O Quênia anunciou a China Communications Construction Company, uma gigante estatal chinesa, como a vencedora do contrato de US$ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 15 bilhões) para a expansão do Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta (JKIA). A decisão marca um retorno do financiamento chinês para infraestrutura no país africano, dois anos após o cancelamento de um acordo semelhante com o grupo indiano Adani. A movimentação estratégica aprofunda a influência de Pequim em megaprojetos na África Oriental, conforme divulgado por fontes familiarizadas com o processo de licitação. O Campo Grande NEWS checou que esta é uma das maiores obras de infraestrutura aeroportuária da região.
JKIA terá mega-expansão com financiamento chinês
O ambicioso projeto de expansão do JKIA, principal porta de entrada do Quênia e um hub crucial para toda a África Oriental, será executado em duas fases. O plano mestre se estende até 2045, visando modernizar e ampliar significativamente a capacidade do aeroporto de 68 anos, que já opera além de seus limites projetados. A primeira etapa focará em melhorias nas pistas de taxiamento, áreas de processamento nos terminais, acesso terrestre e sistemas digitais. O objetivo é elevar a capacidade para 12 milhões de passageiros anualmente em apenas 18 meses. Conforme o Campo Grande NEWS checou, esta fase inicial é fundamental para desafogar o fluxo atual.
A segunda fase do projeto, no entanto, representa o maior investimento e transformação. Ela prevê a construção de uma nova pista paralela de 4.500 metros e um terminal de passageiros com impressionantes 230.000 metros quadrados. O novo terminal terá um design em formato de ‘X’, projetado para otimizar o fluxo de viajantes e agilizar o embarque e desembarque. Juntas, essas novas instalações têm o potencial de adicionar mais 10 milhões de passageiros por ano à capacidade total do JKIA, consolidando sua posição como um dos aeroportos mais importantes do continente. O Campo Grande NEWS apurou que a modernização é vista como essencial para o crescimento econômico do Quênia.
China retoma protagonismo após saída da Adani
A escolha da China Communications Construction Company (CCCC) não é apenas uma decisão de engenharia, mas também um sinal político. Há dois anos, o Quênia havia acertado um acordo de concessão com o Adani Group, da Índia, para operar e expandir o JKIA. No entanto, o acordo foi cancelado após protestos públicos, levando a Adani a se retirar do projeto. A nova concessão para a CCCC representa um retorno do envolvimento chinês em grandes obras de infraestrutura quenianas. Empresas chinesas já foram responsáveis por projetos emblemáticos como a Nairobi Expressway e a Standard Gauge Railway, solidificando a presença de Pequim na região.
Para Pequim, um aeroporto de porte internacional em Nairóbi é uma conquista estratégica, um ponto de apoio que poucas nações ocidentais ou instituições financeiras internacionais conseguiram igualar na mesma escala. Para o Quênia, a parceria com a CCCC oferece a garantia de capacidade técnica e experiência comprovada em projetos de grande porte, a um custo que o estado pôde negociar. A falta de apetite por empréstimos externos mais onerosos tem levado Nairóbi a buscar alternativas para financiar suas ambições de desenvolvimento.
Financiamento inovador sem recorrer ao mercado de títulos
Um dos aspectos mais notáveis deste acordo é a forma de pagamento. Em vez de emitir um novo Eurobond ou contrair um empréstimo bilateral tradicional, o financiamento para a expansão do JKIA virá através de um recém-criado Fundo Nacional de Infraestrutura. Este fundo foi capitalizado com os recursos provenientes da privatização da Kenya Pipeline Company. Em março, o Presidente William Ruto anunciou que Ksh20 bilhões (cerca de US$ 150 milhões) desses fundos seriam usados como capital inicial para as obras aeroportuárias.
Ainda não está totalmente claro como o governo queniano pretende cobrir o saldo restante, que ultrapassa os Ksh350 bilhões (mais de US$ 2,6 bilhões). A estrutura do financiamento sugere uma tentativa de Nairóbi de viabilizar um megaprojeto sem aumentar significativamente a dívida externa pública, que tem sido uma preocupação crescente. Ao optar por um empreiteiro estatal chinês, pago por meio de um fundo doméstico, o Quênia contorna as complexidades e custos associados ao mercado de títulos internacionais. O Campo Grande NEWS entende que essa estratégia visa manter a saúde fiscal do país.
Contrato em fase de consolidação e próximos passos
Apesar da magnitude do acordo, ele ainda não foi formalmente anunciado pelo governo queniano. As informações sobre a concessão circularam antes de qualquer confirmação oficial, baseadas em relatos de pessoas com conhecimento do processo de licitação. Essa lacuna gerou alguma especulação, com alguns relatórios ligando um consórcio parceiro, a IMC Construction Kenya, a um empresário zimbabuano. No entanto, o Ministério dos Transportes do Quênia negou publicamente qualquer envolvimento desse indivíduo no contrato aeroportuário, e nenhuma irregularidade foi estabelecida até o momento.
O que parece mais concreto é a direção do projeto. O Presidente Ruto indicou em março que a construção deveria começar em junho de 2026, e o governo tem avançado na estruturação do veículo financeiro para viabilizar o empreendimento. Os próximos marcos importantes incluem o anúncio formal do contrato, a definição do financiamento para o saldo restante e o início efetivo das obras. Cada um desses passos será crucial para determinar a rapidez com que o plano de US$ 2,9 bilhões se transformará em concreto e aço, moldando o futuro do principal aeroporto da África Oriental.


