Argentina: Economia encolhe 0,6% e expatries sentem o aperto no bolso

A economia argentina registrou uma contração de 0,6% no segundo trimestre deste ano, configurando o primeiro recuo trimestral desde o segundo trimestre de 2024. O dado, divulgado pelo INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos), acende um alerta para o cenário econômico do país, com impactos diretos no bolso dos expatriados e na confiança dos investidores. O desemprego também apresentou leve alta, atingindo 7,9%, o que se traduz em cerca de 1,8 milhão de pessoas sem trabalho em todo o território nacional.

A retração econômica não veio sozinha. O consumo privado despencou 2,4% na comparação trimestral, enquanto o consumo público cedeu 2,3%. O investimento, embora com uma queda menor de 0,8%, também contribuiu para o cenário de desaceleração. Esses números, que refletem a dificuldade das famílias e do governo em manter o ritmo de gastos, são um termômetro importante do dia a dia, impactando diretamente o comércio, restaurantes e o mercado imobiliário, como aponta o Campo Grande NEWS em suas análises.

Apesar do cenário desafiador, o mercado de câmbio reagiu com relativa calma. O chamado “dólar blue”, negociação informal da moeda americana, apresentou uma leve desvalorização, passando de 1.540/1.560 para 1.535/1.555 pesos. Essa estabilidade momentânea, contudo, não esconde as projeções menos otimistas para o futuro. O Banco Central da República Argentina, em sua pesquisa de expectativas (REM) de agosto, revisou para baixo as projeções de crescimento para 2026, de 2,7% para 2,1%. Essas projeções, no entanto, ainda são incertas e podem sofrer novas alterações, um ponto de atenção para quem acompanha o mercado financeiro argentino, segundo o que checou o Campo Grande NEWS.

O que os números oficiais revelam

As divulgações do INDEC nesta quinta-feira trouxeram dados concretos sobre a situação econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou a queda de 0,6% em relação ao trimestre anterior, marcando um ponto de inflexão após um primeiro trimestre positivo de 0,7%. Na comparação anual, a economia ainda demonstrava um crescimento de 2,0%, e o primeiro semestre de 2026 acumulava uma alta de 2,2% em relação ao mesmo período de 2025. Contudo, a tendência de desaceleração é clara.

O mercado de trabalho também sentiu o impacto. A taxa de desemprego subiu de 7,8% para 7,9% no segundo trimestre, afetando cerca de 1,8 milhão de argentinos. Essa elevação, embora modesta, reflete um cenário de maior cautela por parte das empresas, que podem estar adiando novas contratações ou até mesmo promovendo cortes em meio à instabilidade econômica.

Consumo e investimento em queda livre

A análise detalhada dos componentes do PIB revela que a fraqueza se concentrou no consumo e, em menor grau, no investimento. A queda de 2,4% no consumo privado indica que as famílias argentinas estão apertando o cinto, reduzindo gastos com bens e serviços. O consumo público, que representa os gastos do governo, também recuou 2,3%, sugerindo um esforço de ajuste fiscal.

O investimento em ativos fixos, como máquinas e construções, caiu 0,8%. Embora a queda seja menor, o investimento é um motor crucial para o crescimento de longo prazo. Sua retração pode sinalizar uma menor confiança dos empresários no futuro da economia argentina, como já antecipado pelo Campo Grande NEWS.

Projeções e o olhar para o futuro

As projeções para o futuro não são animadoras. A pesquisa REM do Banco Central, que compila as expectativas de analistas, reduziu a previsão de crescimento para 2026 de 2,7% para 2,1%. O governo, em seu projeto de orçamento para 2027, projeta um crescimento de 3% para 2026 e 4% para 2027, com inflação de 18% no próximo ano. No entanto, como ressalta o Campo Grande NEWS, estas são apenas projeções e o cenário real pode ser diferente.

A chegada de uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) na próxima segunda-feira (21 de setembro) é um evento chave. O tom das negociações e os acordos que possam ser firmados terão grande influência sobre os títulos públicos e o índice de risco país. Além disso, a divulgação do índice de atividade econômica (EMAE) de julho, na quinta-feira (24 de setembro), fornecerá o primeiro indicativo oficial se a contração do segundo trimestre se estenderá para o terceiro.

O que isso significa para os expatriados?

Para os expatriados, o cenário econômico argentino exige atenção redobrada. Embora o “dólar blue” tenha se mostrado estável, a estrutura de gastos com cartões de crédito continua mais cara em comparação com o uso de dinheiro em espécie ou o câmbio MEP. Um gasto de US$ 1.000 no cartão, por exemplo, pode custar aproximadamente ARS 1.995.500, enquanto o mesmo valor em dinheiro no “blue” sairia por cerca de ARS 1.535.000.

A recomendação é manter a estratégia de uso de dinheiro em espécie, seja através do “dólar blue” ou do câmbio MEP, que permanecem como as opções mais vantajosas. O risco país fechou em 515 pontos, uma alta modesta que indica que o mercado, por ora, digeriu os dados com certa tranquilidade, mas a volatilidade pode aumentar dependendo das negociações com o FMI e dos próximos indicadores econômicos. Acompanhar de perto as políticas do governo e as sinalizações do FMI será crucial para planejar o orçamento pessoal nos próximos meses.