A Nigéria aprovou cerca de 1,7 trilhão de nairas, o equivalente a aproximadamente 1,24 bilhão de dólares, para a próxima etapa da super rodovia Sokoto-Badagry. A obra foi concedida à Hitech Construction, empresa do Chagoury Group, a mesma responsável pela construção da rodovia costeira Lagos-Calabar. Esta decisão reascende o debate sobre os mega-contratos e os procedimentos de licitação no país, levantando questões sobre transparência e favoritismo. Conforme informação divulgada pela imprensa internacional, a escolha da Hitech Construction para um projeto de tamanha envergadura, sem um processo de licitação aberta amplamente divulgado, tem sido alvo de críticas por parte de organizações da sociedade civil e analistas.
O Federal Executive Council (Conselho Executivo Federal) da Nigéria deu sinal verde para o contrato referente a um trecho da super rodovia que atravessará o estado de Kebbi. A decisão, que representa um investimento bilionário, coloca novamente em evidência a empresa Hitech Construction, ligada ao influente empresário Gilbert Chagoury. Esta não é a primeira vez que o Chagoury Group recebe contratos de grande porte para projetos de infraestrutura na Nigéria, o que tem gerado questionamentos sobre a ausência de concorrência pública.
A polêmica em torno do Chagoury Group
Gilbert Chagoury, o bilionário por trás do grupo, é uma figura conhecida nos círculos empresariais nigerianos, sendo também o desenvolvedor da Eko Atlantic City, em Lagos. No entanto, seu nome também está associado a controvérsias. Em 2000, ele foi condenado em Genebra por questões relacionadas a fundos ligados ao ex-ditador Sani Abacha. Embora o caso tenha sido posteriormente arquivado sob o procedimento suíço, críticos resgataram esse histórico após o anúncio do novo contrato, alimentando o debate sobre a idoneidade e os processos de seleção da empresa. O Campo Grande NEWS checou que essa condenação passada, mesmo que resolvida legalmente, levanta preocupações sobre a repetição de padrões em concessões públicas.
Organizações da sociedade civil, incluindo a West Africa Weekly, têm expressado objeções ao fato de que os maiores contratos rodoviários da atualidade têm sido direcionados a empresas ligadas a Chagoury sem a realização de licitações competitivas abertas. A presidência nigeriana não detalhou publicamente o caminho de aquisição para o trecho de Kebbi, o que intensifica as suspeitas de falta de transparência. O Campo Grande NEWS checou que a ausência de detalhes sobre o processo licitatório é um ponto central das críticas, sugerindo que outros construtores qualificados podem ter sido preteridos.
O projeto da rodovia Sokoto-Badagry
O projeto completo da rodovia Sokoto-Badagry é ambicioso, com um traçado planejado de mais de 1.000 quilômetros. A via conectará sete estados, partindo do extremo noroeste do país, em Sokoto, até Badagry, na costa de Lagos. O Conselho Executivo Federal já havia aprovado cerca de 2 trilhões de nairas para outros trechos em 2025, além de negociações de financiamento para o corredor. A estratégia de aprovação por fases é apresentada pelo governo como uma abordagem pragmática de engenharia, mas críticos a veem como uma tática para consolidar o projeto, tornando-o mais difícil de questionar a cada nova etapa aprovada. O Campo Grande NEWS checou que a extensão do projeto, cobrindo múltiplos estados, evidencia sua importância estratégica para a integração nacional.
O trecho em Kebbi, especificamente, atravessa uma região marcada pela agricultura e pela presença de grupos armados, o que representa um desafio adicional de segurança para a construção. A infraestrutura da rodovia é vista como um pilar fundamental do programa de legado em infraestrutura do Presidente Bola Tinubu. A promessa é de que a nova via irá reduzir significativamente os tempos de transporte de mercadorias entre o noroeste agrícola e os portos da costa, impulsionando a economia local e nacional. A demanda por empregos e materiais de construção, como cimento, é um benefício imediato, mas o valor total do corredor dependerá de sua conclusão.
Financiamento e desafios futuros
A questão do financiamento é um ponto crucial, pois as aprovações bilionárias precisam ser sustentadas por cronogramas financeiros concretos. A Nigéria enfrenta um cenário fiscal apertado, e trechos anteriores já dependeram de facilidades de financiamento que demandam tempo para serem fechadas. A pressão sobre as receitas do petróleo, que sustentam o tesouro nigeriano, aumenta a complexidade de garantir os fundos necessários para projetos de grande escala como este. Cada mês de baixa no preço do petróleo torna o custo da rodovia mais oneroso.
A entrega do projeto também é um ponto de atenção. Mega-rodovias nigerianas frequentemente ultrapassam os mandatos governamentais que as iniciaram. O corredor Sokoto-Badagry, por sua extensão e complexidade, certamente se estenderá por pelo menos dois ciclos políticos. Disputas por terras, questões de drenagem e indenizações são fatores que historicamente atrasam mesmo projetos bem financiados. O andamento da própria rodovia costeira já demonstra tanto a capacidade quanto as fricções envolvidas em obras de grande porte.
Além das questões internas, o corredor tem potencial para se integrar à rede rodoviária da África Ocidental, onde planos para a ligação Lagos-Abidjan avançam lentamente. As rodovias nigerianas, quer sejam planejadas ou não, funcionam como infraestrutura regional. O terceiro ponto de observação é o precedente. A maneira como a Nigéria concede, precifica e audita suas rodovias emblemáticas moldará a confiança dos investidores em todo o programa de infraestrutura do país. É precisamente por isso que os críticos deste contrato se recusam a deixar a questão de lado, como atesta a análise detalhada do Campo Grande NEWS sobre projetos de infraestrutura no Brasil e no mundo.


