BRB: Distrito Federal precisa de R$ 5,3 bilhões para não perder controle do banco

O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma encruzilhada financeira que exige uma mobilização de recursos sem precedentes do Governo do Distrito Federal (GDF). Acionistas aprovaram um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, uma manobra necessária para cobrir perdas significativas decorrentes da aquisição de carteiras de crédito do liquidado Banco Master. A questão crucial é que o GDF, controlador da instituição, precisa injetar aproximadamente R$ 5,3 bilhões para evitar a diluição de sua participação majoritária, um montante que supera o superávit fiscal de 2023 e para o qual não há previsão orçamentária.

Esta recapitalização, a maior de um banco estatal brasileiro em mais de duas décadas, estabelece um prazo apertado de 29 de maio para que o Distrito Federal apresente uma solução. A governadora Celina Leão tem negado categoricamente a privatização do BRB, e o governo federal, sob Lula, também sinalizou que não federalizará o banco. Diante desse cenário, as opções se estreitam para a busca de um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), lastreado em imóveis da Terracap, securitização da dívida ativa e venda de ativos apreendidos do Banco Master.

O desafio bilionário para o Distrito Federal

A aprovação do aumento de capital pelo BRB, em assembleia extraordinária realizada em 22 de abril, eleva o capital social autorizado de R$ 2,34 bilhões para até R$ 11,15 bilhões. Desse montante, o GDF, detentor de 53,71% das ações, tem a responsabilidade de subscrever cerca de R$ 5,3 bilhões para manter sua posição de controle. A situação fiscal do Distrito Federal é um dos principais obstáculos, uma vez que o superávit de R$ 2,6 bilhões registrado em 2023 é inferior à metade do valor necessário, e o orçamento para 2026 não contempla tal despesa.

A governadora Celina Leão tem se posicionado firmemente contra a privatização do BRB, considerando-a politicamente inviável a poucos meses do fim de seu mandato. Da mesma forma, o governo de Lula descarta a federalização do banco, evitando assumir um passivo herdado da gestão anterior. Essas negativas concentram a pressão sobre a administração distrital, que agora precisa encontrar alternativas financeiras criativas e ágeis para honrar seu compromisso.

Alternativas de financiamento em jogo

As principais vias de captação de recursos para o GDF passam por um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Este empréstimo foi autorizado em março pela Câmara Legislativa, permitindo que imóveis do Distrito Federal fossem utilizados como garantia. No entanto, fontes indicam que o valor avaliado dos imóveis oferecidos pode não ser suficiente para satisfazer as exigências do FGC, o que tem levado a negociações intensas entre a governadora, o presidente do BRB e representantes do fundo.

Outra frente de financiamento considerada é a securitização da dívida ativa do Distrito Federal, que consiste em antecipar a arrecadação de tributos devidos ao governo. Embora essa modalidade possa gerar caixa rapidamente, o deságio exigido pelos investidores em títulos de cobrança de impostos, que possuem sensibilidade política, tende a ser considerável. Uma terceira opção envolve a venda acelerada de ativos mais saudáveis adquiridos do Banco Master, como participações em minerais de terras raras e um hotel de luxo em São Paulo, conforme mencionado pela governadora.

O escândalo do Banco Master e suas consequências

O pano de fundo que intensifica a urgência fiscal é a investigação criminal em andamento sobre como o BRB acumulou as perdas que levaram à necessidade desta capitalização. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está preso preventivamente desde 16 de abril, sob suspeita de envolvimento em um esquema de propina de R$ 146,5 milhões relacionado às aquisições do Banco Master. A Segunda Câmara do Supremo Tribunal de Justiça votou pela manutenção de sua prisão, aguardando decisões adicionais.

Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, também esteve sob custódia policial, tendo sido hospitalizado após apresentar problemas de saúde. A defesa sinaliza a possibilidade de solicitar prisão domiciliar caso surjam diagnósticos mais graves. O caso do Banco Master, portanto, não apenas impacta as finanças do Distrito Federal, mas também levanta sérias questões sobre a integridade e a governança no setor bancário.

Lições para investidores e o futuro do BRB

O episódio do BRB serve como um alerta para investidores internacionais sobre os riscos concentrados em bancos estatais subnacionais, que nem sempre são refletidos em suas classificações de crédito. O Distrito Federal possui uma boa nota de crédito, mas a contingência que se materializou com a recapitalização do banco consome sua capacidade de endividamento incremental. Conforme o Campo Grande NEWS checou, dinâmicas semelhantes em outros bancos públicos brasileiros podem exigir uma reavaliação dos riscos.

Amanhã, o prazo de 29 de maio definirá o caminho a ser seguido, mas a complexidade da situação sugere que os desafios para o BRB e para o Distrito Federal estão longe de terminar. A gestão dos ativos herdados do Banco Master e a necessidade de reconstruir a confiança no banco estatal serão tarefas árduas para a próxima administração distrital, que herdará um passivo financeiro considerável. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a resolução desta crise terá reflexos duradouros na economia local e na percepção do mercado sobre a gestão financeira do Distrito Federal.