A Unidade de Inteligência Financeira (UIF) do México está investigando o empresário Amílcar Olán, um amigo próximo dos filhos do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. Segundo o site de notícias Latinus, a investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e já teria descoberto uma conta bancária na Suíça com um saldo de aproximadamente 72 milhões de euros, o equivalente a cerca de 81 milhões de dólares. O caso ganha contornos ainda mais complexos com alegações de que Olán lideraria uma rede criminosa, apelidada de “El Clan”.
UIF investiga Amílcar Olán por lavagem de dinheiro
A notícia sobre a investigação foi divulgada em 1º de outubro de 2026, e rapidamente gerou repercussão no cenário político mexicano. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a investigação da UIF, braço do Ministério da Fazenda mexicano responsável pelo combate à lavagem de dinheiro, teria sido aberta há algumas semanas. O foco central da apuração é uma conta de investimento ativa no banco UBS, na Suíça.
De acordo com a reportagem do Latinus, o saldo encontrado na conta de Amílcar Olán era de 72.039.066,74 euros. Na cotação da época, isso representava cerca de 81,2 milhões de dólares americanos. O valor, convertido para pesos mexicanos, alcançava 1,433 bilhão de pesos, o que equivale a aproximadamente 78 milhões de dólares, considerando a taxa de câmbio de 18,28 pesos por dólar em 2 de outubro de 2026. Essas cifras foram repetidas em uma coluna do jornal El Universal, assinada por Carlos Loret de Mola, fundador do Latinus.
Ligação com o Clã e contratos governamentais
A investigação da UIF, segundo o Latinus, também mapeou os contratos governamentais obtidos por Olán, as agências que efetuaram os pagamentos e as empresas receptoras, investigando se eram legítimas ou “laranjas”. O inquérito supostamente lista intermediários, parentes, movimentações de dinheiro em espécie, ações e propriedades ligadas ao empresário. O jornal Expansión Política, citando o Latinus, indicou que o irmão de Amílcar Olán, Luis Alberto, foi apontado como um elo com um suposto membro do cartel de Jalisco, investigado por contrabando de combustível. Essa alegação, no entanto, permanece sem comprovação.
O Latinus descreve Amílcar Olán como o “chefe” de um grupo, termo que se refere a um organograma da UIF que o colocaria no centro de uma rede de atividades. Essa rede foi apelidada de “El Clan”. É importante notar que o nome de Andrés Manuel López Beltrán, filho do ex-presidente, não é mencionado no arquivo, conforme escreveu Loret de Mola. Anteriormente, reportagens já haviam vinculado empresas de Olán a contratos com a estatal petrolífera Pemex, à refinaria de Dos Bocas e ao exército, além de vendas de medicamentos e fornecimento de lastro para os trens Maya e Interoceânico. A família já havia enfrentado escrutínio anteriormente, com a revogação de visto para um dos filhos de López Obrador por parte dos Estados Unidos.
Vida na Suíça e renda declarada
O caso ganha outra dimensão com a informação de que Amílcar Olán declarou uma renda anual de 17,9 milhões de pesos (aproximadamente 979.000 dólares) para obter residência de longo prazo na Suíça, no cantão de Ticino, onde se mudou com a família em setembro de 2025. Relatos indicam que ele pagava um aluguel mensal de 200.000 pesos (cerca de 10.900 dólares), parte desse valor teria sido repassado por sua irmã. Seus dois filhos frequentam uma escola internacional com mensalidade de 1,5 milhão de pesos (cerca de 82.000 dólares). A emissora TV Azteca reportou que transferências para a conta bancária suíça foram realizadas por dois dos irmãos de Olán. Um repórter da mesma emissora já havia encontrado Olán em Lugano, na Suíça, tema que já foi abordado pelo Campo Grande NEWS em reportagens anteriores.
O que ainda não se sabe sobre o caso
É fundamental ressaltar que a UIF não emitiu nenhuma declaração oficial sobre o caso, e a TV Azteca destacou que a existência e o escopo do arquivo permanecem sem confirmação pública. Todas as informações financeiras divulgadas até o momento provêm do acesso de um veículo de comunicação a documentos, cujos dados foram posteriormente replicados por outros. Dias antes da divulgação, a Procuradora-Geral, Ernestina Godoy, afirmou que não havia mandado de prisão para Olán, segundo a TV Azteca. Em 28 de setembro, a presidente Claudia Sheinbaum declarou que o Ministério Público Federal deveria agir caso houvesse evidências. O desenrolar da investigação ainda é incerto: não se sabe se a UIF irá congelar contas, apresentar uma denúncia formal ou solicitar cooperação das autoridades suíças. O futuro do caso Amílcar Olán, e suas possíveis ramificações políticas, segue em aberto, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.
Fontes: Latinus (Mario Gutiérrez Vega, 1º de outubro de 2026); El Universal (coluna de Carlos Loret de Mola, 2 de outubro de 2026); Expansión Política (1º de outubro de 2026); TV Azteca (2 de outubro de 2026); El Informador (2 de outubro de 2026). Taxas de câmbio: open.er-api.com, 2 de outubro de 2026.


