Avião cai em MS: Cenipa recolhe peças e perícia aponta queda vertical

Cenipa avança em investigação de queda de avião em Campo Grande

Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) iniciaram neste sábado (4) a coleta de componentes cruciais da aeronave que caiu em Campo Grande, matando o piloto Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff. As peças, incluindo motores e hélices, serão submetidas a perícia especializada para determinar as causas do acidente, que ocorreu logo após a decolagem do Aeroporto Santa Maria. A aeronave, um Neiva EMB-810D Seneca, caiu em uma área de mata sob neblina e baixa visibilidade. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação irá analisar as condições meteorológicas, histórico operacional e outros fatores relevantes.

A perícia preliminar realizada no local sugere uma possível desorientação espacial da tripulação, conforme indicou o perito criminal Domingos Sábio Rivas, da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul. No entanto, essa hipótese ainda depende de confirmação por exames técnicos, que verificarão a parte mecânica da aeronave, seus equipamentos e a possibilidade de falhas. A dinâmica observada aponta para uma queda praticamente vertical e em alta velocidade, com a parte direita da aeronave tocando o solo primeiro. Os destroços se espalharam por uma área de aproximadamente 20 metros.

Peças da aeronave são recolhidas para perícia técnica

Os componentes mais importantes da aeronave PT-WYQ, como motores e hélices, foram retirados da área do acidente. Eles serão lacrados e encaminhados para uma oficina homologada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A desmontagem e análise desses equipamentos ocorrerão na presença dos investigadores do Cenipa, com o objetivo de identificar qualquer falha mecânica que possa ter contribuído para a tragédia. O perito Domingos Sábio Rivas explicou que será feita uma abertura dos motores para verificar eventuais problemas internos, conforme relatado pelo Campo Grande NEWS.

Os destroços estavam espalhados em uma área de mata próxima ao Aeroporto Santa Maria. A operação de remoção e preservação contou com a participação de investigadores do Cenipa, peritos da Polícia Científica, bombeiros e funcionários do aeroporto. A aeronave decolou por volta das 6h20 com destino à região pantaneira e caiu pouco tempo depois. Os destroços foram localizados por um funcionário do hangar que participava das buscas a pé desde o início da manhã.

Condições meteorológicas e regras de voo sob análise

As condições meteorológicas em Campo Grande no momento da decolagem serão um ponto crucial na investigação. A cidade amanheceu com nevoeiro, garoa e baixa visibilidade, o que já havia causado o adiamento da decolagem, inicialmente prevista para as 5h. Profissionais da aviação chamaram atenção para o fato de o Aeroporto Santa Maria operar sob regras de voo visual (VFR). Nesse tipo de operação, o piloto depende de referências visuais do terreno e do horizonte. Operações por instrumentos (IFR), que utilizam equipamentos de navegação, são mais adequadas para baixas visibilidades.

Pilotos ouvidos pela reportagem ressaltam que ainda é cedo para estabelecer uma relação direta entre as condições climáticas e o acidente. A avaliação final caberá aos investigadores do Cenipa. Conforme consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), a aeronave era um modelo Neiva EMB-810D Seneca, fabricado em 1983, e possuía Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido até junho de 2027. A aeronave estava regular e autorizada para operações IFR, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Vítimas eram profissionais dedicados em suas áreas

O piloto Henrique Martin e a pesquisadora Lydia Theresia Möcklinghoff faleceram no local do acidente. Henrique era conhecido na aviação sul-mato-grossense e trabalhava há cerca de um mês na Amapil Táxi Aéreo. Antes disso, atuou como instrutor de voo. Lydia, zoóloga e ecóloga tropical, era reconhecida internacionalmente por seus estudos sobre mamíferos silvestres no Pantanal, dedicando anos ao monitoramento e conservação da fauna local, com foco em tamanduás.

A morte da pesquisadora gerou comoção entre cientistas e ambientalistas, enquanto familiares e amigos de Henrique prestaram homenagens ao piloto. Lydia era parceira de longa data do Instituto Tamanduá e estava a caminho de mais uma expedição científica quando ocorreu o trágico acidente. A comunidade científica lamenta a perda de uma profissional tão dedicada à conservação do Pantanal.