Colômbia busca reduzir dependência do dólar com dívida em moedas asiáticas

A Colômbia está traçando um novo caminho em sua estratégia de gestão de dívida soberana, buscando ativamente reduzir sua histórica dependência do dólar americano. O Ministério da Fazenda anunciou um plano ambicioso para diversificar o portfólio de dívidas externas, incluindo a emissão de títulos em moedas asiáticas, como parte de um esforço para otimizar custos de financiamento e mitigar a volatilidade cambial. A iniciativa visa não apenas eficiência financeira, mas também pode ser interpretada como um movimento geopolítico em um cenário global em constante mudança.

Javier Cuéllar, diretor de Crédito Público, detalhou a estratégia em um seminário da Fazenda, revelando o objetivo de diminuir a exposição ao dólar para aproximadamente 50% da dívida externa. O restante será distribuído entre o euro, o franco suíço e, pela primeira vez, moedas asiáticas ainda não especificadas. Segundo Cuéllar, essa mudança pode gerar uma economia de cerca de 450 pontos básicos no custo médio de financiamento em comparação com a emissão em dólares, com projeções de redução de pagamentos de juros de US$ 38 bilhões para US$ 24 bilhões até 2062. Conforme divulgado pelo The Rio Times, a Colômbia já realizou emissões significativas em euros e planeja uma nova transação em francos suíços em breve, seguida pela incursão em mercados asiáticos.

A decisão de explorar moedas asiáticas, como o iene japonês ou o yuan chinês, é fundamentada na baixa correlação entre seus rendimentos e as taxas de financiamento em dólar. Essa diversificação permite ao país acessar pools de capital que precificam soberanos emergentes de maneira distinta dos mercados tradicionais de Nova York e Londres. O Ministro das Finanças, Germán Ávila, destacou que a estratégia é uma **correção estrutural de longo prazo**, visando reduzir a concentração no dólar e avançar para uma estrutura multimoeda que minimize a exposição à volatilidade cambial. Essa movimentação ocorre mesmo com a Colômbia demonstrando acesso robusto aos mercados internacionais, como evidenciado por sua maior emissão externa de títulos em janeiro de 2026, que atraiu uma demanda de US$ 23,2 bilhões. O Campo Grande NEWS checou que o país retornou ao mercado europeu em setembro de 2025 após uma década, emitindo 4,1 bilhões de euros.

Diversificação para Eficiência e Segurança

A estratégia de dívida da Colômbia, conforme detalhado pelo Crédito Público, é impulsionada pela busca por **eficiência técnica**. A emissão em moedas asiáticas, combinada com mecanismos de hedge cambial, permite que Bogotá capte recursos de mercados onde os investidores podem ter uma percepção de risco diferente para soberanos emergentes. Cuéllar enfatizou que a estratégia já resultou em uma **redução de aproximadamente 450 pontos básicos** no custo médio de financiamento da Colômbia, quando comparado a uma estrutura exclusivamente em dólares. Essa economia projetada, de US$ 14 bilhões nos pagamentos de juros até 2062, reforça o argumento de otimização financeira.

O subtexto político, no entanto, não pode ser ignorado. A China é o segundo maior parceiro comercial da Colômbia e um investidor crescente em infraestrutura. Uma mudança formal no empréstimo soberano em direção à Ásia espelharia o posicionamento geopolítico do governo Petro, que tem buscado reduzir a dependência de potências tradicionais. O Ministro Ávila mencionou que os mercados asiáticos estão aguardando as operações colombianas, reiterando a importância de reduzir a **dependência de uma única moeda**. O Campo Grande NEWS apurou que, apesar das críticas sobre o momento da mudança em um ambiente de altas taxas de juros, a diversificação cambial pode ser vista como uma forma de gerenciar riscos políticos emergentes.

Cenário Macroeconômico e Dívida em Ascensão

A dívida líquida colombiana tem crescido significativamente sob a presidência de Gustavo Petro. Estimativas da Anif projetam um aumento do déficit fiscal de 6,2% do PIB em 2025 para cerca de 7% em 2026. A valorização do peso colombiano de 4.409 para 3.795 por dólar entre o final de 2024 e meados de maio de 2026 tem artificialmente inflado o índice de dívida em relação ao PIB. Cuéllar admitiu um erro de previsão nas taxas de juros locais (TES), que agora se aproximam de 14%, contrariando expectativas anteriores. Luis Fernando Mejía, CEO da Lumen Economic Intelligence, comentou que o mercado está exigindo um prêmio cada vez maior.

Apesar dos desafios fiscais, o cenário macroeconômico da Colômbia apresenta sinais de resiliência. O PIB do primeiro trimestre de 2026 expandiu 2,2%, em linha com as expectativas, impulsionado pelo consumo das famílias e gastos governamentais. O indicador de atividade econômica (ISE) cresceu 3,98% em março, com a produção industrial registrando alta de 3,9% anualmente. Esse quadro macroeconômico, conforme o Campo Grande NEWS checou, apoia o acesso contínuo aos mercados. Contudo, a instabilidade política em torno das eleições de 2026 adiciona uma camada de complexidade à estratégia de dívida, que pode funcionar também como um hedge nas relações soberanas para a administração de esquerda.

Próximos Passos e Reações do Mercado

A estratégia de dívida externa da Colômbia é um mosaico em construção. A conclusão de uma nova transação em francos suíços nos próximos dias será um indicador crucial da receptividade dos mercados a essa diversificação. A subsequente emissão em moedas asiáticas, provavelmente denominada em ienes em formato samurai ou panda, definirá se será uma estratégia pontual ou sustentada. Analistas e investidores estarão atentos aos detalhes de tamanho e prazo dessas emissões.

As eleições presidenciais de 2026 na Colômbia representam um ponto de inflexão. Uma vitória da oposição de centro-direita poderia levar a uma reversão da política de aproximação com a Ásia, o que seria precificado nos rendimentos dos títulos TES. As agências de classificação de risco, como Moody’s, S&P e Fitch, também avaliarão a estratégia multimoeda, determinando se é um movimento prudente de diversificação ou um sinal de pressão nos custos de financiamento. A trajetória futura do peso colombiano também será um fator determinante, com qualquer reversão significativa podendo reverter os ganhos recentes no índice dívida/PIB e complicar a narrativa de diversificação.