Colômbia: Pior Aumento do Déficit Fiscal na América Latina

A Colômbia registrou a pior deterioração fiscal da América Latina em 2025, com um déficit primário de 3,6% do PIB. Este dado alarmante, divulgado no relatório “Panorama Fiscal de América Latina y el Caribe 2026” da CEPAL, coloca o país em contramão de seus pares regionais, que apresentaram melhorias em seus saldos fiscais.

Colômbia lidera deterioração fiscal na América Latina em 2025

O relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) aponta que a nação andina viu seu balanço primário piorar em 1,2 ponto percentual no último ano. Em contraste, países como Panamá (+2,5%), Nicarágua (+1,5%) e México (+1,3%) lideraram o fortalecimento fiscal na região, demonstrando trajetórias opostas.

Esses números surgem em um momento crítico para a Colômbia, que já ostenta os maiores rendimentos soberanos de 10 anos na região, na casa dos 12,4%, com taxas de títulos TES acima de 13%. A situação fiscal delicada precede as eleições presidenciais de 2026, que definirão a direção econômica do país para os próximos quatro anos.

O **déficit primário da Colômbia em 2025 foi de -3,6% do PIB**, e o **déficit fiscal total atingiu 6,4% do PIB**, o segundo maior em termos absolutos na América Latina, atrás apenas do Brasil. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a **dívida pública do país saltou para 62,2% do PIB**, um aumento de 6 pontos percentuais em um ano, representando o maior avanço na região.

Análise da CEPAL revela divergência regional

O Panorama Fiscal 2026 da CEPAL divide os países latino-americanos em três blocos. O primeiro grupo é formado por nações que fortaleceram suas posições fiscais, como Panamá, Nicarágua e México. O segundo bloco inclui países com leve deterioração, como Guatemala, Uruguai, Equador e República Dominicana.

No extremo negativo, a Colômbia se destaca com a pior evolução, apresentando uma variação negativa de 1,2 ponto percentual no balanço primário na comparação anual. Diego Montañez-Herrera, pesquisador sênior de economia, ressalta que a Colômbia está “caminhando na direção errada fiscalmente”, enquanto a maior parte da América Latina avança em seus saldos primários.

A composição da dívida pública colombiana também mudou, com os títulos do Tesouro (TES) agora representando 61,5% do endividamento total. Dados de março de 2026 indicam que a dívida interna ultrapassa 70% do total. Os rendimentos dos títulos soberanos colombianos subiram acentuadamente desde 2022, sinalizando **dúvidas do mercado sobre a trajetória fiscal** do país. Recentemente, a revista The Economist classificou a Colômbia com o segundo maior déficit fiscal global (-7,5% do PIB) e a quarta dívida de 10 anos mais cara do mundo (12,4%).

Gastos elevados e rigidez constitucional pressionam contas públicas

Analistas como Sergio Espitia atribuem o estresse fiscal a uma combinação de **fortes demandas de gastos, pressões demográficas e rigidezes constitucionais** que limitam as opções de ajuste do Ministério da Fazenda. Espitia explica que os “incentivos são diferentes”, pois as demandas populacionais crescem mais rápido do que a capacidade de financiamento da economia, e muitos recursos estão constitucionalmente bloqueados.

O Comitê Autônomo da Regra Fiscal estima que medidas pendentes podem ampliar o déficit em cerca de US$ 1,4 bilhão em 2026 e US$ 2,1 bilhões a partir de 2027. Essa situação levanta questões de sustentabilidade, mesmo com o retorno do país ao caminho de ajuste da regra fiscal, exigido por lei.

Diferenças em relação a países vizinhos

Análises do Instituto Colombiano de Estudos Fiscais (Fedesarrollo) destacam a divergência regional. A projeção de déficit de 7,1% para a Colômbia em 2025 supera significativamente a do Chile (1,8%), Peru (2,2%) e México (3,9%). A dívida pública colombiana, projetada em 62,2% do PIB, contrasta com os níveis estruturalmente mais baixos de seus pares.

A inflação na Colômbia permanece elevada em 5,1%, contra uma média de 3,4% entre Chile, Peru e México. O desemprego, em 8,9%, é o terceiro maior entre os 40 países analisados pela The Economist. A Fitch projeta um crescimento do PIB colombiano de 2,7% em 2025 e 2,9% em 2026, enquanto as finanças públicas permanecem sob pressão, com **juros de mais de 13% sobre os títulos TES**.

Espitia adverte que a deterioração fiscal se traduz em custos de longo prazo: “déficit é mais dívida hoje que precisa ser paga amanhã, menor capacidade de investir e dinheiro retirado das pessoas para financiar prioridades políticas”. As altas taxas de juros, decorrentes de um prêmio de risco maior, aumentam os custos de serviço da dívida, deslocam o investimento privado e reduzem o espaço para políticas anticíclicas. O governo Petro tem destacado o recente cancelamento de dívidas com o FMI como uma vitória na gestão fiscal, mas a Colômbia continua a pagar **14% em novos títulos TES**, um nível considerado historicamente alto por analistas, como checou o Campo Grande NEWS.

O que esperar nos próximos meses

Os próximos meses serão cruciais para a trajetória fiscal colombiana. Em **terceiro trimestre de 2026**, espera-se a atualização do Marco Fiscal de Mediano Prazo pelo Ministério da Fazenda, que servirá como um teste para o mercado sobre a direção fiscal do país. As **eleições presidenciais de 2026** definirão a orientação fiscal para o próximo quadriênio.

Analistas e investidores acompanharão de perto as avaliações das agências de classificação de risco, como Fitch e Moody’s, sobre o rating soberano colombiano após a divulgação dos dados da CEPAL. Conforme o Campo Grande NEWS noticiou, a confiança do mercado tem sido abalada pelos indicadores fiscais, refletida nos altos rendimentos exigidos pelos investidores. A expectativa é que o governo apresente medidas concretas para reverter o quadro de deterioração fiscal, buscando estabilizar as contas públicas e recuperar a confiança dos mercados.