Acusação de suborno na eleição de Mariaca na Bolívia

O governo da Bolívia levantou sérias acusações nesta sexta-feira, alegando que a eleição de Roger Mariaca para o cargo de Procurador-Geral foi orquestrada através do pagamento de subornos a membros do Legislativo. A declaração partiu do porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, que citou o caso como um exemplo da infiltração do “narco-terrorismo” em decisões políticas cruciais.

Gálvez fez as afirmações em uma coletiva de imprensa matinal, poucas horas antes de a Assembleia Plurinacional se reunir para debater a situação de Mariaca, que está detido sob custódia policial desde 30 de setembro. O porta-voz, no entanto, não apresentou evidências públicas que sustentassem suas alegações, e o advogado de Mariaca classificou as declarações como irresponsáveis.

Governo aponta “narco-terrorismo” e subornos

José Luis Gálvez, porta-voz do Presidente Rodrigo Paz, afirmou que o “narco-terrorismo” alcançou um nível alarmante dentro de algumas instituições bolivianas. Segundo ele, essa influência chegou a financiar, mediante subornos, decisões políticas importantes, incluindo a seleção de autoridades. Gálvez detalhou que, de acordo com rumores e informações disponíveis, a eleição de Mariaca “foi gestada com subornos a alguns assembleístas”, o que indica um possível esquema de compra de votos.

As declarações, veiculadas por importantes veículos de comunicação como El Deber, Red Uno e Opinión, destacam a gravidade das acusações. El Deber, em sua manchete, apontou que o narco-terrorismo teria financiado a eleição de Mariaca. Gálvez também alertou sobre o ressurgimento de planos para “comprar votos com dinheiro do narcotráfico”, visando manter um esquema que, segundo ele, “era amigo de Marset”, o traficante de drogas uruguaio Sebastián Marset.

O porta-voz presidencial instou os parlamentares a suspenderem temporariamente Mariaca e outros funcionários sob investigação, enquanto os processos legais correm. Ele enfatizou a importância da sessão da Assembleia, classificando-a como “histórica” e pedindo uma decisão em vez de um debate prolongado sobre procedimentos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a pressão do governo visa acelerar a suspensão de Mariaca, que é acusado de liderar uma rede criminosa dentro do Ministério Público para proteger traficantes.

Defesa de Mariaca reage e questiona falta de provas

Jerjes Justiniano, advogado de Roger Mariaca, reagiu às declarações do porta-voz presidencial, classificando-as como “um tanto irresponsáveis”. Em declarações à emissora Unitel, Justiniano questionou por que o governo não apresentou suas queixas diretamente às autoridades competentes, em vez de fazer acusações públicas sem apresentar provas concretas. Ele descreveu as palavras de Gálvez como uma “ameaça velada” aos parlamentares que discordam da linha governamental.

Mariaca, por sua vez, nega veementemente as acusações de ter recebido subornos para proteger traficantes, incluindo uma alegação feita pelos Estados Unidos em 28 de setembro. Ele e outros dois procuradores seniores entraram com um pedido de “habeas corpus” contra o Presidente Paz, buscando a sua libertação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o caso Mariaca levanta questões sobre a lentidão dos processos criminais na Bolívia, mesmo quando a liderança do serviço de promotoria está em disputa.

Assembleia debate, mas entra em recesso

A Assembleia Plurinacional iniciou sua sessão às 10h25, sob a presidência do senador Diego Ávila, pois o vice-presidente Edmand Lara estava em viagem pela Espanha. Três ministros estiveram presentes: Fernando Aramayo (Presidência), Ernesto Justiniano (Defesa) e Marco Antonio Oviedo (Governo). No entanto, pouco antes das 11h, os parlamentares exigiram relatórios escritos, e a sessão entrou em recesso, conforme noticiado pela Unitel.

A deputada Sandra Rivero argumentou que relatórios verbais não seriam suficientes, transformando a sessão em um “bate-papo informal”. A pauta incluía a apresentação de relatórios oficiais sobre a prisão de Mariaca e possíveis ações legislativas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de documentos formais e a exigência de provas concretas levaram à paralisação temporária dos trabalhos legislativos. Até o meio-dia, não havia decisão sobre a suspensão de Mariaca ou a nomeação de um chefe interino para o Ministério Público.

O que ainda não se sabe

José Luis Gálvez não nomeou nenhum parlamentar supostamente envolvido no esquema de subornos, nem especificou os valores. Ele se baseou em “rumores” e informações não detalhadas, e nenhum promotor anunciou oficialmente uma investigação sobre suborno. Uma câmara constitucional em La Paz negou o pedido de liberdade do procurador Martín Irusta na manhã de sexta-feira, mas o pedido de Mariaca ainda não havia sido julgado ao meio-dia. Nenhuma corte apresentou acusações formais contra Mariaca, e a sessão da Assembleia permaneceu em recesso. A incerteza sobre os próximos passos e a falta de evidências concretas adiam qualquer resolução sobre o futuro da chefia do Ministério Público boliviano.