Codelco em crise: Ministros de Kast expõem falhas e cobram Pacheco
A Codelco, a maior produtora de cobre do mundo, está no centro de uma crise que ganhou contornos públicos na recente assembleia de acionistas. Ministros do governo de José Antonio Kast confrontaram diretamente o presidente da mineradora, Máximo Pacheco, questionando sua gestão em relação à produção, segurança e estratégia. A situação expôs divergências profundas entre a administração anterior e a nova gestão de direita, que assumiu em março.
A tensão foi palpável na reunião, descrita por participantes como um ambiente onde “o clima podia ser cortado com uma faca”. O Ministro das Finanças, Jorge Quiroz, e o biministro de Economia e Mineração, Daniel Mas, representando o presidente Kast, não pouparam críticas. A cúpula da Codelco, nomeada durante o governo anterior, viu seu mandato ser formalmente questionado em um cenário de produção em declínio e investimentos bilionários que não trouxeram os resultados esperados. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a situação exige respostas urgentes.
A crise na Codelco se tornou o primeiro grande teste para a administração Kast no que diz respeito às empresas estatais. A queda na produção de cobre, a governança de segurança e a sucessão na presidência da companhia são os pontos cruciais em debate. A discussão sobre a privatização parcial da empresa, antes um tabu, agora ganha espaço no debate público, sinalizando mudanças significativas na política de gestão das estatais chilenas. O futuro da Codelco, e seu impacto na economia do Chile, está em jogo.
Produção em queda apesar de investimentos bilionários
O cerne da crise na Codelco reside em um colapso de produção que não cedeu mesmo diante de investimentos recordes. O Ministro das Finanças, Jorge Quiroz, revelou que a produção caiu cerca de 20%, apesar de aproximadamente US$ 17 bilhões investidos desde 2022. Em 2025, a produção atingiu 1.334.400 toneladas de cobre, uma estabilização modesta após anos de declínio, mas ainda distante do pico histórico de 1,7 milhão de toneladas que a mineradora almeja para 2030.
Quiroz classificou a situação como um “sinal vermelho”, expressando preocupação com o futuro da empresa. Ele destacou a discrepância entre o aumento dos gastos de capital e a queda na produção como evidência de problemas estruturais profundos. A nova administração pretende abordar essas questões diretamente, buscando reverter o quadro de forma eficaz. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os dados apresentados pelos ministros indicam uma necessidade de intervenção.
Pacheco defende seu legado e admite erros estratégicos
Em sua defesa, o presidente da Codelco, Máximo Pacheco, rejeitou a narrativa de crise, citando um Ebitda de US$ 6,67 bilhões em 2025, o que representa uma geração diária de caixa de cerca de US$ 18 milhões. Ele argumentou que a instabilidade política pode prejudicar a empresa e que a Codelco contribuiu com mais de US$ 1,5 bilhão para o tesouro chileno em 2024.
Apesar da defesa, Pacheco admitiu que executar quatro megaprojetos simultaneamente “foi um erro” e que a empresa “supercentralizou a execução dos investimentos” e “super-externalizou muitas atividades”. Ele reconheceu que “não é uma boa ideia ser arrogante” e que o sucesso pode levar à complacência. Essas declarações suavizaram a mensagem de gestão sólida, abrindo espaço para as críticas ministeriais. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto as declarações e o impacto delas.
Sucessão e segurança sob escrutínio
O mandato de Pacheco no conselho da Codelco termina em 25 de maio, e o economista Bernardo Fontaine, assessor da campanha de Kast, é o nome mais cotado para sucedê-lo. Fontaine, com vasta experiência em conselhos de empresas privadas, mas sem experiência operacional direta em mineração, sinaliza uma possível mudança no estilo de gestão, com foco em disciplina financeira.
A segurança também é um ponto crítico, especialmente após o acidente fatal em julho de 2025 na divisão El Teniente, que matou seis trabalhadores terceirizados. Uma auditoria interna revelou inconsistências na comunicação de um incidente anterior, levando à demissão de executivos e a multas para a Codelco e as empreiteiras. A gestão da segurança se tornou um pilar fundamental nas cobranças do novo governo.
Debate sobre privatização ganha força
A assembleia de acionistas também trouxe à tona o debate sobre a privatização parcial da Codelco. O Ministro Daniel Mas sinalizou abertura para discutir o tema, embora Pacheco tenha afirmado que tais decisões cabem ao governo, não ao conselho. A discussão sobre a privatização, que antes era evitada, agora se insere no centro das discussões sobre o futuro da mineradora e sua estrutura de propriedade.
A produção de cobre do Chile, que representa cerca de 24% da produção global, tem um peso sistêmico para a economia do país, respondendo por aproximadamente 50% das receitas de exportação e 10% do PIB. As decisões sobre a Codelco, portanto, vão além da empresa, impactando a estabilidade fiscal e as cadeias de suprimento globais para a transição energética. O governo Kast enfrenta um desafio complexo para reestruturar a gigante do cobre e consolidar sua doutrina de gestão de empresas estatais.


