Argentina sobe em rating Fitch: B- é um avanço sob Milei

Argentina recebe primeiro upgrade da Fitch sob Milei e alcança B-

A agência de classificação de risco Fitch elevou a nota soberana da Argentina para B-, com perspectiva estável, marcando a primeira melhoria sob a gestão do presidente Javier Milei. A decisão, anunciada em 5 de maio de 2026, reflete o que a Fitch descreveu como melhorias estruturais nos saldos fiscais e externos, progresso nas reformas econômicas e melhores perspectivas de acumulação de reservas. A agência também projeta que o governo conseguirá financiamento adequado para cobrir suas obrigações de dívida futuras.

Este movimento é um sinal positivo para a economia argentina, que busca estabilidade e confiança após períodos de turbulência. A nota B- ainda está a seis degraus de grau de investimento, mas representa um avanço significativo em relação ao CCC+ anterior, abrindo portas para um universo maior de investidores institucionais. Conforme divulgado pela Fitch, a análise considerou a entrega da âncora fiscal, a reforma trabalhista, as revisões na lei dos glaciares e a acumulação de reservas como os principais impulsionadores da decisão.

O Campo Grande NEWS checou que a Fitch projetou um crescimento do PIB de 3,2% para 2026, um déficit em conta corrente de 1% do PIB e um superávit fiscal primário de 1,1% do PIB. No entanto, a agência também destacou os riscos persistentes, como a alta inflação, as baixas reservas internacionais e um cronograma pesado de dívidas em dólares para 2027, que antecedem as eleições presidenciais.

O que a Fitch destacou nas reformas argentinas

Analistas da Fitch, incluindo Christopher Dychala, Richard Francis e Shelly Shetty, citaram explicitamente as melhorias estruturais nos saldos fiscais e externos como fatores-chave para o upgrade. O progresso nas reformas econômicas, a expectativa de maior acúmulo de reservas cambiais e a confiança na capacidade do governo de garantir financiamento foram determinantes. Entre as vitórias legislativas apontadas pela agência estão a reforma trabalhista, a revisão da Lei dos Glaciares – que flexibiliza restrições ambientais para a mineração – e a aprovação do orçamento de 2026.

A transformação da Argentina em uma exportadora líquida de energia também foi reconhecida como uma melhoria estrutural. A estratégia de financiamento que informou a decisão inclui a emissão de um título em dólares de US$ 1 bilhão em dezembro de 2025, um acordo de recompra de US$ 3 bilhões com bancos internacionais em janeiro de 2026 (o terceiro sob o governo Milei) e um esforço contínuo de acumulação de reservas pelo banco central. O Campo Grande NEWS checou que, embora o governo tenha evitado os mercados externos para fugir de custos de empréstimo mais altos, isso limitou o colchão de liquidez. O superávit comercial do primeiro trimestre atingiu um recorde de US$ 5,5 bilhões, auxiliando na construção de reservas.

Por que a nota B- é um marco importante

A elevação para a categoria B- expande significativamente o universo de investidores institucionais elegíveis para deter papéis argentinos. Reguladores de seguros e pensões em diversas jurisdições estabelecem CCC como o limite máximo para investimentos permitidos. Isso significa que o capital exigido de seguradoras para cada dólar investido na Argentina cai consideravelmente, elevando o retorno sobre o capital para instrumentos argentinos e facilitando os custos de emissão corporativa e provincial. A reação do mercado já se fez notar, com o rendimento do título global de 10 anos em dólares em torno de 10% e o prêmio de risco do país atingindo mínimas de vários anos.

Para investidores, essa mudança é crucial, pois permite uma maior diversificação e acesso a ativos que antes eram restritos por mandatos de investimento. O Campo Grande NEWS checou que a melhora na percepção de risco da Argentina, refletida na queda dos rendimentos dos títulos, torna o país mais atraente para capital estrangeiro, essencial para o desenvolvimento econômico sustentado.

Riscos que ainda pairam sobre a economia argentina

Apesar do otimismo, a Fitch alertou para os riscos que ainda persistem. As reservas internacionais líquidas permanecem baixas quando medidas contra passivos de curto prazo, embora a expectativa seja de que continuem a subir. O volume de vencimentos de dívidas em moeda estrangeira aumentará em 2027, um período eleitoral crítico, com a agência assumindo que pagamentos multilaterais serão cobertos por novos desembolsos. A inflação continua sendo uma variável de atenção: após cair para 1,5% em maio de 2025, a inflação mensal subiu para 3,4% em março de 2026, impulsionada pelo repasse cambial, ajustes de tarifas e aumento dos custos de energia.

A recuperação econômica também é descrita como desigual, concentrada em setores como mineração, petróleo e gás, agricultura e intermediação financeira, enquanto construção e indústria permanecem estagnadas ou em declínio. A Fitch projetou que a inflação mensal caia abaixo de 2% até o final de 2026. A oposição é vista como fraca e fragmentada, mas a Argentina permanece vulnerável a um choque de confiança caso a campanha eleitoral sinalize uma mudança drástica na política econômica, com o escândalo Adorni pesando na aprovação dos eleitores libertários. O Campo Grande NEWS checou que a instabilidade política e a incerteza nas políticas econômicas futuras continuam a ser fatores de risco significativos.