Ataques a minas de ouro no Sudão: mais de 200 mortos em bombardeios, dizem garimpeiros

Garimpeiros sudaneses relatam uma tragédia chocante perto da fronteira com o Egito, afirmando que ataques aéreos em minas de ouro tradicionais na região de North Wadi, no sábado, 10 de outubro, teriam resultado na morte de mais de 200 pessoas. As informações, divulgadas primeiramente por veículos de imprensa sudaneses como o Sudan Tribune, indicam que mísseis atingiram acampamentos e poços de mineração, causando o colapso de algumas estruturas e deixando centenas de feridos. A escassez de recursos médicos e a dificuldade de acesso à área remota podem fazer o número de vítimas aumentar, segundo relatos.

Esses relatos contrastam com as primeiras informações que falavam em dezenas de mortos. O grupo Tasis, uma aliança liderada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) de Mohamed Hamdan Dagalo, também conhecido como Hemedti, ecoou o número de mais de 200 mortos e um grande número de feridos. Por outro lado, o grupo de direitos humanos Emergency Lawyers apresentou um número preliminar menor, de 72 mortos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, tanto os sobreviventes quanto o Tasis e o Emergency Lawyers apontam o dedo para aeronaves militares egípcias, levantando sérias questões sobre a atuação do Egito no conflito que assola o Sudão desde abril de 2023.

As autoridades egípcias, no entanto, negam qualquer envolvimento, afirmando que suas operações de segurança se restringem ao território egípcio. A falta de confirmação oficial por parte de governos sudaneses ou egípcios e a ausência de reivindicação pelos ataques deixam a situação em um limbo de incertezas, mas com acusações graves pairando no ar. A disputa sobre a localização exata das minas, com patrulhas egípcias alegando que a área pertence ao Egito, adiciona mais uma camada de complexidade ao incidente.

Acusações Graves e Negação Egípcia

Sobreviventes dos ataques às minas de ouro em North Wadi, Sudão, relataram ao Sudan Tribune que mais de cinco mísseis atingiram os acampamentos e os locais de extração do minério. Alguns dos poços teriam desabado, prendendo garimpeiros e causando um número devastador de mortos e feridos. Um dos sobreviventes, citado pelo veículo, afirmou que o número de mortos ultrapassa 200 pessoas, com centenas mais feridas, algumas em estado grave. O acesso à área remota e a escassez de cuidados médicos dificultam o resgate e a contagem precisa das vítimas.

O Tasis, coalizão liderada pelas RSF, também atribuiu a responsabilidade pelos ataques a aeronaves militares egípcias. Radio Dabanga, uma emissora sudanesa, reportou que o Tasis divulgou um comunicado culpando o Egito. Essa acusação ganha força com relatos de garimpeiros que afirmam ter visto aeronaves e equipamentos pesados cruzando a fronteira. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o Egito, um parceiro próximo dos Estados Unidos em segurança, tem reiterado que suas operações militares ocorrem estritamente dentro de suas fronteiras.

O Valor Estratégico do Ouro Sudanesês

As minas de ouro na região de North Wadi, especialmente o depósito conhecido como Al-Ogaidat, atraíram milhares de garimpeiros nos últimos meses. O ouro é um dos principais produtos de exportação do Sudão e uma fonte crucial de moeda forte, especialmente durante o conflito em curso entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido desde abril de 2023. A riqueza mineral da região, que também inclui ferro e prata, torna esses locais alvos de grande interesse e, possivelmente, de disputas.

Este não seria o primeiro ataque na área. Em junho, ataques aéreos na mesma região de North Wadi teriam resultado na morte de mais de 50 pessoas, conforme noticiado pela Radio Dabanga. A recorrência desses incidentes levanta sérias preocupações sobre a segurança dos trabalhadores e a soberania territorial do Sudão, em meio a um conflito interno complexo e com interferências externas.

Implicações Internacionais e o Papel dos EUA

Um envolvimento egípcio confirmado em ataques letais dentro do Sudão teria implicações significativas para as relações internacionais. O Egito é um dos principais receptores de ajuda militar dos Estados Unidos, recebendo mais de US$ 50 bilhões em assistência desde 1978, de acordo com o Departamento de Estado. Qualquer comprovação de ataques a civis sudaneses por parte do Egito poderia gerar questionamentos no Congresso americano sobre o uso dessa ajuda e complicar os esforços dos EUA para mediar o fim do conflito no Sudão.

Os Estados Unidos já sancionaram os líderes de ambos os lados do conflito sudanês, o chefe do exército Abdel Fattah al-Burhan e o líder das RSF Mohamed Hamdan Dagalo. Além disso, o Departamento de Estado mantém o Sudão em seu nível mais alto de alerta de viagem, o nível 4, com a recomendação de “Não Viajar”. Para empresas que compram ouro africano, os ataques servem como um alerta para a necessidade de verificar a origem do metal e garantir que ele não provenha de minas em zonas de conflito.

O Que Ainda Não Se Sabe

Apesar dos relatos chocantes, o número exato de mortos nos ataques às minas de ouro sudanesas permanece não confirmado por nenhuma autoridade local ou hospitalar. Enquanto sobreviventes e o grupo Tasis apontam para mais de 200 vítimas fatais, o Emergency Lawyers apresenta um número preliminar de 72. A identidade dos responsáveis pelos voos e a autoria dos ataques ainda são desconhecidas, e nenhum governo assumiu a responsabilidade. A localização precisa das minas também é um ponto de discórdia, com alegações egípcias de que a área pertence ao Egito, enquanto grupos sudaneses a situam dentro de seu território. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de transparência e a disputa territorial adicionam camadas de complexidade a este trágico evento.