A JBS, gigante global do processamento de carnes, divulgou seus resultados financeiros para o primeiro trimestre de 2026, revelando uma queda acentuada de 55,8% no lucro líquido, que atingiu US$ 221 milhões, em comparação com os US$ 513 milhões registrados no mesmo período de 2025. Apesar da diminuição nos lucros, a receita da companhia alcançou um novo recorde para um primeiro trimestre, crescendo 11% e totalizando US$ 21,6 bilhões. O desempenho foi impactado negativamente pela unidade de carne bovina na América do Norte, que registrou um EBITDA negativo de US$ 230 milhões, refletindo um ciclo de gado nos EUA em fase aguda.
JBS Q1: Lucro em Queda, Receita em Alta Recorde
A JBS, maior processadora de carne do mundo, com operações em mais de 20 países e mais de 282.000 funcionários, apresentou um cenário misto em seu balanço do primeiro trimestre de 2026. Enquanto o lucro líquido sofreu uma retração expressiva, a receita consolidada da empresa atingiu um marco histórico para o período, impulsionada pelo bom desempenho de outras divisões. O EBITDA ajustado, um indicador importante da performance operacional, também apresentou queda, comprimindo a margem consolidada.
Esses resultados, conforme divulgados pela companhia, evidenciam os desafios enfrentados pela operação de carne bovina nos Estados Unidos, que se encontra em um dos momentos mais críticos de seu ciclo. Em contrapartida, as operações brasileiras e a unidade Seara demonstraram resiliência, atuando como contraponto e sustentando o desempenho geral da empresa. O Campo Grande NEWS checou que a estratégia multi-proteína e multi-geográfica da JBS tem sido fundamental para mitigar os impactos negativos.
O CEO Gilberto Tomazoni atribuiu as dificuldades nos EUA a uma “tempestade perfeita” de baixa disponibilidade de gado e custos elevados de aquisição. A companhia já vem implementando ajustes estruturais e operacionais na plataforma de carne bovina americana para simplificar a estrutura e buscar sinergias. A expectativa é de que as condições de oferta de gado nos EUA não melhorem significativamente no curto prazo, dada a necessidade de anos para a recomposição do rebanho.
Carne Bovina dos EUA: O Principal Vilão do Trimestre
A unidade JBS Beef North America foi o principal fator de pressão sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre de 2026. Com uma receita de US$ 7,167 bilhões, o segmento registrou um EBITDA negativo de US$ 230 milhões, resultando em uma margem de -3,2%. Este resultado representa uma piora em relação ao trimestre anterior, que já apresentava margens levemente negativas. O ciclo do gado americano, caracterizado pela menor oferta e custos mais altos, impactou diretamente a rentabilidade da operação.
O cenário nos EUA é desafiador devido à menor disponibilidade de gado, que se encontra em um dos níveis mais baixos das últimas décadas. A recomposição do rebanho é um processo que leva anos, o que indica que as pressões de custo e oferta podem persistir. Além disso, a dinâmica de consumo também contribui para o quadro, com consumidores americanos buscando alternativas mais acessíveis em detrimento da carne bovina.
A JBS tem respondido a esses desafios com ajustes organizacionais e operacionais focados em simplificar a estrutura e otimizar sinergias. A gestão da empresa sinalizou que as condições de oferta de gado nos EUA não devem apresentar melhora material ao longo de 2026, reforçando a necessidade de estratégias de longo prazo para a unidade.
Brasil e Seara: A Força que Compensa as Perdas
Em contrapartida ao desempenho da carne bovina nos EUA, as operações brasileiras e a unidade Seara apresentaram resultados robustos. A JBS Brasil registrou uma receita recorde de US$ 3,78 bilhões no primeiro trimestre, com uma margem EBITDA de 4,4%. O crescimento foi impulsionado pelo forte volume e pela diversificação geográfica das exportações.
A Seara, unidade de alimentos processados, suínos e aves, alcançou uma margem EBITDA de 15,5% sobre uma receita de US$ 2,379 bilhões. O bom desempenho da Seara valida a estratégia multi-proteína e multi-geografia da JBS, especialmente em compensação à exposição à carne bovina americana. A empresa tem investido em seus fundamentos de marca e na expansão de seu portfólio de valor agregado.
O Campo Grande NEWS checou que a força das operações brasileiras e da Seara foi crucial para que a JBS mantivesse um resultado líquido positivo, apesar das perdas significativas nos Estados Unidos. A diversificação de produtos e mercados tem se mostrado uma estratégia eficaz para navegar em um ambiente de negócios volátil e cíclico.
Pilgrim’s Pride e JBS USA Pork: Desempenho Sólido
A Pilgrim’s Pride, subsidiária de aves nos EUA, gerou US$ 4,529 bilhões em receita com uma margem EBITDA de 9,9%. O segmento foi impactado por condições climáticas adversas e manutenções planejadas, mas a expectativa é de melhora nos próximos trimestres com a retomada das operações modernizadas.
A JBS USA Pork, por sua vez, alcançou uma receita recorde de primeiro trimestre de US$ 2,032 bilhões, com uma margem EBITDA de 13,5%. Esse resultado reflete a forte demanda doméstica por proteína acessível e a migração de consumidores do consumo de carne bovina para a suína, o que tem sustentado as margens do setor nos EUA.
O Campo Grande NEWS aponta que o desempenho positivo da JBS USA Pork e da Pilgrim’s Pride, somado à força da JBS Brasil e Seara, demonstra a capacidade da JBS em gerenciar um portfólio diversificado e compensar os desafios enfrentados em segmentos específicos. A empresa demonstra disciplina em sua alocação de capital, com investimento contínuo e extensão do prazo médio de suas dívidas.


