Fim do perrengue: Aeroporto de Campo Grande ganha fingers e passageiros comemoram

A chegada dos fingers, as passarelas que ligam o terminal diretamente às aeronaves, no Aeroporto Internacional de Campo Grande, está gerando burburinho entre os passageiros. A novidade, que para muitos representa um avanço significativo no conforto e na praticidade ao embarcar e desembargar, também abre espaço para discussões sobre o real status de “cidade grande” que a capital sul-mato-grossense almeja. Para parte da população, a infraestrutura é um passo importante, especialmente para grupos mais vulneráveis, enquanto outros apontam que a melhoria não resolve problemas estruturais maiores, como o alto custo das passagens e a limitação de voos diretos.

Fingers chegam para acabar com sol e chuva no lombo

A funcionalidade dos fingers, que permitem que os passageiros se desloquem do terminal até a aeronave sem a necessidade de caminhar pela pista expostos às intempéries, é o ponto alto da nova estrutura. Essa comodidade é particularmente celebrada por idosos e pessoas com mobilidade reduzida, que frequentemente enfrentavam dificuldades e desconforto em dias de sol intenso ou chuva forte. A promessa é de um embarque e desembarque mais dignos e seguros, eliminando o antigo “perrengue” de ser pego desprevenido pelo clima.

Teresa Perdigão, 72 anos, expressa seu alívio de forma enfática. “Vamos parar de ser jacu, estamos dando um passo bem grande”, afirma. Para ela, o finger resolve a questão mais básica do passageiro. “Vai ser a melhor coisa para dias de chuva, muito sol e para cadeirantes. A maior dificuldade era sair e chegar debaixo de chuva”, relata, ressaltando a praticidade da nova instalação.

Seu marido, Ségio Perdigão, 76 anos, complementa o argumento, destacando a facilidade de locomoção. “Vai facilitar muito a locomoção, o embarque e desembarque, principalmente para nós, idosos e pessoas com necessidades especiais.” Contudo, ele pondera que o crescimento da cidade deve vir acompanhado da solução de outros problemas, evitando que novas dificuldades surjam em paralelo ao avanço.

Ianne Viédès, 31 anos, considera a novidade um avanço, mas não revolucionário. “Caminhar no sol quente é complicado. Não vou dizer que é uma mudança grande, mas é um começo”, avalia. Ela observa que o modelo de fingers já é padrão em muitos aeroportos há anos, mas reconhece sua importância na experiência do passageiro em Campo Grande, apesar de ainda sentir que falta muito para o aeroporto atingir o nível de um aeroporto internacional de ponta.

A discussão sobre se a infraestrutura eleva o status de “cidade grande” divide opiniões. Rosangela Tomasi, 68 anos, rejeita a ideia de atraso e vê a novidade como um sinal positivo. “Eu acho que agora vamos ser cidade grande, graças a Deus. Quando viajamos e voltamos, é um sol terrível. Isso é maravilhoso”, comemora. Áurea Silva Fernandes, 81 anos, também concorda que a ponte facilitará a vida. “Você anda muito no sol e na chuva para chegar no avião.”

Apesar da comemoração pelo conforto adicionado, a questão do custo das passagens e da oferta de voos permanece como um ponto de insatisfação para muitos. Rubens García Bueno expressa o desejo de que a melhoria na infraestrutura venha acompanhada de uma redução nos preços e um aumento na conectividade. “Não está fácil viajar de avião”, lamenta. Ele aponta que a dependência do mercado e a concentração de voos em grandes centros como São Paulo e Brasília limitam as opções para quem parte de Campo Grande.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de voos diretos para destinos específicos e a necessidade de conexões em hubs centrais ainda são barreiras significativas para muitos viajantes. A oferta de voos, segundo Bueno, é moldada pela demanda das grandes companhias aéreas, que priorizam rotas mais lucrativas e com maior volume de passageiros, deixando cidades como Campo Grande com menos opções diretas.

A chegada dos fingers ao Aeroporto Internacional de Campo Grande, portanto, representa um avanço inegável em termos de conforto e acessibilidade para os passageiros. A infraestrutura moderna alivia o incômodo causado pelas condições climáticas, tornando a experiência de embarque e desembarque mais agradável, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. No entanto, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a discussão sobre o desenvolvimento da cidade se estende para além da infraestrutura aeroportuária, englobando questões de custo de viagem e conectividade aérea, que ainda são pontos de atenção para a população. A expectativa é que, assim como os fingers representam um passo à frente, outras melhorias venham a ocorrer para consolidar Campo Grande como um centro de aviação cada vez mais completo e acessível, como noticiado pelo Campo Grande NEWS.