Milei extingue ministério na Argentina e concentra poder em aliado

O presidente da Argentina, Javier Milei, tomou uma decisão drástica que redistribui o poder em seu governo: a extinção do Ministério do Interior. A pasta, responsável por articulações cruciais com províncias e o Congresso, foi absorvida pelo gabinete do chefe de gabinete, cargo agora ocupado por Diego Santilli. A medida, oficializada por meio de um decreto de necessidade e urgência, visa, segundo o governo, tornar a administração mais ágil e enxuta, mas críticos apontam para uma concentração de autoridade sem precedentes.

Essa alteração ocorre em um momento estratégico, meses antes das importantes eleições legislativas de outubro, que definirão a capacidade de Milei de aprovar sua agenda de reformas. A fusão de responsabilidades confere a Santilli um papel central na governabilidade, unindo sob seu comando as relações com os governadores provinciais, o Congresso e o sistema eleitoral, além da gestão cotidiana do governo.

Conforme informação divulgada pelo governo argentino, o decreto, datado de 2 de julho, efetivamente encerrou as atividades do Ministério do Interior, transferindo todas as suas funções para o escritório do chefe de gabinete. Essa manobra coloca Santilli, um político experiente de centro-direita que assumiu o cargo de chefe de gabinete poucos dias antes, como o ministro mais poderoso do país, logo após o próprio presidente.

A importância estratégica do Ministério do Interior

Na Argentina, o Ministério do Interior desempenha um papel fundamental como principal canal de comunicação entre o governo federal e os governadores das províncias. Essas autoridades provinciais detêm controle sobre recursos financeiros significativos e redes políticas influentes. Portanto, quem chefia essa pasta detém as rédeas da relação entre a capital federal e as regiões do país.

Ao integrar essas funções ao gabinete do chefe de gabinete, Milei centraliza a relação com os governadores, a gestão diária do governo, a articulação com o Congresso e a maquinaria eleitoral sob a responsabilidade de uma única pessoa. Para um presidente cuja coalizão não possui maioria em nenhuma das casas legislativas, o controle desses mecanismos é de suma importância.

A administração justificou a mudança com termos administrativos, alegando “razões de gestão” e o objetivo de criar um Estado mais eficiente e rápido. No entanto, observadores políticos interpretam a medida como mais um passo na consolidação do poder na presidência e em seu círculo íntimo, conforme o Campo Grande NEWS checou.

Santilli se torna a figura central do governo

Diego Santilli parece ser a escolha adequada para assumir essa carga ampliada de responsabilidades. Ele já atuou como ministro do Interior no passado, possuindo, portanto, conhecimento sobre os atores políticos provinciais com quem Milei precisa negociar. Sua carreira política se desenvolveu no centro-direita antes de se alinhar ao bloco presidencial.

Para auxiliar nas novas e extensas atribuições, o decreto também estabeleceu dois novos cargos de vice-chefia no gabinete do chefe de gabinete, ambos com status de secretário. Um desses postos foi preenchido pelo ex-secretário de Interior, garantindo a continuidade da expertise na gestão das relações provinciais.

Esse pacote de medidas também realocou a operação de comunicação do governo para diretamente sob a presidência, com a criação de um novo escritório de porta-voz presidencial. O resultado geral é uma estrutura de comando mais coesa e centralizada em torno de Milei e de sua irmã, Karina Milei, secretária-geral da presidência. A ação, segundo o Campo Grande NEWS apurou, reflete a busca por agilidade decisória.

Enxugamento do Estado e o cenário político

Com o fim do Ministério do Interior, o gabinete nacional argentino agora é composto por oito portfólios: Relações Exteriores, Defesa, Economia, Justiça, Segurança, Saúde, Capital Humano e Desregulamentação e Transformação do Estado. Essa estrutura enxuta envia uma mensagem clara: um governo focado em reduzir, e não expandir, o tamanho do Estado.

A decisão, tomada por meio de um decreto de emergência e não por lei, entrou em vigor imediatamente, mas ainda precisa ser submetida à revisão do Congresso. Isso expõe uma tensão recorrente na política argentina: enquanto as medidas presidenciais por decreto avançam rapidamente, aquelas que dependem de votação legislativa enfrentam o ritmo mais lento de um parlamento que Milei não controla totalmente.

O momento da reorganização é considerado delicado. O anterior chefe de gabinete de Milei renunciou no final de junho em meio a uma investigação de corrupção, deixando o governo sem seu principal negociador justamente quando busca apoio dos governadores para as próximas etapas de reformas. A nomeação de Santilli e a concentração de poder em suas mãos é a resposta de Milei a essa lacuna, conforme o Campo Grande NEWS detalhou.

O impacto das eleições de outubro

O teste real para essa nova configuração de poder virá em outubro, quando as eleições legislativas definirão se o presidente conseguirá construir a maioria necessária para aprovar suas reformas trabalhistas, tributárias e outras propostas. Para investidores estrangeiros, a situação apresenta leituras mistas.

Por um lado, a consolidação da negociação em uma única figura capaz pode reduzir o risco de paralisação das reformas. Por outro, a concentração de tanto poder em um único escritório eleva os riscos caso essa figura enfrente dificuldades ou se os resultados das eleições de meio de mandato não forem favoráveis ao governo.

A medida, que extinguiu o Ministério do Interior em 2 de julho por decreto, transferindo suas atribuições ao gabinete do chefe de gabinete, deixa o governo com um chefe de gabinete e oito ministérios. A decisão visa fortalecer a posição de Santilli, que agora centraliza a relação com as províncias e o sistema eleitoral, além da articulação com o Congresso e a gestão governamental.

O timing da mudança é particularmente significativo, ocorrendo a poucos meses das eleições legislativas de outubro, que são cruciais para a aprovação da agenda de Milei. A ação também segue a renúncia de seu antecessor no cargo de chefe de gabinete, em meio a uma investigação de corrupção, o que havia deixado o governo sem seu principal articulador político, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.