Moradores aprovam casas populares, mas cobram escola e UPAs para novo bairro

O futuro bairro Residencial Água Branca, que abrigará 1.264 casas populares no programa Minha Casa, Minha Vida, nas Moreninhas, em Campo Grande, foi o centro de uma audiência pública que demonstrou o apoio da comunidade ao empreendimento. Contudo, a aprovação veio acompanhada de fortes cobranças por parte de líderes comunitários, que expressaram preocupação quanto à capacidade da infraestrutura pública atual para atender a demanda gerada por mais de 3.200 novos moradores.

A construção, a cargo da Pacaembu Construtora, está prevista para ser concluída em 2029, ocupando uma área de 457 mil metros quadrados. As casas terão 43,85 m², com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, em lotes individuais de 200 m². Unidades adaptadas para pessoas com deficiência também serão contempladas. Conforme informação divulgada pelo Campo Grande NEWS, a iniciativa visa transformar uma área degradada, que atualmente é utilizada para descarte de lixo.

Apesar do entusiasmo com a perspectiva de moradia digna para muitas famílias, a falta de estrutura em serviços essenciais como escolas, creches e unidades de saúde, além da infraestrutura viária, foi o ponto central das manifestações. As lideranças comunitárias defendem que a construtora e o poder público atuem em conjunto para garantir que o crescimento habitacional não sobrecarregue os serviços existentes, mas sim, que haja um planejamento integrado para suprir as novas demandas.

Infraestrutura e serviços públicos em debate

Durante a audiência pública, realizada na Escola Municipal José Mauro Messias da Silva, a apresentação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) pela M2 Urbanismo, representada por Marta Lúcia da Silva Martinez, buscou tranquilizar os presentes ao afirmar que a região das Moreninhas já possui uma estrutura urbana consolidada, com comércio, serviços, bancos e universidade. A ideia é que o novo residencial se integre a essa estrutura já existente.

Contudo, líderes como Valmir Lopes, presidente das associações das Moreninhas 1 e 2 e Nova Conquista 1 e 2, expressaram um ponto de vista distinto. Ele avaliou o empreendimento como positivo para a área, mas ressaltou que os serviços públicos atuais são insuficientes. “Hoje não comporta. Não temos vagas nem em creche nem nas escolas. As unidades básicas de saúde aqui também não vão comportar. Vai ter que trazer novas estruturas para dentro da nossa região”, afirmou.

Valmir Lopes sugeriu que a construtora Pacaembu pudesse firmar parcerias com a prefeitura para a implantação de equipamentos públicos, como uma unidade básica de saúde e uma escola própria dentro do empreendimento. Essa colaboração, segundo ele, seria fundamental para garantir a qualidade de vida dos futuros moradores e para não sobrecarregar a infraestrutura existente.

Impacto no trânsito e mobilidade

Eduardo Menezes, presidente da Associação das Moreninhas 2 e 4 e conselheiro regional do Bandeira, também viu o projeto com bons olhos, mas direcionou sua preocupação para o impacto no trânsito. O estudo estima que o residencial poderá adicionar mais de 600 carros e 600 motocicletas à circulação do bairro. “Estamos falando de 1.264 unidades habitacionais. Já temos outros empreendimentos previstos para a região. Acredito que futuramente será preciso pensar em uma outra via de acesso, uma alternativa para entrada e saída nos horários de pico com menos congestionamento”, declarou.

Menezes também destacou a importância da acessibilidade, considerando a presença de uma população idosa e de pessoas com deficiência na região. A garantia de melhores condições de mobilidade e circulação foi apontada como uma necessidade urgente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a preocupação com a infraestrutura viária e de transporte público é um ponto sensível para os moradores, que temem o agravamento dos congestionamentos.

O Estudo de Impacto de Vizinhança prevê medidas mitigadoras, como a criação de áreas de lazer e parquinhos, melhorias na sinalização de trânsito, adequações viárias e ampliação das linhas de ônibus. Além disso, a implantação de infraestrutura completa, incluindo redes de água, esgoto, drenagem, pavimentação, arborização e calçadas, está nos planos. Quatro áreas públicas foram reservadas para equipamentos comunitários. A Pacaembu Construtora, responsável pelo projeto, informou que a expectativa é empregar inicialmente cerca de 80 trabalhadores, número que pode chegar a 350 durante o pico da construção.

Apesar das promessas e dos planos de melhorias, a comunidade reforça a necessidade de um diálogo contínuo e de ações concretas para que o Residencial Água Branca seja um polo de desenvolvimento e bem-estar, e não um gerador de novos problemas. A integração entre o poder público, a construtora e os moradores será crucial para o sucesso do empreendimento. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a demanda por serviços públicos é uma pauta antiga na região, e a chegada de novas moradias intensifica a necessidade de soluções efetivas para a comunidade.

O empreendimento, que faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida, representa um avanço significativo na oferta de moradia popular, mas a comunidade demonstra que o desenvolvimento urbano deve andar de mãos dadas com o investimento em serviços essenciais. A expectativa é que as preocupações levantadas na audiência pública sejam consideradas e transformadas em ações que beneficiem a todos. Acompanharemos os próximos passos deste importante projeto para Campo Grande.