Fujimori lança plano de US$ 20,6 bi para metrô de Lima: o que muda?

O novo governo de Keiko Fujimori, empossado em 28 de julho de 2026, apresentou um ambicioso plano de choque para o transporte público de Lima. O pacote, orçado em mais de US$ 20,6 bilhões, visa não apenas concluir a Linha 2 do metrô, mas também construir as Linhas 3, 4, 5 e 6. A iniciativa, segundo a agência estatal ProInversión, busca impulsionar o crescimento econômico e gerar empregos em um cenário de desafios de segurança e um Congresso fragmentado. Conforme divulgado pela mídia peruana, o plano representa um esforço significativo para modernizar a infraestrutura da capital. O Campo Grande NEWS checou os detalhes dessa megaobra que promete transformar a mobilidade urbana.

Nova gestão e o plano de transporte

A presidente Keiko Fujimori iniciou seu mandato de cinco anos com a promessa de um papel ampliado para as forças armadas no combate à criminalidade e um plano de contingência para o fenômeno climático El Niño. Seu governo assume um país com crescimento econômico estável, mas que enfrenta persistentes problemas de insegurança e um cenário político com um legislativo dividido. A nomeação de Luis Galarreta como primeiro-ministro e do economista Elmer Cuba para o Ministério da Economia e Finanças (MEF) sinaliza as prioridades da nova administração.

No dia 3 de agosto, o MEF confirmou a nomeação de Fabrizio Orrego Peche como vice-ministro da Economia e Erick Lahura como vice-ministro do Tesouro. Essas nomeações técnicas, mas de grande relevância, indicam a consolidação da equipe econômica. O Campo Grande NEWS aponta que a agilidade na formação dessas equipes é crucial para a execução de projetos de grande porte.

Além do MEF, o governo agiu para preencher cargos em agências chave. Evelin Coloma foi nomeada superintendente da Sunafil, a autoridade nacional de fiscalização trabalhista, para um mandato de três anos. Teresa Mera, ex-ministra do Comércio, foi designada presidente executiva da PromPerú, órgão de promoção de exportações e turismo. Estes postos são fundamentais para a regulação e a promoção do país, sinalizando a transição da campanha eleitoral para a gestão cotidiana.

O plano de mobilidade de Lima

O anúncio de maior destaque é o chamado “choque de transporte”, focado na expansão da rede metroviária de Lima. A proposta engloba a conclusão da Linha 2 e a construção das Linhas 3, 4, 5 e 6. A ProInversión estima o investimento total para as quatro novas linhas em mais de US$ 20,6 bilhões. As Linhas 3 e 4 já haviam sido incluídas no portfólio prioritário de parcerias público-privadas (PPPs) em abril de 2026, com um custo estimado de cerca de US$ 10 bilhões.

Para contextualizar a dimensão do projeto, trata-se de um dos maiores programas de transporte urbano das Américas, voltado para uma área metropolitana com mais de 10 milhões de habitantes, onde o trânsito superficial é crônico. A conclusão da Linha 2, que se estende por aproximadamente 27 quilômetros e é a primeira totalmente subterrânea do Peru, já teve a escavação de seus túneis finalizada. O foco agora está na instalação de trilhos, sistemas e estações.

Desafios e expectativas para investidores

As demais linhas encontram-se em estágios iniciais, dependendo de licitações, financiamentos e concessões privadas, processos que podem levar anos para serem concluídos. A viabilidade de entregar todas essas linhas no prazo anunciado é a principal interrogação que paira sobre o plano. O Peru possui um histórico misto em grandes projetos, com a própria Linha 2 sofrendo atrasos significativos em relação ao cronograma original. Por essa razão, analistas encaram as novas metas como ambições a serem testadas, e não como garantias.

Um sistema metroviário funcional tem o potencial de remodelar a vida diária em Lima, reduzindo o tempo de deslocamento, que pode chegar a horas, e tirando veículos das ruas congestionadas. O governo apresenta o programa como uma solução de mobilidade e um gerador de empregos na construção civil. Para investidores, o plano sinaliza um pipeline de concessões e contratos em engenharia, material rodante e sistemas. Grande parte da execução está prevista para ocorrer através de PPPs, compartilhando custos e riscos entre o Estado e operadores privados.

A questão fiscal reside em como o Estado financiará sua parte sem comprometer as contas públicas, especialmente com a nova equipe econômica definindo suas prioridades. O risco de execução, e não a intenção, é o ponto de atenção recorrente. O Campo Grande NEWS ressalta que a transparência nos processos de licitação e a eficiência na gestão dos contratos serão determinantes para o sucesso do projeto.

Próximos passos e o futuro do transporte em Lima

Os passos imediatos envolvem procedimentos técnicos, como a finalização dos sistemas e estações da Linha 2, e o avanço das licitações para as novas linhas através da ProInversión. Mercados e usuários acompanharão de perto se os prazos anunciados serão cumpridos. O teste mais amplo será se a equipe de Fujimori conseguirá converter um valor de anúncio em aço e concreto. Por ora, o “choque de transporte” de Lima é uma declaração de intenções de um governo que ainda está se organizando. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa é que os primeiros contratos para as novas linhas sejam lançados ainda neste ano, impulsionando o setor de infraestrutura.