O Ibovespa operou em queda nesta terça-feira (28), cedendo 0,51% e fechando aos 188.618,69 pontos, em sua quinta sessão consecutiva de recuo. O índice chegou a tocar os 187.236,79 pontos durante o pregão, perigosamente perto da linha de suporte Kijun/Tenkan em 187.197 pontos, um nível técnico crucial. Uma recuperação no final do pregão evitou um rompimento que poderia ter levado o índice a perdas ainda maiores. A alta expressiva do petróleo, superando os US$ 110 o barril, e a iminente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed) adicionam camadas de incerteza ao cenário.
Conforme informação divulgada pelo The Rio Times, o dia foi marcado pela volatilidade, com o índice chegando a cair 5,05% desde seu pico histórico. A possibilidade de o Ibovespa romper o suporte técnico do Kijun pairou no ar, com vendedores dominando desde as primeiras negociações do dia. O fechamento da terça-feira, a apenas 40 pontos do nível crítico, sugere que o mercado está precificando um cenário de maior cautela, enquanto aguarda os desdobramentos econômicos.
O salto do petróleo para acima de US$ 110 o barril, o maior valor desde o início do conflito na Europa Oriental, é um dos principais fatores de tensão. As negociações entre EUA e Irã estagnadas e o retorno da chamada “guerra de prêmios” no preço do petróleo intensificaram essa alta. Essa escalada nos preços da commodity tem implicações diretas na inflação brasileira e nas expectativas de política monetária do Banco Central.
O Ibovespa quase rompeu um suporte técnico vital, o Kijun, tocando os 187.236,79 pontos, apenas 40 pontos acima da linha de 187.197. Essa proximidade com o suporte, um nível que o mercado acompanha de perto há duas semanas, gerou apreensão entre os investidores. A recuperação tardia pode indicar a presença de compradores em níveis mais baixos, mas a sustentação desse suporte será crucial para os próximos movimentos do índice. O Campo Grande NEWS checou que a linha Kijun representa um ponto de inflexão importante para o mercado.
Petróleo em alta pressiona inflação e Copom
O salto de 4% do petróleo para acima de US$ 110 o barril, impulsionado pela estagnação nas negociações EUA-Irã e pelo retorno do prêmio de risco, alterou significativamente o cálculo para a política monetária brasileira. Essa valorização, a maior desde os primeiros dias do conflito, impacta diretamente os preços dos combustíveis no Brasil, que não sofrem reajuste há 88 dias para a gasolina. O Campo Grande NEWS apurou que essa defasagem eleva as expectativas de inflação (IPCA), que já se encontram acima do teto da meta, em 4,86%.
A consequência direta dessa pressão inflacionária é a redução da margem para cortes mais agressivos na taxa de juros. Uma possível alta de 50 pontos base na Selic, que antes era considerada sob certas condições, como a queda do petróleo, agora está fora de cogitação. A XP, que havia sinalizado essa possibilidade em cenários de petróleo em baixa, agora revisa suas projeções, indicando um cenário mais restritivo para o Copom.
A Superquarta, dia que concentra as decisões do Copom e do Fed, torna-se o foco principal do mercado. O Federal Reserve, nos Estados Unidos, é amplamente esperado que mantenha suas taxas de juros inalteradas. No entanto, a atenção se volta para o Copom, que deve anunciar um corte de 25 pontos base, levando a taxa Selic para 14,50%. A comunicação que acompanhará a decisão será crucial para as expectativas futuras.
Indicadores técnicos mostram fraqueza, mas dólar resiste
Os indicadores técnicos do Ibovespa pintam um quadro de fraqueza. O MACD histograma aprofundou para -1.041,55, ultrapassando a marca de -1.000 pela primeira vez, sinalizando aceleração da tendência de baixa. Paralelamente, o RSI sinal caiu para 46,11, ficando abaixo de 50 e divergindo significativamente do RSI principal (62,47). Essa queda do RSI sinal abaixo de 50 confirma a reversão formal da momentum para território baixista.
Em contraste, o dólar manteve-se estável em R$4,9758, sem apresentar a volatilidade esperada em dias de queda expressiva do Ibovespa e alta do petróleo. Essa resiliência do real, mesmo com a deterioração do cenário de risco, é atribuída a fatores estruturais, como a taxa Selic em 14,75% e os fluxos estrangeiros de R$68 bilhões. O Campo Grande NEWS, em análise, aponta que essa firmeza cambial tem sido um pilar de sustentação em meio à turbulência.
A resistência do dólar, apesar dos ventos contrários, pode ser explicada pela atração do carry trade e pelo fluxo de capital estrangeiro. A taxa de juros brasileira, ainda elevada, continua a atrair investidores em busca de retornos mais altos. Além disso, o Brasil se beneficia de ser um exportador líquido de petróleo, o que pode oferecer algum suporte à moeda em momentos de alta da commodity.
O que esperar da Superquarta e dos próximos dias
A Superquarta é o ponto de inflexão para o mercado. O Ibovespa, após testar o suporte Kijun, aguarda as decisões de política monetária. A decisão do Copom, após o fechamento da B3, definirá o tom para a sessão de quinta-feira. O Fed, com sua decisão mais cedo, já pode influenciar o comportamento do mercado durante o pregão.
O preço do petróleo a US$ 110 é o principal “wildcard”. Qualquer sinal de avanço nas negociações de cessar-fogo pode derrubar o petróleo e reverter o cenário. Por outro lado, uma escalada no conflito pode impulsionar o petróleo para US$ 115-120, tornando o rompimento do Kijun uma probabilidade ainda maior. O Campo Grande NEWS ressalta que a dinâmica do mercado é altamente sensível a esses eventos externos.
A divulgação de resultados de empresas como a Vale e a Petrobras também adicionam volatilidade. A Vale reporta seus resultados do primeiro trimestre nesta quarta-feira, com os números sendo cruciais em meio à fraqueza do minério de ferro e às dúvidas sobre a demanda chinesa. A Petrobras, por sua vez, enfrenta o desafio do aumento da defasagem nos preços dos combustíveis.
O cenário é de crise, mas não de colapso. A diferença crucial reside na decisão do Copom. Se o comunicado sinalizar a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, mesmo que com cautela, o Kijun pode se firmar como piso para uma recuperação. Contudo, um comunicado mais duro, que aponte os riscos inflacionários do petróleo e do IPCA, pode levar ao rompimento do suporte e à busca pelo próximo nível de 183.263 pontos.
O viés predominante é de bearish (baixa), mas o suporte Kijun em 187.197 pontos, testado e segurado por 40 pontos, oferece um raio de esperança. A correção de cinco dias tem sido relativamente ordenada, com o dólar mantendo a calma e o Kijun absorvendo a pressão vendedora. A vela em formato de martelo formada no final do pregão pode indicar exaustão dos vendedores. A Superquarta será o teste definitivo, onde o Copom terá a missão de equilibrar a inflação com a necessidade de estimular a economia.


