Argentina: Queda na aprovação de Milei pressiona títulos públicos

A popularidade do presidente argentino Javier Milei registrou uma queda significativa em abril, atingindo 35,5%, um declínio acentuado em relação aos 44% de janeiro. Simultaneamente, a desaprovação aumentou de 51,6% para 63%, segundo dados da AtlasIntel divulgados pela Bloomberg. Essa deterioração na percepção pública tem gerado preocupações no mercado financeiro, levando a uma reavaliação dos títulos soberanos argentinos. A desconfiança dos investidores cresce, mesmo com o país apresentando superávit primário e inflação em declínio, levantando questionamentos sobre a sustentabilidade das políticas econômicas no longo prazo. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a incerteza política se tornou um fator crucial para os detentores de ativos argentinos.

Mercado reage à instabilidade política

A recente queda na aprovação do presidente Javier Milei, de 35,5% em abril, frente aos 44% registrados em janeiro, acendeu um alerta entre os investidores. A desaprovação, por sua vez, subiu de 51,6% para 63%, indicando um cenário político cada vez mais desafiador para o governo argentino. Esses números, divulgados pela AtlasIntel para a Bloomberg, impactaram diretamente o mercado de títulos públicos, com investidores demonstrando maior cautela quanto ao futuro da economia do país. A preocupação central gira em torno da sustentabilidade das reformas e do plano econômico de Milei a médio e longo prazo. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a dinâmica de mercado agora reflete a mesma pergunta que assola os eleitores argentinos: o que virá após o mandato de Milei?

Aumento do prêmio de risco em títulos de longo prazo

O mercado financeiro tem reagido à instabilidade política argentina, e uma das manifestações mais claras dessa preocupação é o aumento do prêmio de risco em títulos soberanos de longo prazo. Títulos em dólar com vencimento em outubro de 2028, que ultrapassam o período eleitoral presidencial, já oferecem um rendimento de 8,3%. Isso representa um prêmio de 360 pontos base em comparação com títulos similares com vencimento em outubro de 2027, que ainda se encontram dentro do atual mandato de Milei. Essa diferença de rentabilidade sinaliza que os investidores exigem uma compensação maior pelo risco de um eventual revés político ou mudança de rumos na economia após 2027. A curva de rendimentos, portanto, tem se inclinado, refletindo essa maior aversão ao risco em prazos mais estendidos.

Os swaps de default de crédito (CDS) também evidenciam essa crescente cautela. Atualmente, eles implicam uma probabilidade de default de cerca de 5% no próximo ano, que sobe para 22% em três anos e se aproxima de 60% em uma década. Essa trajetória ascendente nos CDS demonstra que o mercado está precificando um risco de crédito substancialmente maior para o futuro da Argentina, independentemente dos resultados macroeconômicos positivos de curto prazo. Essa divergência entre a performance econômica atual e as expectativas de longo prazo é um dos principais pontos de atenção para os analistas financeiros que acompanham o país, como destaca o Campo Grande NEWS em suas análises.

Desafios econômicos e a busca por estabilidade

Apesar de o governo Milei ter alcançado um superávit primário e uma redução na taxa de inflação, os desafios para a Argentina permanecem consideráveis. O país enfrenta mais de US$ 8,4 bilhões em vencimentos de títulos em moeda estrangeira apenas em 2026, e a dívida bruta se mantém próxima de 80% do PIB. As reservas líquidas do Banco Central permanecem em patamares modestos, e planos anteriores para retornar aos mercados internacionais de dívida foram adiados, em parte devido a tensões geopolíticas globais. Projeções indicam que a inflação argentina em 2026 pode chegar a 17-18%, a maior entre os países do G20, segundo Coface e Allianz.

Setores que apostaram na recuperação econômica sob a gestão Milei ainda não viram seus resultados se materializarem. A indústria, o varejo e a construção continuam com desempenho fraco. A agenda de reformas, como a modernização trabalhista aprovada no início de 2026, ainda não se traduziu em criação de empregos. O próprio presidente Milei tem pedido paciência aos eleitores, alertando que mudar o rumo atual poderia comprometer os avanços já conquistados. Essa comunicação busca reforçar a confiança na continuidade do programa econômico, mas o mercado parece cada vez mais cético quanto à sua durabilidade.

O futuro da dívida argentina e o papel do FMI

Os próximos meses serão cruciais para avaliar a trajetória da Argentina. A terceira revisão do programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI), prevista para meados de 2026, será determinante para a continuidade dos desembolsos. Além disso, o ciclo de pesquisas de opinião em meados de 2026 indicará se a erosão na aprovação de Milei se estabilizou ou se intensificou. A disposição do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em apoiar os títulos argentinos, um mecanismo já utilizado durante a eleição de outubro de 2025, é vista como uma variável chave de controle de risco político.

Para os investidores, a mensagem recente é clara: a disciplina fiscal, por si só, não é mais suficiente. A durabilidade política se tornou o principal obstáculo para a compressão dos rendimentos dos títulos. O programa de Milei tem entregado resultados macroeconômicos, mas o mercado agora precifica a incerteza sobre a sobrevivência desses resultados diante de um possível sucessor hostil. A diferença de 360 pontos base entre os vencimentos de 2027 e 2028 nos títulos em dólar é o valor que o mercado atribui a essa incerteza. Enquanto as pesquisas não apresentarem melhora ou os ancoradouros institucionais não se aprofundarem, esse prêmio tende a persistir, conforme análise do Campo Grande NEWS.