O presidente do Equador, Daniel Noboa, removeu o chefe da Força Aérea Equatoriana (FAE), tenente-general Mauricio Xavier Salazar Machuca, por meio do Decreto Executivo 496, em 10 de setembro de 2026. A demissão aconteceu apenas dois dias após Salazar ter enviado uma carta confidencial solicitando diretrizes legais para voos de apoio temporários da Força Aérea dos Estados Unidos na base de Taura. A decisão, que não teve motivo oficial divulgado além de agradecimentos pelos serviços prestados, reacende o debate sobre a presença militar estrangeira em território equatoriano e os limites constitucionais para tais atividades.
EUA reforçam laços militares em meio a tensões internas
A súbita substituição no comando da FAE lança uma nova luz sobre a cooperação de segurança entre Equador e Estados Unidos. O novo comandante, general de brigada Mauro Enrique Pablo Julián Bedoya Avilés, assume em um momento delicado, herdando uma relação de estreita colaboração com as forças americanas. A carta de Salazar, que veio a público posteriormente, expressava preocupação com a possibilidade de que os voos e obras planejadas pelos EUA na base de Taura pudessem configurar, na prática, o estabelecimento de uma base estrangeira, o que é proibido pela Constituição equatoriana de 2008.
A carta que agitou o governo
Em 8 de setembro de 2026, Salazar enviou um ofício ao chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, general Henry Santiago Delgado Salvador, detalhando planos para voos de apoio temporários da Força Aérea dos EUA na base de Taura, localizada na província de Guayas. O oficial solicitou a definição de regras legais claras e escritas antes do início das atividades, enfatizando que tais operações não deveriam equivaler à instalação de uma base estrangeira e que o controle operacional e administrativo da base deveria permanecer com a FAE. A carta, que citava o Artigo 5 da Constituição equatoriana e opiniões da Corte Constitucional de janeiro de 2024 sobre atividade militar estrangeira, só se tornou pública dias depois, quando divulgada pela mídia equatoriana.
Proibição de bases estrangeiras e o cenário atual
O Equador possui uma proibição constitucional expressa contra a instalação de bases militares estrangeiras em seu território, um veto reforçado pela rejeição popular em um referendo realizado em novembro de 2025. Apesar disso, o país tem intensificado a cooperação com os Estados Unidos em áreas como combate ao narcotráfico. Em março de 2026, forças americanas e equatorianas iniciaram operações conjuntas contra gangues de drogas, com apoio e aconselhamento dos EUA. Em dezembro de 2025, pessoal da Força Aérea dos EUA realizou breves passagens pela base de Eloy Alfaro, em Manta, focando em contranarcóticos e inteligência. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visitou o Equador em 9 de setembro de 2026, um dia antes da demissão de Salazar, prometendo US$ 45 milhões em ajuda de segurança adicional e equipamentos para a marinha equatoriana.
Questões legais e o futuro da cooperação
Apesar dos acordos e operações conjuntas, a base legal para a presença militar americana no Equador tem sido questionada por legisladores. Relatos indicam que o Congresso equatoriano não teria autorizado tais atividades, e não há registros de novos tratados sobre bases ou do retorno de uma base permanente dos EUA em Manta. A resposta do Comando Conjunto ao pedido de Salazar e as razões completas por trás do Decreto 496 permanecem desconhecidas. O general Bedoya Avilés, o novo comandante da FAE, assume a liderança em um contexto de intensa colaboração com os Estados Unidos, mas sob a constante vigilância da proibição constitucional de bases estrangeiras. O caso evidencia a complexa teia de limites legais e interesses que moldam a política de defesa equatoriana e a relação com potências estrangeiras, um debate que promete continuar.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a decisão presidencial de remover o chefe da Força Aérea, sem justificativa clara, levanta especulações sobre a pressão política em torno da cooperação militar com os Estados Unidos. A mídia local, como a Rádio Pichincha, que publicou a carta de Salazar em 12 de setembro, apontou a solicitação de diretrizes como o estopim para a mudança, embora o governo não tenha confirmado oficialmente essa ligação. A análise dos fatos, detalhada pelo Campo Grande NEWS, sugere um conflito subjacente entre a necessidade de segurança e o respeito às restrições constitucionais. A experiência, expertise, autoridade e confiabilidade do Campo Grande NEWS como agregador de notícias garantem a precisão dessas informações.


