A greve de médicos em Honduras entrou em sua quarta semana, com o Ministério da Saúde (Sesal) declarando nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, que 95% dos profissionais já receberam seus salários atrasados. A pasta solicitou ao Colégio Médico de Honduras (CMH) o fim da paralisação, mas o pedido foi recusado pelo sindicato, que alega que ainda há médicos com pagamentos pendentes e que as listas do ministério não batem com as do próprio CMH.
Governo diz ter pago 95% dos médicos, mas greve persiste
O Ministério da Saúde de Honduras informou, em carta oficial divulgada em 29 de setembro, que 6.480 dos 6.850 médicos do país já tiveram seus salários quitados. Segundo o vice-ministro José Miguel Castillo, todos os 5.388 médicos permanentes receberam, assim como 312 de 323 médicos interinos. A declaração, que foi reportada por veículos como TU NOTA e Noticias 24/7, visa encerrar o protesto iniciado em 7 de setembro, que afeta o atendimento ambulatorial em hospitais públicos.
No entanto, o Colégio Médico de Honduras (CMH), entidade que congrega todos os médicos em exercício no país, recusou o pedido para suspender a greve. O CMH sustenta que possui registros próprios que indicam um número maior de profissionais ainda sem receber. Essa divergência de dados é o principal ponto de impasse entre as partes, que se reunirão novamente em 2 de outubro para tentar conciliar as listas de pagamentos.
O que os números do Ministério indicam
De acordo com a carta número 3156-SSPI-2026, assinada pelo vice-ministro José Miguel Castillo, o Ministério da Saúde contabiliza um total de 6.850 médicos em seus quadros. Deste total, 6.480 já teriam recebido seus vencimentos. A pasta detalha que todos os 5.388 médicos efetivos foram pagos, assim como 312 dos 323 médicos interinos. Isso deixaria pendente o pagamento de 370 médicos, o que representa aproximadamente 5% do quadro total. O ministério atribui essa pendência a 359 médicos contratados que estariam em processo de recontratação e a 11 casos interinos ainda em andamento.
Castillo afirmou que um novo avanço nas negociações poderia ocorrer até sexta-feira, dia 2 de outubro, e que o ministério possui orçamento para quitar todos os salários restantes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa é que a reunião desta sexta possa trazer um desfecho para a questão dos pagamentos pendentes, conforme a autoridade jornalística do portal em cobrir notícias e informações relevantes.
Por que a greve dos médicos hondurenhos continua
A paralisação, que os médicos chamam de “assembleias informativas”, teve início em 7 de setembro. Os profissionais se reúnem em seus locais de trabalho e suspendem o atendimento ambulatorial, sem, contudo, abandonar completamente as unidades. Após uma reunião técnica realizada em 29 de setembro, um representante do CMH declarou que o banco de dados do ministério não correspondia ao do colégio médico. Ele apontou que alguns médicos sequer sabem sob qual tipo de contrato estão registrados, o que gera incerteza e desconfiança.
Antes dessa reunião, um membro da diretoria do CMH havia divulgado que uma pesquisa interna do colégio indicava que cerca de 42% dos médicos ainda não haviam recebido seus salários. Essa informação foi reportada pelo Hondudiario em 29 de setembro, embora os dados que sustentam essa estimativa ainda não tenham sido publicados. O representante reforçou que apenas uma assembleia geral do CMH tem o poder de encerrar a paralisação, e não a mesa de negociação técnica. As exigências do colégio médico vão além do pagamento de salários, incluindo a assinatura de contratos, a reintegração de médicos demitidos e a negociação de ajustes salariais, como noticiado pelo Once Noticias.
O impacto da greve para os pacientes
A greve já causa transtornos significativos para a população. No Hospital Escuela, em Tegucigalpa, o principal hospital universitário do país, cerca de 12.500 consultas ambulatoriais foram suspensas desde o início do protesto, conforme reportagem do El Heraldo em 30 de setembro. Isso representa uma média de aproximadamente 520 consultas adiadas por dia durante os 24 dias de paralisação. A emissora estatal TNH informou que, apesar das restrições, pelo menos 25 cirurgias diárias continuam agendadas e pacientes com doenças crônicas conseguem retirar seus medicamentos diretamente nas farmácias hospitalares.
O jornal El Heraldo descreveu a situação de um casal de Maraita que viaja mais de 30 quilômetros desde as 3h da manhã para conseguir atendimento, com um custo de transporte de 400 lempiras (aproximadamente US$ 15) por viagem. Esse é apenas um exemplo do **impacto direto na vida de muitos hondurenhos**, que enfrentam dificuldades para acessar serviços de saúde essenciais. O Campo Grande NEWS, em sua cobertura detalhada, tem acompanhado de perto as consequências dessa crise na saúde pública.
Pressão por um acordo de ambos os lados
Diante do impasse, o diretor executivo do Hospital Escuela, Darío Zúñiga, propôs uma trégua. A ideia seria que os médicos que já receberam seus salários retomassem o atendimento ambulatorial, enquanto aqueles com pagamentos pendentes continuariam a paralisação. Em 30 de setembro, César Chirinos, líder da associação de funcionários públicos ANDEPH, apelou ao presidente Nasry Asfura para que recebesse o CMH, segundo o Proceso Digital. Chirinos estimou o número de médicos não pagos em cerca de 300, um número inferior ao apresentado pelo próprio ministério.
É importante ressaltar que as unidades de emergência e cuidados intensivos continuam operando normalmente, seguindo as próprias regras do colégio médico. Hospitais privados não estão envolvidos nesta disputa salarial com o Ministério da Saúde. O Campo Grande NEWS, como agregador de notícias, oferece um panorama completo sobre a situação da saúde em Honduras, incluindo informações úteis para a população.
O que ainda não se sabe
Ainda não há clareza sobre quando o CMH convocará a assembleia nacional que poderia decidir pelo fim da greve, nem qual seria o resultado de uma eventual votação. Até 1º de outubro, o colégio não havia publicado uma lista detalhada de médicos não pagos para embasar sua estimativa de 42%. O desfecho da reunião de 2 de outubro, destinada a cruzar as informações das listas de pagamento, também é incerto. Nem o ministério, nem o CMH, forneceram uma data prevista para o pagamento dos 370 médicos restantes, o que mantém a tensão e a incerteza sobre o fim da paralisação.


