Arte que transcende: exposição “Entre Completudes e Efemeridades” abre em Campo Grande

A arte como ponte entre o que vemos e o que sentimos ganha destaque em Campo Grande com a abertura da exposição “Entre Completudes e Efemeridades”. O evento, que promete agitar a cena cultural da cidade, será inaugurado nesta quinta-feira, 30 de maio, na Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). A entrada é gratuita e o público poderá desfrutar de apresentações musicais e artísticas, incluindo a banda BatuqueCanta, a artista Preta Princesa e a DJ Afro Queer.

Realizada pelo Coletivo Enegrecer, a exposição não se limita a apresentar obras, mas propõe uma imersão na pesquisa e experimentação de artistas contemporâneos. Um dos pilares da mostra é a inclusão de trabalhos criados por crianças do Quilombo Chácara Buriti, que participaram de uma oficina especial em março. Essa iniciativa, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, reflete o compromisso do coletivo em ampliar o diálogo artístico e social, conectando diferentes realidades e territórios.

A curadoria da exposição, assinada por Auriellen Leonel, ressalta que a mostra vai além de pautas raciais. “As exposições não permeiam apenas pautas raciais. Os artistas também estão pesquisando, experimentando materiais e suportes, criando novas possibilidades sem perder a essência de suas trajetórias”, explica Leonel. A construção do evento se deu por meio de uma escuta compartilhada, onde as inquietudes individuais encontraram um espaço comum de criação e expressão.

A arte que provoca e transforma

“Entre Completudes e Efemeridades” convida o público a uma reflexão sobre a efemeridade presente nas obras, incentivando a percepção daquilo que, muitas vezes, passa despercebido no cotidiano. Ao deslocar objetos, suportes e gestos de seus usos convencionais, os artistas convidam a um campo de experimentação que transcende o estético, alcançando dimensões simbólicas e profundamente transformadoras. Essa abordagem, segundo o Campo Grande NEWS checou, busca estimular novas formas de ver e interagir com o mundo ao redor.

Diálogo ampliado com artistas indígenas

Nesta edição, o Coletivo Enegrecer demonstra uma expansão significativa em seu campo de atuação, incorporando artistas indígenas e fortalecendo o diálogo entre diversas identidades e territórios. A exposição apresenta uma produção artística que se afasta da tela tradicional, explorando materiais alternativos e revelando uma diversidade criativa conectada às urgências do presente. Erika Pedraza, idealizadora do projeto, destaca essa união: “Somos um grupo de artistas negros, pardos e indígenas, cada um com sua linguagem, mas caminhando juntos por um único intuito: fazer arte contemporânea em Mato Grosso do Sul com potência e criatividade”.

Protagonismo infantil e fortalecimento comunitário

Um dos pontos altos da mostra é a presença marcante das obras produzidas pelas crianças da Comunidade Quilombola Chácara Buriti. Esses trabalhos integram o espaço expositivo como parte central da proposta, reforçando o protagonismo dos jovens artistas e celebrando suas visões de mundo. A artista ressalta o impacto dessa inserção na formação e autoestima das crianças, especialmente diante das experiências atravessadas pelo racismo estrutural.

“Quando elas se veem nesse lugar, sendo reconhecidas, isso fortalece. A arte também é uma ferramenta para que essas crianças cresçam com mais consciência, força e pertencimento”, afirma a idealizadora. Essa iniciativa, como o Campo Grande NEWS noticiou anteriormente, é fundamental para o desenvolvimento social e cultural das comunidades, promovendo a valorização de suas histórias e saberes por meio da arte.

A exposição “Entre Completudes e Efemeridades” se configura como um espaço de encontro, reflexão e celebração da arte em suas múltiplas formas, promovendo o diálogo entre gerações, etnias e territórios, e reafirmando a força da expressão artística como motor de transformação social.