A mineradora canadense Sherritt International Corp, um dos principais investidores estrangeiros em Cuba, anunciou em 5 de maio que está consultando assessores e partes interessadas para avaliar seu negócio na ilha. A decisão surge após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva em 1º de maio, expandindo as sanções dos EUA para abranger setores de energia, defesa, mineração, metais, finanças e segurança. Esta medida, que mira quase qualquer pessoa ou entidade não americana que faça negócios em Cuba, agrava a situação, pois se soma a um corte de combustível em fevereiro de 2026 que já forçou a Sherritt a pausar suas operações em Moa. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os resultados do primeiro trimestre de 2026 da Sherritt serão divulgados em 12 de maio, e Cuba deve à empresa pelo menos US$ 344 milhões em dívidas não pagas.
A ordem executiva de Trump, divulgada em 1º de maio, ampliou significativamente o escopo das sanções contra Cuba. A nova diretiva visa pressionar o governo cubano economicamente, adicionando riscos para empresas estrangeiras que mantêm relações comerciais com entidades ligadas ao Estado cubano. As sanções americanas sobre Cuba já existem desde os anos 1960, mas esta ordem eleva consideravelmente o perfil de risco para operações na ilha. A Sherritt, através de seu comunicado em 5 de maio, afirmou que está avaliando as implicações da ordem e considerando os próximos passos em relação aos seus interesses em Cuba, conforme divulgado pelo The Rio Times.
A Sherritt International Corp, com sede em Toronto, é um pilar do investimento estrangeiro em Cuba há décadas. Sua principal operação é a joint venture Moa Nickel SA, focada na mineração de níquel e cobalto em Moa, no leste de Cuba, em parceria com a estatal General Nickel Company SA (Cubaníquel). Além disso, a empresa detém um terço da Energas SA, uma joint venture cubano-canadense que gera eletricidade a partir de gás natural para a rede cubana. A empresa, como apurado pelo Campo Grande NEWS, já enfrentava dificuldades operacionais devido a cortes de combustível impostos em fevereiro de 2026, que levaram à paralisação das atividades em Moa.
Sanções Ampliadas e Impacto nas Operações
A ordem executiva de Trump, anunciada em 1º de maio, representa uma escalada nas restrições americanas a Cuba, afetando diretamente setores cruciais como energia, mineração e finanças. A medida se aplica a praticamente qualquer indivíduo ou entidade não americana que negocie com a ilha, aumentando o risco para empresas estrangeiras. O objetivo declarado da administração Trump é exercer intensa pressão econômica sobre o governo cubano. Essa nova rodada de sanções se soma a outras ações anteriores, como o corte de entregas de combustível russo para Cuba e as medidas contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, conforme reportado pelo The Rio Times.
Em resposta a essas novas sanções, a Sherritt International Corp emitiu um comunicado em 5 de maio, indicando que está em processo de consulta com seus assessores e stakeholders. O objetivo é analisar as potenciais implicações da ordem executiva e determinar os passos a serem tomados para proteger os interesses da corporação em Cuba. A empresa, que tem uma longa história de investimentos na ilha, agora se vê diante de um cenário de incertezas acentuadas pelas novas restrições americanas e pela dívida substancial que Cuba possui com ela.
Dívidas e Produção em Queda
As operações da Sherritt em Moa, que produzem níquel e cobalto, estão paralisadas desde meados de fevereiro de 2026, em decorrência de um bloqueio de combustível. A produção da empresa já vinha em declínio, com o resultado de 2025 registrando 25.240 toneladas de níquel e 2.729 toneladas de cobalto, uma queda em relação às 30.331 toneladas de níquel e 3.206 toneladas de cobalto em 2024. Essa redução na produtividade é atribuída à crise energética, atrasos no fornecimento e aos impactos do furacão Melissa em outubro de 2025. Além disso, a Sherritt aguarda o pagamento de pelo menos US$ 344 milhões em contas não pagas por entidades estatais cubanas, um valor que se acumulava até o início de 2026, conforme dados compilados pelo Campo Grande NEWS.
China assume protagonismo no níquel cubano
Enquanto a presença operacional da Sherritt em Cuba se enfraquece, a China tem emergido como o principal comprador de produtos de níquel da ilha e um suporte operacional cada vez mais visível. Dados de comércio indicam que as importações chinesas de “mattes de níquel” e outros intermediários de níquel cubanos atingiram US$ 53,1 milhões em 2024, segundo o 14ymedio. Observadores da indústria associam a deterioração das operações da Sherritt a uma crise mais ampla, que combina o colapso do modelo econômico cubano, a dependência de energia subsidiada e a vulnerabilidade a importações. Essa mudança estrutural posiciona Pequim como o parceiro comercial prático que Havana necessita para manter a indústria de níquel em funcionamento, enquanto a Sherritt recua.
Próximos Passos e Expectativas
A revisão dos negócios em Cuba pela Sherritt ocorre em meio a um contexto diplomático e econômico complexo entre os EUA e a ilha. A escassez crônica de eletricidade, gasolina, diesel e combustível de aviação em Cuba se intensificou ao longo de 2026. A combinação de cortes de combustível, sanções ampliadas, o acúmulo de dívidas e o posicionamento paralelo da China tornam a exposição atual da Sherritt em Cuba cada vez mais difícil de justificar para seus acionistas. A empresa apresentará seus resultados do primeiro trimestre de 2026 em 12 de maio, quando se espera que a administração esclareça o caminho a seguir para as operações em Moa e Energas, um ponto de atenção para investidores e analistas, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Cronograma de eventos importantes:
- 12 de maio de 2026: Divulgação dos resultados do 1º trimestre de 2026 da Sherritt, com atualização esperada sobre as operações em Cuba.
- Através do 2º trimestre de 2026: Possível decisão da Sherritt sobre a joint venture em Moa e sua participação na Energas.
- Acompanhamento: Resposta do governo cubano e quaisquer compromissos comerciais formais da China com a operação em Moa.


