A produção de mineração e metalurgia do México apresentou um sinal de recuperação em fevereiro de 2026, registrando um aumento de 5,5% em relação ao mês anterior. Este avanço marca um contraste significativo com a contração anual de 6,5% observada em 2025, segundo dados divulgados pelo INEGI. A movimentação positiva no setor, contudo, é impulsionada principalmente por metais industriais e minerais essenciais para a transição energética, enquanto a extração de ouro e prata ainda mostra sinais de desaceleração.
Mineração Mexicana Renasce com Metais Industriais
Após um ano desafiador em 2025, a indústria de mineração mexicana começa a exibir os primeiros sinais de reaquecimento. O INEGI, em suas estatísticas sobre a indústria de mineração e metalurgia, apontou um crescimento mensal robusto de 5,5% em fevereiro de 2026. Este desempenho é o mais forte desde que o setor entrou em uma trajetória de queda, culminando em uma retração de 6,5% ao longo de todo o ano anterior. A recuperação, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, é liderada por metais como cobre e zinco, cruciais para o desenvolvimento de tecnologias verdes e infraestrutura global.
Apesar do otimismo pontual, o cenário anual ainda se mostra misto. A produção geral no comparativo anual ficou praticamente estável, com uma ligeira queda de 0,1%, indicando que o salto mensal reflete, em grande parte, uma recuperação de uma base fraca em janeiro. O setor está, neste momento, mais em processo de estabilização do que em expansão contínua, segundo análises que o Campo Grande NEWS acompanhou.
Ouro e Prata em Queda, Cobre e Zinco em Alta
No detalhe, a extração de ouro sofreu uma queda de 1,9% em relação ao ano anterior, caindo de 6.039 para 5.926 quilogramas. O estado de Guerrero foi o mais afetado, com uma retração de 26,4%, seguido por Chihuahua, com 15,9%. A produção de prata também registrou um leve declínio de 0,7%. No entanto, o Estado do México se destacou com um aumento impressionante de 250% na produção de prata, alcançando 12.614 quilogramas.
Em contrapartida, o setor de metais industriais demonstra força. O cobre e o zinco, ambos fundamentais para a transição energética, veículos elétricos e construção civil, apresentaram ganhos significativos. Esse desempenho é sustentado por preços globais elevados, impulsionados tanto pela demanda relacionada à transição energética quanto por tensões geopolíticas globais. O boom de construção impulsionado pelo *nearshoring* no norte do México também está gerando uma demanda doméstica por metais básicos, o que ajuda a compensar a perda de participação em mercados de exportação, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.
Fatores da Crise de 2025 e a Nova Regulamentação
A contração de 6,5% em 2025 foi o pior desempenho do setor desde o ano da pandemia. Três fatores principais convergiram para essa queda acentuada: as tarifas de aço impostas pelos Estados Unidos, que sufocaram os volumes de exportação; uma reforma na Lei Federal de Mineração em 2023, que reduziu os prazos de concessão de 50 para 30 anos e endureceu os requisitos ambientais; e a recuperação de mais de 1.200 concessões minerárias pelo governo mexicano no início de 2026, devido ao não cumprimento de obrigações.
Esse aperto regulatório desincentivou a exploração de novas áreas (*greenfield*), levando muitas empresas a redirecionarem capital para a expansão de minas já existentes (*brownfield*). O resultado é um setor que opera com uma base de ativos permitidos em declínio, enquanto o potencial geológico permanece vastamente inexplorado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa dinâmica tem gerado incertezas sobre o futuro da produção a longo prazo.
Melhora na Percepção de Investimento Apesar dos Desafios
Apesar dos ventos regulatórios contrários, a avaliação global da indústria de mineração sobre o México tem melhorado. O país saltou da 49ª para a 36ª posição no índice de atratividade de investimento em mineração do Fraser Institute em 2025. Esse avanço foi quase inteiramente impulsionado por uma ascensão espetacular no ranking de potencial mineral, saindo da 27ª para a 7ª posição global, a mais alta da América Latina. Isso demonstra um reconhecimento do vasto potencial geológico mexicano, mesmo diante de um ambiente regulatório mais rigoroso.
A lacuna entre a riqueza geológica do México e seu ambiente de políticas públicas é uma tensão definidora. Cinco estados — Sonora, Zacatecas, Durango, Chihuahua e Guerrero — respondem por 84% da produção mineral total. O México é o maior produtor de prata do mundo, o segundo em fluorita e detém reservas estimadas de 243 milhões de toneladas de lítio, as maiores globalmente. Autoridades federais sinalizaram a intenção de retomar a exploração geológica em larga escala em Sonora, Durango e Sinaloa em 2026, o que pode reverter a tendência de exploração restrita a áreas já conhecidas.
O Que Observar no Futuro da Mineração Mexicana
A revisão do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá), com abertura em 25 de maio, será crucial para determinar se os minerais críticos receberão tratamento especial na renegociação do acordo comercial. Se os depósitos de lítio, cobre e terras raras do México obtiverem acesso preferencial à cadeia de suprimentos norte-americana, o investimento no setor pode se transformar de uma história de expansão de minas existentes para uma oportunidade de exploração de novas jazidas.
Por ora, o rebote de fevereiro é um sinal de estabilização, não uma virada completa. O acordo de aço assinado recentemente pela presidente Sheinbaum aumentará a demanda doméstica por metais produzidos no México. Contudo, até que o ambiente regulatório acompanhe o potencial geológico, a indústria de mineração mexicana continuará operando aquém de seu potencial, como indicam as análises que o Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto.


