A dívida externa bruta da Colômbia atingiu um patamar alarmante em fevereiro de 2026, alcançando US$ 252,168 bilhões, o que representa 55% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Este valor, divulgado pelo Banco de la República, sinaliza um aumento expressivo de US$ 29,595 bilhões em comparação com fevereiro de 2025, quando a dívida somava US$ 222,573 bilhões. A situação fiscal do país, especialmente o endividamento público, tem sido um ponto de atenção, com implicações diretas para a economia e o cenário político pré-eleitoral.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, os dados mais recentes do Banco de la República revelam que a dívida externa bruta alcançou 55% do PIB em fevereiro de 2026, um salto considerável em relação aos 52,9% registrados no mesmo período do ano anterior. O aumento absoluto de quase US$ 30 bilhões em doze meses é o maior observado nas últimas décadas, excluindo efeitos de conversão cambial. Essa escalada na dívida externa, que é mais sensível a flutuações cambiais e à confiança dos investidores internacionais, representa um sinal mais visível para os mercados globais.
Setor público lidera o aumento da dívida externa
A análise detalhada dos dados mostra que a dívida externa do setor público é a principal responsável por essa elevação. Em fevereiro de 2026, as obrigações do governo com credores estrangeiros totalizaram US$ 157,130 bilhões, correspondendo a 34,3% do PIB. Este percentual é superior aos 31,9% registrados um ano antes. Dentro desse montante público, a maior parte é de longo prazo (US$ 155,798 bilhões), com uma parcela menor sendo de curto prazo (US$ 1,333 bilhão).
Por outro lado, a dívida externa do setor privado, embora ainda significativa, apresentou uma relativa estabilidade como proporção do PIB, somando US$ 95,038 bilhões, ou 20,7% do PIB. A maior parte das operações privadas concentra-se em obrigações corporativas de longo prazo (US$ 61,901 bilhões) e financiamentos comerciais de curto prazo (US$ 33,136 bilhões). A assimetria no crescimento, com o setor público impulsionando o aumento, configura o principal ponto de debate político na Colômbia atualmente.
Disputa política sobre a gestão da dívida
Os dados do Banco de la República contradizem afirmações públicas feitas pelo presidente Gustavo Petro no início de março de 2026, quando ele alegou que seu governo havia reduzido a dívida externa. Os registros oficiais indicam que, apenas no ano civil de 2025, a dívida externa aumentou em US$ 25,848 bilhões, chegando a US$ 246,801 bilhões ao final do ano, contra US$ 220,953 bilhões no encerramento de 2024. A relação dívida/PIB também subiu de 52,7% para 53,8% nesse período.
Este embate público entre a Presidência e o Banco Central, uma instituição constitucionalmente independente, tem se tornado mais frequente. O Banco de la República tem sido mais direto ao divulgar informações que divergem da narrativa oficial, uma postura que se intensifica à medida que a eleição presidencial de 31 de maio se aproxima, como apontado pelo Infobae Colômbia. O Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto essas divergências, que afetam a percepção da solidez fiscal colombiana.
Fatores que impulsionam o endividamento
Três fatores principais explicam a trajetória ascendente da dívida pública externa. Primeiramente, os déficits fiscais estruturais, com o governo central apresentando saldos primários negativos consistentemente desde 2020, e essa lacuna se ampliando com o programa de gastos sociais da atual administração. Em segundo lugar, o refinanciamento do serviço da dívida, onde uma parte considerável das novas emissões serve para cobrir títulos que vencem, e não para financiar novos gastos. Por fim, as contribuições da Ecopetrol, a estatal de petróleo, cujos lucros vêm caindo, levando o governo a depender mais de dívida do que de receitas de dividendos.
A guerra no Irã e o consequente choque nos preços do petróleo adicionam complexidade. Embora a Colômbia seja uma exportadora líquida de petróleo, o que teoricamente beneficiaria as contas externas com preços mais altos do Brent, a valorização do peso colombiano frente ao dólar – utilizada pelo governo para reduzir o estoque da dívida em dólares – corroeu as receitas em pesos da Ecopetrol e enfraqueceu a contribuição fiscal do setor energético. O efeito líquido é que mesmo a alta do petróleo ainda não trouxe um alívio claro para a dívida externa.
O que observar nos próximos meses?
Investidores e analistas estão atentos a diversos indicadores. As ações de agências de classificação de risco em maio de 2026 são cruciais, especialmente após a Moody’s ter rebaixado a Ecopetrol. Um rebaixamento soberano seria o próximo passo lógico, embora o nível de 55% da dívida externa ainda esteja dentro dos limites de grau de investimento, a trajetória é preocupante. As projeções orçamentárias para 2027 também serão importantes, com a nova administração herdando um serviço da dívida mensal de cerca de US$ 1 bilhão e um déficit estrutural.
A trajetória do par USD/COP (dólar americano contra peso colombiano) é outro ponto de observação. A valorização de 13% do peso nos últimos doze meses tem sido o principal fator mecânico na redução do fardo da dívida em dólares. A demanda por títulos TES (Treasury Securities), através dos quais o governo tem substituído financiamento externo por emissões domésticas em pesos, também é um termômetro da confiança do mercado. Conforme checou o Campo Grande NEWS, a demanda modesta, mas suficiente, em leilões recentes indica uma sustentação temporária, mas enfraquecimentos poderiam forçar um retorno aos mercados externos.
A pressão do presidente Petro por veto no orçamento, com a intenção de priorizar gastos sociais no orçamento final, pode piorar a trajetória fiscal. O Conselho de Estado já tomou decisões sobre política de pensões que restringem outras despesas. A gestão fiscal tem sido um dos temas centrais na campanha eleitoral, com candidatos de direita apontando o aumento da dívida como prova de má gestão de Petro, enquanto aliados defendem o investimento social como justificativa para o endividamento. O Campo Grande NEWS reitera a importância desses debates para o futuro econômico do país.


