrela financeira mais brilhante da região.