A campanha para o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcada para 25 de outubro, ganhou contornos definidos nesta segunda-feira (5), após o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, sair na frente no primeiro turno. Em declaração enfática, Flávio saudou o que chamou de “fim da era PT”, referindo-se ao Partido dos Trabalhadores do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
Por outro lado, Lula admitiu que o resultado do primeiro turno foi inesperado e apresentou seu plano de recuperação, que inclui a mobilização de eleitores que não compareceram às urnas e a busca pelo apoio do empresariado, com destaque para a atuação de seu vice, Geraldo Alckmin. As movimentações e declarações de ambos os lados definem o tom para as próximas três semanas de disputa acirrada.
Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) finalizou a contagem em 02:58 de Brasília na segunda-feira, com Flávio Bolsonaro obtendo 47,03% dos votos válidos, totalizando 56,1 milhões de eleitores. Lula ficou com 45,16%, somando 53,9 milhões de votos, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos e 1,87 ponto percentual.
A disputa presidencial no Brasil, que decidirá o rumo do país em termos de gastos, comércio e relações institucionais, permanece em aberto até a noite de 25 de outubro. A questão de qual lado os candidatos Augusto Cury e Ronaldo Caiado, que juntos representaram cerca de 5% do eleitorado, irão apoiar ainda não está definida, embora Romeu Zema já tenha se posicionado contra o PT, conforme o Campo Grande NEWS checou.
Flávio Bolsonaro celebra “fim da era PT” e mira no Judiciário
Em entrevista coletiva em seu quartel-general de campanha em Lago Sul, Brasília, por volta das 21:30 de domingo, Flávio Bolsonaro declarou, segundo o SBT News, que “o fim da era PT está decretado”. Ele classificou o resultado como um “voto de confiança” de quase 56 milhões de brasileiros, conforme reportado pelo Poder360, estabelecendo o tom de sua campanha para o segundo turno: a necessidade de mudança no país.
Flávio também direcionou suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta corte do Brasil. Ele sugeriu que seu governo poderia nomear pelo menos quatro ministros “que não tentarão interferir nas eleições”, conforme suas declarações, citadas pelo Poder360 e SBT News. Ele ainda comentou que Lula, em sua sétima candidatura presidencial, “está preocupado com o poder”, de acordo com o SBT News e Poder360.
Reiterando sua promessa de cumprir um único mandato, Flávio afirmou: “Eu só preciso de um mandato”, conforme divulgado pelo PlatôBR. A declaração de Flávio Bolsonaro sinaliza uma linha de campanha focada em contrastar sua visão com a do PT, buscando capitalizar o sentimento de renovação.
Lula reconhece surpresa e planeja virada com foco em abstenções
Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou a apuração em um hotel na Avenida Paulista, em São Paulo, na companhia de sua esposa, Janja, e ministros, segundo o Poder360. Ao falar com apoiadores, com Geraldo Alckmin ao seu lado, Lula admitiu que “o resultado é muitas vezes inesperado”, confessando que estava “convencido de que venceríamos no primeiro turno”, de acordo com o InfoMoney.
Ele descreveu a campanha de seu adversário como portadora de incertezas e de “um passado sombrio”, prometendo uma nova campanha focada apenas nos dois candidatos. “Eu sou muito bom no mata-mata”, declarou Lula, usando um termo futebolístico, conforme a CNN Brasil. Ele também enviou um aviso aos rivais, indicando que “na terça-feira, que os Bolsonaro se preparem”, e que a disputa estava agora em “prorrogação”.
A estratégia de Lula para o segundo turno visa conquistar os 33,5 milhões de eleitores que se abstiveram, o que representa 21,08% do eleitorado, conforme dados do TSE. Esse número de abstenções é cerca de 15 vezes maior que a diferença entre os candidatos, e atrair parte desses eleitores pode ser crucial para a vitória, como o Campo Grande NEWS analisou.
Para conquistar o setor empresarial, Lula conta com o apoio de Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo e com fortes laços com a indústria. Fontes da campanha indicaram à publicação argentina La Política Online que Alckmin será central na estratégia, promovendo a política industrial “Nova Indústria Brasil” para os industriais, incluindo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
“Temos que ir para o centro”, disse um oficial do PT à mesma publicação. O plano seria convocar os eleitores de Augusto Cury e adicionar aqueles que não votaram. Lula também sinalizou essa divisão de trabalho, afirmando que “o que está mais claro para mim e para o Alckmin é mostrar qual Brasil nós queremos construir”, segundo o InfoMoney.
Terceira Via se Dissolve, e Apoios se Movimentam
A chamada “terceira via”, que buscava oferecer uma alternativa a Lula e Bolsonaro, praticamente se desfez no primeiro turno. Nenhum candidato fora dos dois primeiros colocados alcançou 3% dos votos válidos, de acordo com a CartaCapital. Augusto Cury, psiquiatra e escritor, liderou essa parcela com 2,89%, seguido por Renan Santos (2,24%), Ronaldo Caiado (2,18%) e Romeu Zema (0,27%).
Romeu Zema já declarou seu posicionamento: “No segundo turno serei contra o PT, porque o PT é retrocesso”, afirmou, conforme o Terra. Augusto Cury declarou que manterá silêncio sobre os finalistas, enquanto Renan Santos recusou apoiar qualquer um dos lados. Ronaldo Caiado aguardará uma reunião com Gilberto Kassab, líder do PSD, para decidir.
Bruno Soller, da consultoria Real Time Big Data, apontou que os eleitores de Zema e Caiado tendem a votar em Flávio Bolsonaro. Já os eleitores de Cury, descritos como mais velhos e pobres, parecem mais alinhados com a base de Lula, segundo análise do InfoMoney.
O que esperar do segundo turno
Ambos os lados agendaram reuniões estratégicas em Brasília para esta segunda-feira. Lula convocou aliados para um encontro na capital, conforme noticiado pela CNN Brasil. Flávio convocou Tarcísio de Freitas, que foi reeleito governador de São Paulo no domingo, para Brasília, onde ele auxiliará no planejamento dos próximos passos, incluindo uma possível turnê nacional conjunta, conforme a CNN Brasil.
A campanha para o segundo turno, que ocorrerá em 25 de outubro, definirá quem assumirá a presidência em janeiro de 2027. A disputa está longe de ser decidida, com uma margem estreita entre os candidatos e uma parcela significativa de eleitores indecisos ou que não votaram no primeiro turno. A capacidade de cada campanha de mobilizar esses grupos será determinante para o resultado final, como o Campo Grande NEWS detalhou em sua cobertura.


