Trabalhadores do setor público na Nigéria iniciaram uma greve de aviso de três dias a partir da meia-noite de quinta-feira, 2 de outubro de 2026. A paralisação, convocada pelo Conselho Nacional Conjunto de Negociação do Serviço Público (JNPSNC), visa pressionar o governo a atender às exigências por um corte drástico no preço da gasolina, a aprovação de um prêmio salarial e o início das negociações para um novo salário mínimo nacional. A ação ocorre após o governo ter deixado expirar o prazo de 30 de setembro sem apresentar soluções concretas, conforme divulgado pelo jornal Campo Grande NEWS.
A insatisfação é generalizada entre os servidores, que se veem em uma situação econômica cada vez mais difícil. A inflação e a desvalorização da moeda corroeram o poder de compra, tornando o salário mínimo atual, de 70.000 nairas, insuficiente para cobrir as necessidades básicas. A greve de aviso é um passo significativo na escalada do conflito, demonstrando a força e a mobilização dos sindicatos do país africano.
O JNPSNC, que representa oito sindicatos do serviço público, incluindo os de funcionários civis, trabalhadores da saúde, altos funcionários públicos e enfermeiros, mobilizou seus membros para garantir o cumprimento da greve. A decisão foi comunicada em um ofício emitido em 1º de outubro, exigindo “conformidade total” com a paralisação que se estende até domingo, 4 de outubro. A Nigéria, que celebrou seu 66º aniversário de independência em 1º de outubro, enfrenta agora um desafio interno significativo.
As Três Principais Demandas dos Sindicatos
A greve de aviso na Nigéria é impulsionada por três reivindicações centrais que buscam aliviar a pressão econômica sobre os trabalhadores. A primeira e mais proeminente é a exigência de um corte no preço da gasolina, conhecida como Premium Motor Spirit (PMS), para 500 nairas por litro. Atualmente, os preços nos postos variam entre 1.450 e 2.500 nairas o litro em diferentes regiões do país, um valor considerado insustentável pelas entidades sindicais.
Para alcançar essa meta, os sindicatos propõem a criação de um fundo de intervenção para cobrir custos de importação, o apoio a operadores de petróleo e gás, e a venda de petróleo bruto para refinarias locais, como a da Dangote, em condições favoráveis. O objetivo é impulsionar a produção nacional e, consequentemente, reduzir os preços para o consumidor final. O Campo Grande NEWS apurou que essa medida é vista como crucial para a estabilidade econômica das famílias nigerianas.
A segunda demanda refere-se à aprovação de um prêmio salarial, uma gratificação imediata e generalizada para todos os trabalhadores. Essa medida visa amortecer o impacto das difíceis condições econômicas atuais, que afetam não apenas os servidores, mas também seus dependentes e a população mais vulnerável. A proposta surge como um reconhecimento da erosão do poder de compra nos últimos meses.
Por fim, a terceira e talvez mais estratégica exigência é a urgente constituição de um comitê tripartite para negociar um novo salário mínimo nacional. Os sindicatos pleiteiam um valor de, no mínimo, 500.000 nairas mensais, a partir de 2027. A intenção é que este comitê seja formado imediatamente para evitar atrasos administrativos e garantir que o processo de negociação e aprovação legislativa ocorra a tempo.
Contexto da Crise Econômica e o Salário Mínimo Atual
A Nigéria, a nação mais populosa da África, atravessa o que muitos descrevem como a pior crise de custo de vida em uma geração. O governo, liderado pelo Presidente Bola Tinubu, defende que a remoção de subsídios e a liberalização cambial foram medidas necessárias para a estabilização da economia, que estaria começando a mostrar sinais de recuperação. No entanto, os sindicatos argumentam que essa estabilização ainda não se refletiu nos salários dos trabalhadores.
O salário mínimo atual de 70.000 nairas mensais foi acordado em julho de 2024, um aumento significativo em relação aos 30.000 nairas anteriores. Essa negociação ocorreu após a forte pressão do Congresso Nacional de Trabalhadores (NLC) e do Congresso Sindical (TUC), que alertaram que as reformas do governo, especialmente a eliminação do subsídio de combustível em 2023, estavam corroendo o valor real dos salários. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação piorou desde então.
A moeda nigeriana, a naira, perdeu valor, e os preços continuaram a subir. Já em maio de 2026, o NLC já demandava um salário mínimo de 154.000 nairas. Joe Ajaero, presidente do NLC, tem criticado as condições salariais atuais, classificando-as como “salários de fome” e adicionando a demanda por um salário mínimo nacional de pensão à plataforma do movimento, como apurado pelo Campo Grande NEWS.
Apoio da Maior Federação Sindical e o Futuro da Negociação
O Congresso Nacional de Trabalhadores (NLC), a maior federação sindical do país, manifestou seu total apoio às demandas apresentadas pelo JNPSNC. O NLC também reforçou seu próprio apelo por um corte imediato no preço da gasolina, um prêmio salarial em nível nacional e a negociação urgente de um novo salário mínimo. A extensão formal da ação para abranger as estruturas mais amplas do NLC ainda não havia sido confirmada até o fechamento desta matéria.
A greve de aviso de três dias é uma medida de pressão que antecede uma possível paralisação por tempo indeterminado. Ela demonstra a força da união dos trabalhadores e a seriedade com que as demandas estão sendo tratadas. O momento da greve, logo após o feriado da independência, também carrega um simbolismo político, com os sindicatos esperando que o discurso presidencial tivesse sido uma oportunidade para anunciar soluções.
O governo tem até o último momento para evitar a paralisação completa. Concessões de última hora, o anúncio da formação de um comitê, um plano para o prêmio salarial ou avanços nas negociações sobre os subsídios de combustível poderiam ainda desarmar o movimento. Contudo, os sindicatos afirmam que seus membros estão mobilizados e que o prazo estabelecido já foi ultrapassado, indicando uma postura firme na busca por seus direitos.


