Quito, Equador – Uma greve de ônibus paralisou a capital equatoriana nesta terça-feira, 5 de maio de 2026. Os operadores de transporte urbano reduziram drasticamente o horário de funcionamento, operando apenas entre 8h e 19h, em vez do padrão das 5h às 22h. A medida é um protesto contra o aumento dos custos do diesel e a estagnação da tarifa em US$ 0,35 por viagem, conforme divulgado pelo The Rio Times.
A interrupção do serviço afetou mais de 3 milhões de residentes, que ficaram sem transporte público nas primeiras horas do dia. Longas filas se formaram nos pontos de ônibus, enquanto o sistema de Metrô de Quito tentava absorver o aumento da demanda, recebendo cerca de 172.000 passageiros adicionais por dia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação gerou congestionamentos e insatisfação generalizada.
Jorge Yánez, líder dos operadores, declarou à imprensa local que o setor está operando com prejuízo. Eles exigem um aumento da tarifa para US$ 0,45 por trajeto, ou uma tarifa técnica superior a US$ 0,65, para cobrir os custos reais. Essa demanda surge após a remoção do subsídio ao diesel em setembro de 2025 e com a iminente expiração do programa de compensação para o setor de transporte em 15 de maio de 2026.
O Impacto Imediato da Greve
A redução nos horários de operação dos ônibus começou na madrugada de 5 de maio, pegando muitos passageiros de surpresa. As principais zonas de tráfego intenso da cidade, como El Trébol, Agua Clara, La Carolina e La Magdalena, registraram trânsito pesado. A ausência dos ônibus empurrou milhares de pessoas para veículos particulares, levando o prefeito Pabel Muñoz a suspender temporariamente as regras do rodízio de veículos (‘Pico y Placa’) à tarde, na tentativa de aliviar o congestionamento.
Os sistemas de transporte de massa, como o Metrô de Quito, o Trole e o Ecovía, continuaram operando normalmente e foram fundamentais para minimizar o caos. Yánez enfatizou que a intenção dos operadores não é causar transtornos, mas sim evidenciar a crise enfrentada pelo setor, com custos operacionais crescentes e tarifas congeladas. O Ministério da Educação concedeu flexibilidade aos horários de chegada das escolas, e o serviço de emergência ECU 911 ativou protocolos adicionais de gestão de tráfego.
O Cenário do Diesel e a Expiração do Subsídio
A raiz do problema remonta a 12 de setembro de 2025, quando o presidente Daniel Noboa eliminou o subsídio ao diesel por meio do Decreto Executivo 126. Essa medida elevou o preço do galão de US$ 1,80 para US$ 2,80, com o objetivo de reduzir a pressão fiscal e combater o contrabando. Desde dezembro de 2025, o preço do diesel segue um sistema de bandas que se ajusta mensalmente aos mercados internacionais de petróleo.
O preço atingiu US$ 2,96 em abril de 2026, com projeções indicando que o próximo ajuste, previsto para 12 de maio, poderá ultrapassar os US$ 3,11. Paralelamente, o programa temporário de compensação para o setor de transporte, que ajudou a mitigar o impacto inicial da remoção do subsídio, expira em 15 de maio de 2026. Essa coincidência representa um duplo golpe para os operadores, que verão os custos aumentarem justamente quando o suporte governamental se encerra. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação é delicada para os trabalhadores do transporte.
Disputa Política e Futuro Incerto
A prefeitura de Quito, administrada por Pabel Muñoz (Movimento Revolução Cidadã, oposição), e a administração de Noboa divergem publicamente sobre quem é o responsável pela crise. Muñoz classificou a ação dos motoristas de ônibus como “extorsão” por um pequeno grupo de líderes. Por outro lado, legisladores da Revolução Cidadã, incluindo Rafael Correa, têm promovido uma campanha nas redes sociais com a hashtag #NoboaDevuelveElSubsidio, exigindo a reinstauração do subsídio ao diesel.
A autoridade para a definição de tarifas urbanas é municipal, o que coloca a responsabilidade direta sobre o prefeito Muñoz. As opções para resolver o impasse são limitadas: um aumento da tarifa para US$ 0,45 (ou mais), um subsídio municipal semelhante ao concedido ao Metrô e ao Trole, ou a extensão do programa de compensação do governo central. Até o momento, nenhuma dessas soluções foi acordada. A situação exige uma decisão rápida para evitar mais transtornos, como aponta a análise do Campo Grande NEWS.
Próximos Passos e Expectativas
O cenário em Quito permanece tenso. A próxima atualização do preço do diesel em 12 de maio e a expiração do programa de compensação em 15 de maio são datas cruciais. O encontro agendado entre a prefeitura e os operadores para o dia 15 de maio pode ser o momento decisivo para se encontrar uma saída. A população aguarda ansiosamente por uma solução que garanta a continuidade do serviço de transporte público essencial para a mobilidade urbana. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos deste caso.


