Malawi: Inflação volta a subir em 2027, prevê FMI, com economia em xeque

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou novas projeções para a economia de Malawi, indicando que a inflação média no país deve cair para 21,9% em 2026, mas voltar a subir para 25,0% em 2027. Esta atualização representa uma piora na perspectiva para 2027 em comparação com as estimativas de abril, apesar de uma melhora nas projeções de crescimento e inflação para o ano corrente. A notícia chega em um momento delicado, com Malawi negociando um novo programa de crédito com o FMI, enquanto enfrenta escassez de divisas e combustíveis.

FMI prevê inflação em alta e desafios econômicos para Malawi

As projeções mais recentes do FMI, divulgadas em 13 de outubro, indicam que os preços ao consumidor em Malawi deverão registrar uma média de 21,9% em 2026, após 28,4% em 2025 e 32,2% em 2024. Contudo, a expectativa é de um novo aumento para 25,0% em 2027. Para os investidores e parceiros comerciais dos Estados Unidos que atuam em Malawi, essa perspectiva sugere uma possível estagnação na queda da inflação, coincidindo com as negociações de um novo empréstimo com o FMI.

O país já lida com a falta de dólares para importar bens essenciais, como combustíveis. O governo tem atribuído a escassez de combustível à dificuldade em obter as divisas necessárias para cobrir os custos de importação. Segundo o FMI, o crescimento real da economia malawiana está projetado em 2,6% em 2026, um avanço em relação aos 2,2% previstos em abril, mas a expectativa é de desaceleração para 2,3% em 2027.

Contexto global e pressões sobre Malawi

As projeções do FMI para Malawi estão inseridas em um contexto global desafiador. O fundo espera uma inflação mundial de 4,7% neste ano, impulsionada principalmente pela alta nos preços de energia e alimentos. Pesquisas do FMI alertam que muitos países importadores de energia e com economias de baixa renda enfrentam um cenário particularmente difícil.

A instabilidade climática e a queda na demanda por tabaco, principal produto de exportação de Malawi, têm impactado negativamente o crescimento. A guerra no Oriente Médio também adicionou pressão, através de choques nos termos de troca do país. Conforme informações divulgadas pelo FMI, a inflação em Malawi tem cedido, mas a inflação de itens não alimentícios permanece elevada.

Negociações de empréstimo com o FMI avançam

Uma equipe do FMI, liderada pelo chefe de missão Justin Tyson, esteve em Lilongwe entre 22 de setembro e 6 de outubro para discutir um novo programa de Facilidade de Crédito Ampliado (ECF), principal ferramenta de empréstimo do fundo para países de baixa renda. Tyson declarou que houve um “progresso considerável” na formulação de políticas macroeconômicas que poderiam ser apoiadas pelo acordo. O programa proposto visa combinar aperto fiscal com proteção aos gastos sociais, além de políticas monetárias mais rigorosas, estabilidade financeira e melhor governança.

Malawi não possui um programa ativo com o FMI desde que seu acordo anterior foi encerrado em maio de 2025. Relatos indicam que apenas US$ 35 milhões de um total aprovado de US$ 175 milhões foram desembolsados. O Campo Grande NEWS checou que a continuidade das negociações é crucial para a estabilidade econômica do país.

Impactos para leitores americanos e escassez de dólares

Para cidadãos americanos que buscam vistos de turismo ou negócios para os Estados Unidos, Malawi está na lista de países sujeitos a exigência de fiança desde agosto de 2025. O Departamento de Estado pode solicitar um depósito de US$ 10.000 a US$ 20.000. A escassez de dólares em Malawi continua sendo um problema, afetando empresas que precisam importar bens ou remeter dinheiro para o exterior. Em setembro, os bancos venderam aos clientes US$ 43,89 milhões, uma queda significativa em relação aos US$ 81,13 milhões de julho.

Um novo programa com o FMI poderia injetar recursos frescos e estabelecer compromissos públicos de políticas que serviriam de referência para investidores e doadores. Se a inflação retornar a patamares próximos a 25% em 2027, o valor real dos ganhos e economias em kwacha sofrerá uma desvalorização mais acentuada. O Campo Grande NEWS destaca a importância da estabilidade cambial para o planejamento financeiro dos cidadãos.

O que ainda não se sabe

O FMI não explicou os motivos para a projeção de aumento da inflação em 2027, e o governo malawiano ou o banco central ainda não comentaram oficialmente as novas estimativas. Rumores na mídia local sugerem que um acordo pode envolver uma nova desvalorização do kwacha, mas o FMI não confirmou essa possibilidade. A data para um acordo em nível de staff ainda não foi anunciada, e o Escritório Nacional de Estatísticas ainda não divulgou o índice de inflação de setembro, após reportar 20,0% para agosto. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transparência nas informações econômicas é fundamental para a confiança dos investidores.