Sheinbaum abre porta para investigar empresário ligado a AMLO na Suíça

O empresário Jorge Amílcar Olán Aparicio, conhecido por sua proximidade com a família do ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador (AMLO), foi localizado vivendo em Lugano, na Suíça. A descoberta foi feita pelo repórter Irving Pineda, da Azteca Noticias, após receber uma dica anônima. Olán, que é acusado de usar suas conexões para obter contratos públicos, tentou evitar o contato com a imprensa e chegou a tentar apreender o equipamento de gravação do jornalista, conforme noticiado pelo El Universal.

O caso chegou à conferência de imprensa matinal da presidente Claudia Sheinbaum, onde a possibilidade de uma investigação formal pelo Ministério Público Federal (FGR) foi levantada. Sheinbaum declarou que qualquer pessoa com evidências de ilegalidade deve apresentá-las, e que o FGR deve abrir um inquérito se houver provas concretas, mas ressaltou que isso não deve ocorrer apenas com base em reportagens televisivas.

A localização de Olán na Suíça, em uma residência descrita como luxuosa em Lugano, levanta questões sobre sua permanência no exterior enquanto enfrenta acusações de irregularidades. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o empresário é ligado a empresas que receberam contratos em áreas como infraestrutura, materiais ferroviários e medicamentos durante a gestão de AMLO. Sua empresa, Portacelis Gas and Oil, também foi denunciada pela autoridade fiscal (SAT) por discrepâncias na importação de combustíveis.

Empresário é encontrado em refúgio suíço

Após sete dias de investigação na Suíça, o repórter Irving Pineda confirmou que Jorge Amílcar Olán reside em Lugano, uma cidade à beira do lago na região de língua italiana do país. Pineda descreveu Olán como recluso, permanecendo dentro de sua residência, que possui piscina e área de jantar externa, e raramente saindo, mesmo para atividades cotidianas. A reportagem da Azteca Noticias, divulgada pelo El Universal, mostrou imagens do empresário com sua família, evitando o contato visual e se recolhendo rapidamente.

O confronto com o repórter foi breve e tenso. Ao ser abordado enquanto caminhava com os filhos após a escola, Olán se mostrou agressivo, ameaçou chamar a polícia e tentou pegar o gravador. Ele se afastou sem responder às perguntas, deixando o jornalista sem declarações, mas com imagens do ocorrido.

Acusações de tráfico de influência e fraudes fiscais

Jorge Amílcar Olán Aparicio, empresário originário de Tabasco, ganhou notoriedade pela sua forte ligação com Andrés Manuel López Beltrán, filho do ex-presidente. Durante o governo de AMLO, empresas associadas a Olán foram beneficiadas com contratos públicos em diversos setores. As acusações incluem o aproveitamento de suas conexões para **garantir licitações e o fornecimento de materiais de qualidade duvidosa**, como o lastro para os projetos de infraestrutura Tren Maya e Tren Interoceánico.

A mais recente denúncia envolve a empresa Portacelis Gas and Oil, ligada a Olán, que está sob investigação do Ministério Público Federal (FGR) por **discrepâncias fiscais em importação de combustíveis**. A autoridade tributária (SAT) apresentou a queixa após identificar irregularidades na declaração de impostos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, há relatos de que Olán teria buscado um recurso legal, um *amparo*, para impedir a divulgação de suas atividades comerciais por parte de diversos veículos de comunicação.

Sheinbaum condiciona investigação a provas concretas

Questionada sobre a necessidade de uma investigação sobre Amílcar Olán, a presidente Claudia Sheinbaum adotou uma postura cautelosa. Ela enfatizou que o Ministério Público Federal (FGR) deve agir com base em **evidências de ilegalidade**, e não apenas por reportagens midiáticas. “Qualquer um que tenha prova, o Ministério Público, de qualquer ilegalidade, tem que abrir um arquivo de investigação, mas não porque a TV Azteca diz isso, mas porque há evidências que realmente o vinculem a um crime”, declarou a presidente em sua coletiva de imprensa matinal.

Sheinbaum completou afirmando que, se o FGR possuir elementos suficientes contra qualquer pessoa, independentemente de sua origem, deve proceder com a abertura do inquérito e, posteriormente, solicitar as medidas judiciais cabíveis. A fala da presidente transfere a responsabilidade para as instâncias de investigação e para a apresentação formal de provas, evitando um posicionamento direto sobre o caso que envolve a família de seu antecessor e mentor político. Conforme o Campo Grande NEWS checou, até o momento, nenhuma investigação formal contra Olán foi anunciada publicamente.

Próximos passos e incertezas

Atualmente, o **único processo legal concreto conhecido** é a denúncia da SAT contra a Portacelis Gas and Oil. A residência de Olán na Suíça pode se tornar um fator relevante em um eventual cenário de extradição, mas por enquanto, a bola está com os procuradores mexicanos. A resposta da presidência está atrelada à recepção de provas concretas, e o empresário ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. A extensão total dos contratos ligados a Olán e o status dos processos judiciais contra os veículos de imprensa ainda não foram totalmente esclarecidos.