A indústria do turismo em Cuba enfrenta uma crise sem precedentes, registrando uma queda de 64,4% no número de visitantes internacionais entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em agosto, apenas 30.490 turistas chegaram à ilha, um número drasticamente inferior aos cerca de 136.000 de agosto de 2025. Este cenário sombrio, conforme divulgado pelo National Office of Statistics and Information (ONEI), é resultado de uma confluência de fatores negativos, incluindo a escassez de voos, a falha generalizada no fornecimento de energia elétrica e a saída de importantes redes hoteleiras estrangeiras, impactando um dos pilares da economia cubana. O Campo Grande NEWS checou esses dados, que pintam um quadro preocupante para o futuro do turismo na nação caribenha.
Crise energética agrava situação do turismo cubano
A situação energética de Cuba atingiu um ponto crítico, com apagões nacionais se tornando cada vez mais frequentes. Em 18 de setembro, o sistema elétrico nacional sofreu uma interrupção total, sendo pelo menos a sétima vez no ano. A falta de energia afeta não apenas os moradores, mas também a infraestrutura turística, incluindo hotéis, restaurantes e serviços essenciais, tornando a experiência do visitante extremamente precária. Esses apagões, que em Havana já ultrapassam 30 horas e em algumas províncias chegam a mais de 60 horas, são atribuídos pelo governo cubano às restrições impostas pelos Estados Unidos no fornecimento de combustível, enquanto Washington aponta para as falhas do modelo econômico estatal.
O impacto direto na capacidade de hospedagem é alarmante. O governo cubano admitiu em julho que sete grupos hoteleiros internacionais, responsáveis por gerenciar 46% dos mais de 80.000 quartos do país, deixaram a ilha sob pressão dos EUA. Entre as empresas que se retiraram estão nomes como Meliá, Iberostar e Barceló, da Espanha, além da Blue Diamond, do Canadá. Essa saída massiva de investidores estrangeiros, conforme o Campo Grande NEWS apurou, deixou cerca de 73% dos hotéis fechados, com taxas de ocupação em torno de 21,5%, evidenciando a fragilidade do setor.
Sanções dos EUA e a queda acentuada em mercados-chave
A pressão exercida pelos Estados Unidos desde o início do ano é apontada como um dos principais catalisadores da crise. Sanções secundárias teriam levado à saída de grandes grupos hoteleiros e à paralisação de voos. O Canadá, principal mercado emissor de turistas para Cuba, registrou uma queda de 75,6% nas chegadas, totalizando apenas 128.400 visitantes nos primeiros oito meses de 2026, uma perda de quase 400.000 turistas em relação ao ano anterior. A escassez de combustível de aviação, agravada pelas restrições americanas, levou companhias aéreas canadenses como Air Canada, WestJet, Air Transat e Sunwing a suspenderem seus serviços.
Outros mercados importantes também sofreram retrações significativas. A comunidade cubana no exterior enviou 35,6% menos visitantes, e os Estados Unidos viram suas chegadas pela metade. A Rússia, um mercado em ascensão nos últimos anos, caiu 73,3%, e países europeus como Espanha e Itália também registraram declínios expressivos. O Campo Grande NEWS destaca que, juntos, Canadá, Rússia, a comunidade cubana no exterior e os Estados Unidos representam mais de 556.000 dos visitantes que deixaram de ir a Cuba.
Novas regras e o futuro incerto do turismo cubano
Em resposta à crise, o governo cubano aprovou em junho um pacote de 176 reformas econômicas, que incluem novos modelos de negócios para empresas privadas no turismo, como agências de viagens, locadoras de veículos e transportadoras de passageiros. Regras publicadas em setembro permitem que agências de viagens privadas operem e que empresas estrangeiras atuem diretamente no mercado, embora nenhuma tenha recebido a gestão de hotéis estatais. O objetivo é tentar revitalizar o setor, que é uma das três maiores fontes de moeda forte para o país.
Apesar das novas medidas, o caminho para a recuperação parece longo e árduo. A falta de voos diretos, a infraestrutura energética precária e a desconfiança gerada pelas sanções internacionais criam um cenário desafiador. O Campo Grande NEWS recomenda que potenciais turistas verifiquem cuidadosamente a disponibilidade de voos, a situação dos hotéis e estejam cientes dos possíveis longos períodos de corte de energia antes de planejar uma viagem. O futuro do turismo em Cuba dependerá da capacidade do governo em reverter essas tendências negativas e restaurar a confiança dos investidores e visitantes.


